Os 3 Anos (part I)
Acho que estes dois posts ajudam a perceber melhor os temíveis 3, e aos pais a perceberem um bocadinho melhor o que se passa na cabeça dos nossos pequeninos.
As
motivações afetivas constituem uma força viva que leva a criança a procurar
soluções, dentro e fora de si, para os problemas com os quais se vai deparando.
Mas este processo de maturação afetiva é, em grande parte, obra dos pais, ou
das pessoas que os substituem e depende, essencialmente, da forma como os pais
compreendem e lidam com a criança.
Se ela não encontrar junto dos pais uma ajuda para conseguir equilibrar todas as suas necessidades, a sua afetividade não se desenvolve, ou corre o risco de se desenvolver de uma forma insuficiente, podendo por isso fixar-se num estádio mais inicial do seu desenvolvimento. Nestes casos, a criança aborda os conflitos dos períodos seguintes com a mentalidade e maturidade afectiva do estádio anterior, podendo abrir-se assim caminho a possíveis afectividades desviadas (ou seja, comportamentos anti-sociais, perturbações do carácter, etc.).
A criança pode, por exemplo, manter-se dependente dos pais, demonstrar uma atitude passiva e revelar-se incapaz de realizar um esforço. Ou então mostrar-se mais agressiva.
Se ela não encontrar junto dos pais uma ajuda para conseguir equilibrar todas as suas necessidades, a sua afetividade não se desenvolve, ou corre o risco de se desenvolver de uma forma insuficiente, podendo por isso fixar-se num estádio mais inicial do seu desenvolvimento. Nestes casos, a criança aborda os conflitos dos períodos seguintes com a mentalidade e maturidade afectiva do estádio anterior, podendo abrir-se assim caminho a possíveis afectividades desviadas (ou seja, comportamentos anti-sociais, perturbações do carácter, etc.).
A criança pode, por exemplo, manter-se dependente dos pais, demonstrar uma atitude passiva e revelar-se incapaz de realizar um esforço. Ou então mostrar-se mais agressiva.
Outras
vezes, mesmo sentindo-se afectivamente carente, a criança desenvolve-se, mas
mantém-se um ser frágil e incapaz de ultrapassar contrariedades, com uma baixa
auto-estima e falta de confiança em si mesma.
Tudo
isto põe em relevo a importância do bom ambiente emocional que os pais devem
dar aos seus filhos. Porque são, realmente, os afectos que lhe transmitem os
sentimentos de segurança, de confiança, de auto-estima.
A
partir dos 3 anos, as crianças reclamam cada vez mais a sua autonomia, já não
têm tanta necessidade de colo nem de miminhos, esforçam-se por mostrar que
sabem fazer tudo sozinhas. O que não quer dizer, obviamente, que não tenham
necessidade de afecto.
Por
tudo isto, privilegie sempre os afectos, as relações que existem entre si e o
seu filho. Se esta base for segura, ele crescerá mais saudável em termos
emocionais, o que significa que terá uma maior capacidade para lidar com o
mundo e com os outros que o rodeiam.
BIRRAS E MAIS BIRRAS
De
acordo com os pediatras, a birra é uma manifestação de qualquer conflito ou
pressão que a criança não consegue resolver de outra maneira, como, por
exemplo, verbalmente. E, como todas as manifestações, a birra tem um objectivo
e um motivo, mesmo quando parece vinda do nada e a propósito de coisa nenhuma.
Daí que seja muito importante que a criança não consiga tirar partido da birra.
Esta é, por isso, a regra número um para todos os pais: não ceder às birras dos
filhos.
Se
a criança perceber que fazer birra resulta, ela vai perpetuar esse
comportamento. Por isso, é fundamental não deixar que a criança manipule e
atinja os seus objectivos pelo facto de estar a fazer uma birra. Se a criança
souber que não tem ganhos adicionais, deixa provavelmente de fazer birras. Mas
falar é fácil, claro.
Como
é que se consegue lidar e «negociar» com uma criança aos gritos e aos pontapés
que não ouve ninguém? Antes de mais, há que perceber que a birra é normal nas
crianças mais pequenas e que é uma coisa espontânea, não é premeditada. Em
segundo lugar, os pais devem ter consciência de que a criança precisa de tempo
para resolver esse conflito interno. Terceiro, e não menos importante: se os
pais perdem a calma (e todos sabemos como é fácil perdê-la), deitam tudo a
perder.
Há
factores que influenciam negativamente a frequência das birras, como o mau
ambiente familiar. Um mau ambiente em casa gera uma educação desorganizada, sem
consistência, e isto agrava o comportamento birrento das crianças. Por outro
lado, viver sem regras também não é bom. A permissividade perante uma birra é o
pior erro que os pais podem cometer.
Deixar
a criança resolver a birra entregue a si própria é, muitas vezes, a melhor
opção, defendem os pediatras. Dar-lhe pouca atenção, deixá-la no quarto a
espernear e dizer-lhe «já volto» é muitas vezes a solução para a birra parar.
Quanto mais atenção se dá à criança, mais ela tenta levar a sua avante. Quando
a birra acontece num local público, a solução é retirá-la o mais depressa
possível do centro das atenções, porque a assistência pública prolonga a birra.
Leve-a até à rua, ou até à casa de banho. O importante é que ela não esteja a
ser o centro das atenções. Por outro lado, não caia na tentação de ao
repreender em público. Vai ver que só piora a situação.
Entretanto,
como meio de segurança, não se esqueça de retirar objectos perigosos que possam
estar ao alcance da criança que está a fazer uma birra.
Passada
a idade das birras — a partir dos 3, 4 anos —, o mais natural é que estas sejam
cada vez menos frequentes e menos intensas, até que desaparecem de vez. Daí que
seja necessária alguma atenção a certas situações desajustadas, que podem
revelar algum problema no desenvolvimento da criança. As birras desajustadas da
situação, do contexto e da idade são, muitas vezes, o primeiro alerta para
eventuais perturbações do desenvolvimento e do espectro do autismo. Birras
muito frequentes, muito prolongadas e já depois dos 3 anos podem indiciar algum
problema. Também não é normal aquela situação em que a criança vive em birra
permanente.
Afastadas
as possibilidades de problemas relacionais ou outros, o comportamento birrento
acaba por passar. Tenha paciência, muitas vezes a criança está só a tentar
chamar a atenção. O melhor mesmo é tentas resolver o problema envolvendo-a na
solução.
A BRINCAR TAMBÉM SE APRENDE
O
direito a brincar está inscrito na Declaração Universal da Carta dos Direitos
da Criança.
Até aos 3 anos, a criança não distingue verdadeiramente entre o que
é brincadeira e o que é a realidade. Mas, a partir dessa idade, começa a
aperceber-se de que há diferenças significativas entre uma coisa e outra.
Apesar disso, a maior parte do seu tempo, senão todo, é passado a brincar. A
brincadeira prolonga-se até à exaustão e o jogo assume um papel essencial.
Muitas vezes, realiza-se sem qualquer finalidade específica, já que o simples
acto de jogar é a sua razão de ser.
O
sentido mais profundo dos jogos infantis é o empenhamento sério das crianças na
sua concretização. Estão em jogo os seus sentimentos, instintos e pensamentos.
Por isso, deixe os seus filhos brincarem à vontade e brinque com eles. Muito! O
jogo é o principal suporte do desenvolvimento das crianças a nível físico,
emocional, afectivo e psíquico.
A
partir dos 3 anos, as crianças começam a brincar em conjunto, mas ainda são
bastante egocêntricas, por isso não estranhe se vir o seu filho a brincar
sozinho no meio de um grupo de crianças. A partir desta altura, as crianças
começam também a assumir novas formas de brincadeira. O significado cada vez
mais claro da palavra «eu» possibilita a mudança: a dramatização de diferentes
papéis. A criança imagina que é mãe, o pai, um animal ou outra coisa qualquer;
imagina que está num comboio, num avião, que é um piloto, um polícia, uma
enfermeira. Agora que percebe a diferença entre o «eu» e o «tu», troca
conscientemente de papel. A representação abre-lhe o mundo dos adultos. E assim
vai crescendo.
No
que diz respeito aos brinquedos, estes não são necessariamente aquilo para que
foram criados. É a criança que lhe dá um destino final. E a imaginação, já se
sabe, não tem limites.
Para
alguns autores, a definição mais correcta de brinquedo é a que aponta para o
objecto que provoca o impulso de actividade que vai converter-se em jogo. É a
utilização que lhe confere o seu fim último. Daí que o mesmo brinquedo possa
ser utilizado em muitas brincadeiras. O brinquedo é potenciador da
criatividade. E este é um aspecto essencial no desenvolvimento das crianças. Os
pais devem estar atentos aos filhos que brincam de uma forma estereotipada,
sempre igual. Se o brinquedo e o jogo forem redutores da fantasia e da
criatividade, o prazer do jogo desaparece. Os jogos, como elementos de
aprendizagem, deverão permitir que a criança passe da simples percepção para o
mundo da ficção e da fantasia. Por isso, as crianças, de entre os vários brinquedos
adequados a cada faixa etária, devem ter sempre a possibilidade de os poder
escolher. Os carrinhos, os aviões, os navios têm sucesso garantido, mas é
preciso não esquecer que, antes de ser oferecido, o brinquedo deve ser
desejado. Desta forma, preenche-se uma necessidade que a criança evidencia.
Os
pais não devem recusar o brinquedo pedido e substitui-lo por outro que eles —
os pais — gostem mais, ou achem mais adequado. A escolha deve pertencer à
criança; aos pais compete enriquecer e encorajar as suas brincadeiras.
E
quanto aos brinquedos de «guerra», «violentos»? Muitos pais têm dúvidas quanto
a oferecê-los. Não é aconselhável a aquisição constante, mas este é um tipo de
brinquedo que propicia à criança uma certa forma de libertação da sua agressividade,
daí que tenha algum interesse.
Escusado
será dizer que satisfazer todos os desejos das crianças não tem resultados
positivos, o desinteresse chega depressa e os objectos são pouco valorizados.
E, lembre-se: não ceda a caprichos, não compre brinquedos com indiferença, não
mostre desinteresse. A escolha de um brinquedo é sempre um assunto muito sério.
ver a parte II aqui.
foto: pinterest
fonte: Baby Center, Pais e Filhos, Mimosa, Desenvilvimento do Bebé
nota: mais artigos relacionados com comportamentos e idade ver aqui.
Ver mais posts sobre educação e desenvolvimento dos bebés e das crianças, ver aqui
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