Os 3 Anos (parte II)
O
desenvolvimento cognitivo
Jean
Piaget denominou o período pré-escolar de estádio pré-operatório. É o segundo
grande estádio de desenvolvimento cognitivo da criança, e estende-se
aproximadamente entre os 2 e os 7 anos. Ao longo destes cinco anos, as crianças
tornam-se gradualmente mais sofisticadas no uso do pensamento simbólico.
Contudo, ainda de acordo com Piaget, as crianças só pensam logicamente no
estádio das operações concretas, ou seja, no período escolar.
Entre
os processos cognitivos do estádio pré-operatório identificados por Piaget e
por outros investigadores estão a função simbólica, a compreensão das
identidades, a compreensão da causa e efeito, a capacidade para classificar e a
compreensão do número. Algumas destas capacidades têm a sua origem nos três
primeiros anos de vida, outras começam a desenvolver-se no período pré-escolar,
mas só estarão completamente adquiridas no período escolar.
Ter
símbolos para as coisas ajuda a criança a pensar nessas coisas e nas suas
qualidades, a recordá-las e a falar sobre elas, sem que elas precisem de estar
fisicamente presentes. O desenvolvimento do pensamento simbólico torna possível
outros progressos importantes. As crianças evidenciam a função simbólica
através da imitação diferida (a repetição de uma acção observada num momento anterior),
do jogo simbólico (quando as crianças fazem com que um objecto simbolize outra
coisa, uma boneca é uma pessoa, por exemplo) e da linguagem.
Outra
das competências cognitivas das crianças prende-se com a compreensão das
identidades (aquilo que as coisas e as pessoas são). À medida que a
desenvolvem, o mundo torna-se mais organizado e previsível aos seus olhos. Esta
evolução acompanha o desenvolvimento da auto-consciência.
A
capacidade de pensar em termos de causa e efeito é outra das marcas do desenvolvimento
cognitivo no período pré-escolar. Esta competência é visível nos «porquês» que
as crianças começam agora a colocar constantemente, e que vão continuar a
colocar ainda por bastante tempo.
Já não ligam uma causa a um efeito, apenas em
relação a ocorrências específicas no ambiente físico, como acontecia durante os
três primeiros anos de vida. As crianças agora já são capazes de estabelecer
este raciocínio em relação a contextos sociais mais complexos.
A
classificação (o agrupamento de objectos, pessoas e acontecimentos) é outra das
competências cognitivas das crianças nesta altura. Por volta dos 4 anos, muitas
conseguem classificar utilizando dois critérios, como a cor a forma. À medida
que usam a capacidade de classificar para ordenar muitos aspectos das suas
vidas, as crianças categorizam as pessoas como «boas», «más», «amigas», etc.
Por esta razão, a classificação é uma capacidade com implicações sociais e
emocionais.
O
conhecimento quantitativo é, igualmente, afinado no período pré-escolar. As crianças
têm agora palavras para comparar as quantidades. Aos 3, 4 anos sabem
perfeitamente o que é ter muitos rebuçados ou rebuçado nenhum.
O
desenvolvimento físico
Por
volta dos 3 anos, as crianças tornam-se mais compridas e mais esguias. Começam
a perder a face redonda que caracteriza os bebés e a apresentar uma aparência
mais atlética de criança. À medida que os músculos abdominais se desenvolvem, a
barriga diminui. O tronco, os braços e as pernas tornam-se mais compridos. A
cabeça é ainda relativamente grande, mas as outras partes do corpo continuam a
crescer até que as proporções corporais se tornam mais semelhantes às do
adulto.
Nesta
idade, os rapazes são ligeiramente mais altos e pesados do que as raparigas e
têm mais massa muscular por quilo de peso corporal, enquanto as raparigas têm
mais tecido adiposo. Tanto uns como outros crescem habitualmente 5 a 8
centímetros e ganham 2 a 3 quilos por ano, durante o período pré-escolar. A
ligeira superioridade dos rapazes face às raparigas em peso e altura mantém-se
até ao aparecimento da puberdade.
Estas
mudanças na aparência física reflectem o desenvolvimento no interior do corpo.
O crescimento muscular e ósseo avança e as crianças tornam-se mais fortes. A
cartilagem transforma-se em osso a um ritmo mais rápido do que anteriormente e
os ossos tornam-se mais duros e fortes, dando à criança uma forma mais firme,
ao mesmo tempo que os órgãos internos estão mais protegidos.
Estas
mudanças, coordenadas pelo sistema nervoso e pelo cérebro em maturação,
promovem o desenvolvimento de uma vasta gama de competências motoras. As
capacidades crescentes dos sistemas respiratório e circulatório contribuem para
a força física e, juntamente com o desenvolvimento do sistema imunitário,
mantêm a criança mais saudável.
No
entanto, tenha sempre em mente: tal como acontece com as crianças mais novas,
durante o período pré-escolar, o desenvolvimento físico e a saúde das crianças
dependem de uma boa alimentação e de padrões de sono adequados.
O
desenvolvimento motor
As
crianças entre os 3 e os 6 anos fazem grandes progressos nas competências
motoras, tanto nas competências motoras grossas (correr e saltar), como nas
competências motoras finas (abotoar os botões do casaco ou desenhar). É também
nesta altura que mostram a sua preferência em utilizar mais frequentemente a
mão esquerda ou a direita.
Aos
3 anos, as crianças conseguem saltar uma distância de 38 a 60 centímetros; aos
4 conseguem dar quatro a seis saltos num só pé; aos 5 conseguem descer uma
escada sem ajuda, alternando os pés.
Durante
o período pré-escolar, as áreas sensoriais e motoras do córtex estão mais
desenvolvidas do que anteriormente, permitindo à criança fazer cada vez mais
aquilo que lhe apetece. Os seus ossos e músculos estão mais fortes, a
capacidade da sua caixa pulmonar é maior, e ela consegue correr, saltar e
trepar mais longe, mais rápido e melhor.
Saltar
num só pé é difícil antes dos 4 anos e subir escadas é mais fácil do que
descê-las; por volta dos 3 anos e meio, a maior parte das crianças alterna com
segurança os pés enquanto sobe, mas só aos 5 anos é que consegue fazer o mesmo
enquanto desce. Galopar, só aos 4 anos, mas fazê-lo razoavelmente bem, só aos 5
e aos 6 é que são profissionais. Saltitar com pés alternados à medida que
caminham é mais difícil, a maior parte das crianças só o consegue aos 6 anos,
embora algumas já o façam aos 4 anos.
É
evidente que a perícia varia de criança para criança e que o património
genético de cada uma determina, em parte, as suas competências motoras e as
suas capacidades de treino.
As
competências motoras grossas desenvolvidas durante a idade pré-escolar são a
base para a prática do desporto, da dança e de outras actividades que começam
durante o período escolar e que se podem manter ao longo de toda a vida. Para
ajudar as crianças a desenvolverem-se melhor fisicamente, os pais e os
educadores devem dar-lhes a oportunidade de brincarem livremente, mas em
segurança, com equipamentos de tamanho ajustado, como bolas e outros brinquedos
suficientemente pequenos para serem facilmente agarrados e suficientemente
macios para não magoarem.
As
competências motoras finas (apertar os cordões do sapato, cortar com uma
tesoura, desenhar e pintar) envolvem a coordenação óculo-manual e de pequenos
músculos. Os ganhos nestas competências permitem à criança assumir maior
responsabilidade por si própria. Gradualmente, as crianças vão afinando a sua
habilidade e aos 3 anos, por exemplo, já conseguem comer com talheres, ainda
que se sujem bastante; aos 4 vestem algumas peças de roupa e aos 5 já conseguem
desenhar uma figura humana mais elaborada.
Se
os rapazes excedem as raparigas em força, estas excedem os rapazes em algumas a
tarefas de motricidade grossa que envolvem coordenação dos membros. Por
exemplo, aos 5 anos, as raparigas são melhores a saltar ao eixo, saltar com pés
juntos, equilibrar-se num só pé, saltar num só pé e apanhar uma bola. As
raparigas também tendem a ser melhores em tarefas que requerem a coordenação
dos músculos mais pequenos.
ESTIMULAR OS SENTIDOS
Sabe-se
hoje que os estímulos orientados — adaptados ao estádio de desenvolvimento da
criança — são os que permitem desenvolver por completo as suas capacidades. O
esforço é o de captar a sua atenção, mas isto não é difícil porque, em geral,
as crianças são sempre muito curiosas e ficam muito contentes quando conseguem
executar uma tarefa.
Tenha
a sensibilidade de perceber que brincadeiras e actividades o seu filho prefere
e não o obrigue a nada. Ele deve ter a liberdade de escolher por si, pois só
assim consegue adquirir competências de autonomia e autoconfiança. Se os pais
estimularem a autonomia dos filhos satisfazendo simultaneamente os seus
desejos, em breve eles criarão novas variantes dos jogos e actividades com
grande fantasia e animação. Por outras palavras, esta é a forma de ensinar a
crianças a serem criativas.
Ficam
aqui alguns conselhos de estímulos de desenvolvimento que contribuem para um
crescimento mais equilibrado e criativo do seu filho. Tenha, no entanto, sempre
em conta que a maior parte destas actividades exigem tempo e disponibilidade
por parte dos pais.
• Para estimular a visão: prepare
repetidamente brincadeiras em que esconde coisas e o seu filho tem por missão
procurá-las, as meias, um boneco, um brinquedo, a escova do cabelo, etc.,
qualquer coisa serve. Oriente a busca, chame a atenção para um canto onde ele
se tenha esquecido de procurar. Depois, troque de papeis, ele que esconda
alguma coisa para você procurar.
• Para estimular a fala: invente pequenas
histórias de vez em quando e conte-as ao seu filho. As histórias devem ter um
ponto alto e uma conclusão breve e tranquilizadora. No fim pergunte ao seu
filho se ele lembra do conteúdo da história e peça-lhe para ele a resumir.
• Para estimular o raciocínio: vá até uma
ponte que atravesse um riacho e chame a atenção do seu filho para a superfície.
Atire à água pequenos ramos e pedras — as pedras afundam-se e os ramos flutuam.
O que acontece com os barcos? O seu filho aprende a pensar por si.
• Para estimular os conhecimentos e a memória: fale
pormenorizadamente à criança acerca do corpo humano e pergunte-lhe por todas as
partes do seu, sem excepção. Pergunte-lhe pela nuca, pelo peito, pelos
calcanhares, pelos cotovelos, etc.
• Para estimular o sentido musical: trauteie o
início de uma canção e peça ao seu filho que adivinhe de que canção se trata.
“EU QUERO!”
A
partir dos três anos, expressões como «eu quero!», «eu posso!» e «eu faço!»
começam a fazer parte do vocabulário da criança. É uma fase em que ela vive
centrada em si própria, é egoísta, possessiva e pouco tolerante. A criança
necessita de provar a si mesma que é capaz de fazer o que for sem a ajuda dos
adultos, é por isso que age desta forma. Os pais não devem desesperar.
O
egocentrismo próprio da infância não dura a vida toda, revela apenas uma
necessidade de afirmação — a criança precisa de exercitar a sua autonomia — e
uma dificuldade em ver as coisas a partir de um ponto de vista que não seja o
seu. Os sentimentos egocêntricos tendem a surgir sobretudo quando as crianças
passam por situações que não se enquadram nas suas vivências, ou seja, quando
as hipóteses de identificação são limitadas. Aos pais compete agir com firmeza:
não ceder a caprichos e não perder o controlo. Ajudar a desenvolver a
maturidade emocional das crianças é fundamental. Como? Compreendendo,
dialogando, partilhando afectos.
ver a parte I aqui.
fonte: Baby Center, Pais e Filhos, Mimosa, Desenvilvimento do Bebé
foto: pinterest
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