E quando eles nos respondem à letra....
Até à data, sempre que precisávamos de dizer qualquer coisa e que eles não podiam ouvir ou saber, dizíamos em inglês.
Podíamos ter optado pelo francês é verdade, mas como comodistas que somos, o inglês serviu de linguagem própria e exclusiva dos pais naquelas alturas que temos que comunicar um com o outro e há uns ouvidinhos pequeninos muito atentos. Naquelas alturas em que os temas são geralmente sobre o que nos esquecemos de fazer \ ter\ comprar \ dizer.
Sim, é uma arma utilizada para nos livrar de algum possível "sarilho".
Já nos safou de promessas esquecidas "don´t mention the toys", ou " I forgot to bring the chocolate", ou serviu também para impedir que a conversa entre mãe e pai fosse desenvolvida e consequentemente levada a um tema que não era mais oportuno "don't talk about the holidays".
Sim, já nos safou em diversas ocasiões, e a até já foi usado para dizer algumas palavras que não devíamos.
Não me devia ter surpreendido, pois já me tinha dado a entender que sabia falar, e pensando bem nas coisas, este é já o segundo ano que tem inglês todos os dias, portanto alguma coisa deveria ter aprendido. Mas mesmo assim e mesmo sem pensar racionalmente, achávamos que o inglês era aquela língua que só os com uma altura superior a 150 cm é que percebem.
Até ao dia em que o Jr, me responde, não em português, mas sim, num inglês quase perfeito.
" Don't talk about the party. I didn't bought the present" digo eu, num quase sussurro, enquanto estamos nós à mesa, e o Tomás a fazer novamente palhaçadas com o guardanapo, criando assim uma distracção que tem de tão barulhenta como de perfeita.
O pai olha para mim e encolhe os ombros.
Jr, no meio da risota , e sem olhar para mim, como quem não quer a coisa, responde " why not mummy?"
Acho que teremos que reaprender e aperfeiçoar a lingaguem dos P's...
Nãopão épé?

Épé verperdapadepe.
ResponderEliminarpopoispis épé! beipeijipinhospos (??)
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