O Universo, o João, e o seu dente
Durante este fim-de-semana também, e
sem aviso prévio, completamente inesperado para nós (e sobretudo para ele),
caiu um dente ao João.
Tudo normal no crescimento de um bebé
que se tornou um menino e agora um rapazinho. Nada de extraordinário, não fosse
o facto de me sentir sempre em falta para com ele.
Quando o João nasceu, após 5 meses
de licença, regressei ao trabalho. De forma mais intensa, mais longa e mais
ausente, de uma certa maneira para compensar o tempo que estivera fora. Na
altura, ele alternava a semana entre as duas avós. Nos dias em que ia para a
minha mãe, ainda conseguia almoçar com ele e algumas vezes adormecê-lo. Mas
sentia que ele só me via pela porta fora, que me via sempre de costas, a dizer
adeus, e lá ficava ele, umas vezes bem, outras vezes a chorar por mim.
Doía-me.
Doeu-me também quando deu o primeiro
passo e eu não vi, quando me contavam as habilidades novas que tinha feito,
quando tinha aprendido algo de novo que não fora eu a ensinar. Esta minha
autoculpa foi levada ao extremo quando a sua primeira palavra foi "olá"
e não "mamã". Nesse momento vi todas as minhas saídas sorrateiras e
descalças de casa, vi todos os "adeus" que lhe tinha dito, vi todos
os telefonemas que atendi, todos os serões que fiz, vi tudo, sem ele.
Sim, eu sei que um "olá" é
uma palavra como outra qualquer, e que nada teve relacionado comigo, mas no auge
da minha teoria de que o Universo conspirava contra mim, veio a sua confirmação
em forma de um "ouuaá".
Agora que acompanho o crescimento do
Tomás de forma diária, agora que assisto a tudo, ou a praticamente tudo, sinto
que estou em falta para com o João. Mas também, em compensação, estou muito
mais presente (estou sempre presente) em tudo o que o João faz.
E para cúmulo dos cúmulos, tinha que
lhe cair um dente logo naquele dia em que, por acaso, não estava comigo!!!! Não
bastava já todo o resto a que faltei? Também tinha que acrescentar um dente à lista????
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