Confissões de um confinamento V

 



Confissões de um confinamento : ando mais nostálgica e saudosista. 

Saudades e reflexões, receios. Já tive alguns momentos muito marcantes na minha vida, e um ou dois desgostos, mudou-me, mudou bem lá no fundo do fundo, de dentro para fora. Tal como ser mãe, mudou-me. E, por isso, tento ensinar os miúdos a viver o momento e prolongar o seu sabor e cheiro até à última gota. A “tirar fotografias com os olhos” e protegê-las dentro do nosso coração. 

Viver para a família, com a família nossa e a de coração, ver os filhos dos outros crescer - afinal são um pouco nossos também não são? - dar-lhes o que tenho, o que sinto e vivo, um pouco de mim e recuar quando sinto que devo. 

Tenho saudades dos amigos que “já não podemos estar” em jantares demasiadamente demorados salpicados com histórias do que já passou. Tenho saudades de partilhar memórias com os estava lá bem centro dessas mesmas memórias. 

Tenho saudades de ser criança, e de fingir que estava a dormir quando o meu pai me ia dar um beijo já tarde. Agora são eles que fazem isso. Sinto que perdi metade da minha infância contada, quando a minha avó faleceu. Agora são eles que fazem histórias para as avós contarem mais tarde, e assim entramos no círculo contínuo. 

A vida faz-se entre os  planos e nós passamos pelo meio dos pingos da chuva.

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