Como ser bom Pai / Mãe
Falou-se de diversas coisas, começando com um abordagem mais materialista e educacional, e depois deslizou-se para uma perspectiva mais simplista, mais elementar, mas que a meu ver é a base, é o pilar de qualquer criança feliz. Pesquisei na net e mal vi este artigo decidi o partilhar. Contra mim escrevo, pois por vezes admito que as vezes nem sempre tudo aqui é ouro sobre azul, nem muito menos somos o espelho da perfeição. Como em qualquer casa normal, há zangas, há birras, há falta de paciência, e há momentos muito bons. Escrever este texto deu para reflectir melhor sobre o meu estilo de "parenting", confirmar algumas coisas, e tentar ultrapassar outras.
Se ensinarmos para não deitar papéis
para o chão, então os pais não
devem deitar papéis para o chão,
mesmo quando achamos que não nos estão a
ver. O mesmo acontece com as mentiras. Ensinamos aos nossos filhos a não
monitor e que mentir é feio, e depois eles vêm-nos
a não dizer a verdade.
As crianças adoram explorar e conhecer. Alias
uma grande parte da sua aprendizagem é através da exploração e
da descoberta. Quando os pais estão constantemente a dizer “
não faças isso”, ou “não toques nisso” ou até
mesmo “ podes fazer dói-dói”, estão inconscientemente a ensinar aos seus
filhos a serem tímidos e receosos do que não
conhecem. Crianças que recebem feedback positivo dos
pais enquanto exploram mundos desconhecidos tendencialmente irão
ser mais destemidos e desinibidos. Obviamente que não se
está a dizer para aplaudir a tudo o que a criança
faz, mas dar-lhe um espaço de manobra para explorar e conhecer.
As crianças não precisam de muito nem de muita
coisa, apenas que lhes garantam o essencial.
Amor, carinho, segurança,
alimentação.
Por vezes até são os próprios pais que ficam com as consciências
culpadas porque pensam que não estão a dar o suficiente aos seus filhos,
ou porque trabalham fora, ou porque não têm os brinquedos que gostariam de ter,
ou outras tantas e variadas razoes. E em vez de darem tempo e atenção,
compensam com brinquedos (que geralmente são sempre caros). Em vez de passarem
uma ou duas horas a brincar com seus filhos preferem dar uns DVDs novos para os
entreter enquanto respondem aquele último email, ou dão
só uma olhadinha aquela mensagem ainda não
respondida.
Mas então o que é que as crianças
precisam? E como é que podemos ser bons pais?
Ter certos rituais especiais com cada filho faz-lhos sentir
especiais e únicos. Mesmo tendo a vida mais agitada
ou mais stressada, estes pequenos rituais fortalecem a ligação
filho/pai e criam normalidade na vida do mais novos
Podem ser rituais simples, como por exemplo cozinhar uma refeição,
fazer um bolo, contar histórias à noite, jogar um certo jogo (são
estes os rituais que as crianças normalmente adoram).
Ou podem ser rituais mais criativos, como por exemplo fazer a
barba com o filho - um pai criou o ritual de fazer a barba como seu filho de 5
anos todos os sábados, e chegou mesmo a comprar uma Gillette
de plástico, colocavam o gel, e ficavam os dois entretidos na casa
de banho durante horas, até à adolescência. Outro pai levanta-se todas as sextas-feiras
mais cedo para ir tomar o pequeno-almoço com a sua filha à
padaria favorita e depois vão para a escola.
Não interessa muito qual o tipo de
ritual que cria, ou se é muito ou ouço
elaborado, desde que seja algo feito entre os dois e que ambos gostem e
apreciem. É importante que mesmo nas alturas que está
mais aborrecido com o seu filho que continue a com os rituais, pois não
deverá ser visto como um privilégio que é retirado quando castigado. Deverá
ser encarado e apreciado como algo único e "sagrado" entre pai (mãe)
e filho, repetido todas as noites, semanas, meses, sempre.
A essência e base de ser um bom pai/mãe
é realmente conhecer os filhos, conhecer as suas
personalidades e temperamentos. Deve ajustar o seu estilo de
"parenting" de acordo com a personalidade do seu filho, minimizando
assim conflitos e ter melhores resultados. Temos que contender que cada criança
é diferente uma da outra, mesmo sendo irmãos,
com os mesmo pais, a viver na mesma casa, com as mesmas regras, com o mesmo
amor.
Por exemplo, imagine que tem um filho muito activo, então
antessala e ir para a cama deverá evitar actividades agitadas pois o
mais provável é que ele fique excitado e tornará
a hora de deitar mais complicada. Opte então por actividades mais calmas e
tranquilas, como por exemplo ver televisão, ler um livro, pintar, e assim estará
a ajudar-lho a ficar mais sereno e preparado para ir para a cama.
Ou por exemplo, tem um filho que não lida bem com as transições.
Assim, e para tornar tudo mais fácil para ele (e consequentemente para
si) vá-lhe comunicando com antecedência o que irão
fazer, como antes de ir embora do parque, avise-o que daqui a pouco tempo vão
embora. E volte a avisar passado uns minutos, dando-lhe assim tempo para se
mentalizar que vai embora e se preparar para a transição.
Quando melhor se adaptar à personalidade do seu filho, menos
conflitos terá, e será tudo mais fácil.
Seja um bom modelo
Pratique a máxima "faz o que eu faço",
e tente sempre fazer o que ensina aos seus filhos a fazer. As crianças
são muito perspicazes e astutas. Podem nem sequer ainda saber
falar mas já imitam os comportamentos dos pais, os actos e os gestos que
vêm os seus pais a fazerem. E acima de tudo, são
observadoras. Observam o que nós queremos e o que achamos que não
estão a ver. Observam e assimilam tudo.
Claro que os pais não são perfeitos nem com nervosa e aço.
E por vezes podem ficar mais nervosos e gritar com os filhos (algo que
ensinaram a não fazer). E nessas alturas, o pai
quando estiver mais calmo deverá dizer ao filho que estava nervoso e não
deveria ter gritado com ele, e que deveria ter tido mais calma. Ao fazer isso,
estará a ensinar ao seu filho o respeito e o perdão.
Estimule a exploração
De forma a dar mais liberdade á criança, e ao mesmo tempo ter segurança
em casa é começar por ter uma casa “á
prova” de crianças. Não significa retirar todos os objectos
de casa, ate porque ao fazer isso estaria a dar liberdade sem responsabilidade á
criança, mas sim escolher quais os locais que ela pode andar de
forma mais livre. Caso seja necessário pode sempre ensinar a não
mexer dizendo “não mexe”, e voltando a pousar o objecto na
mesa. Claro que requer paciência, pois a criança
não irá desistir facilmente, mas ao fim de
algumas repetições ira perceber que não
pode mesmo mexer. Assim, irá durante a toda a sua vida ira
aprender através do conhecimento.
Deixe-a mexer nos tachos da cozinha e sentir as suas superfícies
geladas. Deixe-a perceber que os sofás e mantas são de
um material mais quente e confortável. Leve-a a parques e jardins e
deixe-a brincar na relva e na areia. Mostre-lhe coisas novas, livros novos,
texturas novas e até mesmo comida nova.
Definição de regras, limites, segurança
As crianças precisam de regras e limites para
se sentirem seguras e amparadas. Precisam de rotinas e estrutura em casa, de
saber até onde podem ir, e de saber que caso pisem o risco há
sempre um pai que o chamará a atenção.
Não digo para criar regras só
porque sim, e criar um sistema rígido e inflexível (
o que também não é de todo bom para a criança),
mas haver regras de arrumação, regras de limpeza, ajudar nas
rotinas domesticas, deitar cedo, refeições em família. Ajuda
a criança a começar a perceber o que é
viver em sociedade, a saber que tem que cumprir certos requerimentos só
porque sim, e a lidar melhor com o autocontrolo.
Seja o maior fá do seu filho
O mais importante que um pai pode fazer pelo seu filho é
dar-lhe a saber que ele é o seu mundo. Diga-lhe várias
vezes o quanto gosta dele, o quanto ele é especial para si e para a família.
Estudos recentes mostram que ao ouvirem este tipo de mensagens as crianças
tornam-se mais resilientes e ajudam-nas a lidar com sentimentos de rejeição,
desilusão, e outras supressas desagradáveis que normalmente um adolescente
vive ( e um adulto muito mais).
Surpreendentemente muitas crianças não sabem o quanto são
amadas pelos seus pais, pois os pais não lhes transmitem isso.
Tempo de família é prioritário
Hoje em dia as crianças, mesmo as mais novas, estão
sempre muito ocupadas com aluas de ginástica, futebol, ballet etc. queremos
que façam e experimentem de tudo, tal como fazem os seus amigos e
por vezes o tempo de família é esquecido ou ignorado.
A família é o nosso maior bem, e devermos estima-lo
carinhosamente. Faça prioridade do tempo em família,
como fazerem as refeições á mesa, todos juntos, sem televisão
ou distracções, simplesmente falarem entres todos. Promova encontros
com os avós (e bisavós) entre os mais pequenos e aos mais
graúdos. As crianças gostam dos mais velhos, e os mais
velhos precisam das crianças. Ensine-as a ter tempo para a família,
e a sentirem-se bem dentro da família.
Mesmo que não seja uma festa, ou algo com muita
actividade, é bom para a criança
passar tempo com os pais e irmãos, na sala, a brincar juntos (ou sozinhos).
*William J.
Doherty, Ph.D., professor of family and social science at the University of
Minnesota, in St. Paul, and author of Take Back Your Kids
Copyright © 2004. Reprinted with permission from the December 2004 issue of Parents
magazine.Ser bons pais
*Stanley
Turecki, M.D., psychiatrist and author of The Difficult Child
*Michele Borba,
Ed.D., author of Don't Give Me That Attitude!
*Craig T.
Ramey, Ph.D., director of the Georgetown University Center on Health and
Education and coauthor of Right From Birth: Building Your Child's Foundation
for Life
*Kyle D.
Pruett, M.D., clinical professor at the Yale Child Study Center and School of
Medicine, and author of Me, Myself, and I: How Children Build Their Sense of
Self
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