Pausa
Não me interpretem mal. Não estou infeliz, não
quero fugir, não estou arrependida, nem nenhum desses
outros adjetivos que possam insinuar algo de mal, mas às
vezes penso como seria bom ter uma pausa. Uma pausa a sério,
mais psicológica do que até física. Mas que para fique bem claro, não trocaria a minha vida de hoje por nenhum momento de "ontem" ( passado sem filhos e sem marido).
Ter uma
pausa de ser mãe, de ser mãe de
família, mulher e esposa,
de ter 33 anos com responsabilidades e compromissos, e dois pequenos sob a
minha alçada.
Antes
de o João nascer, ainda antes de eu ter engravidado, eu e o meu
marido fomos de férias para as Maldivas. Uma espécie
de lua de mel, numa ilha paradisíaca, no próprio
paraíso, num hotel de sonho. O hotel tinha um conceito de "paradise
retreat", pelo que não era permitida crianças, cada bungalow era isolado com jardim e praia próprio, não havia televisão nos bungalows,
nem wifi, só um leitor de iPod e telefone.
Confesso que no princípio fez-me imensa confusão
não ter televisão, nem net, mas depois de ter
interiorizado o conceito, soube-me lindamente. Uma outra coisa que fizemos foi
desligar o telemóvel, e só o ligávamos à noite para dizer aos nossos pais que
estava tudo bem e que ainda continuávamos vivos.
Foi um
desligar do mundo. Um desligar das horas, do trabalho, das pessoas, dos
compromissos, do acordar cedo, dos e-mails, dos recados e assuntos pendentes,
das tarefas, da casa. Tínhamos um mar azul e verde à
nossa frente, areia dourada, ilhas lindas desenhadas no azul esmeralda do mar e
uma paisagem natural deslumbrante. Desligámos.
Como não
havia filhos, nem aquela preocupação de saber se estava tudo bem, de ter
uma linha de contacto para o caso de uma eventualidade, para ouvir um olá
e ficar descansada, foi fácil fazer um desconetar de tudo e de todos.
Os dias
não eram muito complicados, acordávamos
quando queríamos, vestia-se um fato de banho e íamos
pela praia fora tomar o pequeno-almoço. Depois deitávamo-nos
um pouco à sombra de uma palmeira, a ouvir as leves ondas a baterem
suavemente na areia, os pássaros a voar, e talvez até
adormecêssemos mais um pouco. À hora do almoço, lá
íamos nós outra vez pela praia até
ao restaurante, a molhar os pés na água tão quente que por vezes nem refrescava.
À tarde fazíamos mergulho ou snorkelling,
ou lia-se à sombra ou dava-se mais um passeio pela ilha. Não
foram dias difíceis, como podem imaginar, foram dias
sem horários nem pressas, sempre ao som da leve brisa que passava
pelas palmeiras.
Éramos
nós e um mar azul-turquesa, areia dourada, uma ilha pequena,
estrelas brilhantes no céu, e nenhuma preocupação
na cabeça (nem no coração).
Penso
muitas vezes nessa férias, em como consegui dormir
serenamente sob uma palmeira, ou como passámos dias sem olhar para o telemóvel
(muito menos ver e-mails ou mensagens), e em como leve a minha cabeça
(e coração) se sentia. Hoje em dia era impensável
fazer uma coisa dessas, desligar-me do mundo, desligar-me dos meus filhos.
Mesmo desligada, sem telemóvel, a cabeça (e o
coração) continuam a pensar, continuam a sentir e a afligir-se.
E tenho
saudades. Saudades dessa facilidade em desligar, em me abstrair, em não
ter preocupações escondidas lá
no subconsciente, saudades de conseguir relaxar por completo e na totalidade.
Saudades.
Como a compreendo. Identifiquei-me totalmente com este post. Também tenho saudades de saber desligar-me. Hoje em dia com 2 filhos e também com a net à distancia de um dedo é quase impossível. Não há detox para isto?
ResponderEliminarEra bom não era??? Um detox?? Talvez num fresquinhos, com as cores do mar azul e turquesa!!! Certamente seria um beste-sellet
EliminarBest seller
EliminarOlá!
ResponderEliminarAdorei ler este texto... Revejo-me totalmente nele! Não quero voltar para trás (antes de ter o meu filho) e planeio ter mais filhos ainda, mas por vezes bate aquela saudade do facto de não ter preocupações... Apenas isso! Porque como diz no texto e bem, nós até podemos fazer uma saída sem os filhos, mas inconscientemente estamos apenas com o marido mas a pensar no filho que ficou com os avós, se ele está bem, se comeu e por aí adiante! A saudade é mesmo aquela parte do 'sem preocupações' e isso acho que a partir do momento em que se tem um filho fica impossível de acontecer mais... E não é mau, apenas é diferente e é totalmente legítimo que todas as mães sintam essa falta de uma PAUSA :-)
Beijinhos grandes***
Gosto muito de me passear por aqui, faz-me parar no tempo e reflectir por momentos sob variados assuntos e isso é muito bom!
Obrigada! É bom ver que não sou a única !!! Beijinhos
EliminarEstes momentos de pausa são mesmo necessários. Claro que quem tem filhos não consegue "desligar" da mesma maneira, mas deve continuar a ter pausas para si própria, para momentos a dois, para momentos com amigos. Assim, os momentos com os filhos vão ser vividos com muito mais qualidade. Este é o meu ponto de vista, por isso enquadra-se na perfeição com este post! Tal como a Marta, eu também dou por mim a ter saudades do tempo em que "desligava" por completo :) Por outro lado, quando penso, já não me consigo imaginar nesses momentos!
ResponderEliminarBeijinhos