Nós aqui, outra vez


Estes dois ultimos anos temos estado mais em hospitais do que eu quereria. 
E não (me) tem sido fácil. 


Começou com o JPai, quando fiquei literalmente sem chão, em 10 minutos a minha vida virou-se do avesso. Correu bem, é certo, mas o que vivi já ninguém me tira. A preocupação, o medo, e acima de tudo a incerteza, criam buracos em qualquer um. 
Chorei. 
Aprendi a ver tudo em perspectiva e a ver sempre o copo meio cheio. Aprendi o presente, agradeci pelo passado, saboreei os momentos e rezei pelo futuro. 
Mas chorei. Não à frente dele - acho que só em apanhou a chorar uma vez, quando chegou a casa mais cedo do que eu esperava - mas chorei sempre sozinha, no carro, nos semáforos, no banho, antes de dormir e ao acordar. Sozinha.
Preparei-me para não chorar no fim da conversa que tive com o Jr, mas chorei para dentro quando recebi aquele abraço assustado do miúdo, e chorei ainda mais, silenciosamente, quando lhe disse que não era nada de mais e que ia tudo corrre bem. Disse o que não sabia, menti no que podia.
Fechei a porta do quarto e chorei. Sozinha.

Não deixei ninguém entrar naquele quarto ou em casa a chorar. Não deixei ninguém falar ao telefone para chorar. Não quebrei a frente de ninguém, mas foi duro. Às vezes era tão mais fácil deixar passar aquela lágrima, e admitir o medo, admitir a incerteza, mostrar a fragilidade.
Chorei por ele, pelos miúdos, por mim, mas acima de tudo, de medo. Pedi mais tempo.

Depois quando foi comigo, no dia seguinte, deitada nos CI, chorei. Chorei por falta de tempo. Chorei por medo, chorei por saudades. Chorei em casa à noite, e de manhã. Virava a cara e escondia a lágrima quando me visitavam a chorar. Não adiantava estar lá a chorar, sermos duas pessoas a chorar. Nada se resolve a chorar.

Com o Jr, ainda lá, senti o coração apertado, e as mãos a tremer. Tentava manter a lucidez prática e não deixei pensar no que sentia. Tomamos decisões. 
Fui-me abaixo nos dias seguintes. Fui-me abaixo por ele, por mim, por há dois anos, pelo bebé pequenino que tinha em casa.

Ontem com o Tomás, numa coisita de nada e programada, tive medo. Entrei no bloco com ele ao colo, e deitei-o na cama. Dei-lhe a mão até adormecer. Sai sozinha e vi-o deitado naquela sala fria e cinzenta.  Tive medo do medo, tive medo de estarmos lá outra vez, medo das incertezas, e muito medo das improbabilidades. 

Acho que chorar não ajuda em nada, é mais difícil resolver os problemas ou as situações com lágrimas a cair pela cara abaixo. Chorar impede de ver com lucidez, impede de pensar com racionalidade.  
Mas de vez em quando faz bem deitar tudo cá para fora, desentupir o coração. 



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Comentários

  1. Nem consigo imaginar... na verdade nem comentar...

    Força... muita ...

    Bjs
    https://titicadeia.blogspot.pt/

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  2. Gosto de pensar que chorar alivia a alma! Não melhora absolutamente nada, mas alivia-nos a alma para, se possível, carregarmos a cruz. E (se for crente) Deus não nos dá mais do que aquilo que podemos carregar, mas ás vezes, achamos nós, o peso torna-se insuportável... daí ter que chorar! Que corra tudo bem! Um beijinho

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