Equilíbrio





Tento passar tempo de qualidade com eles. Acredito que quantidade não é qualidade, portanto o tempo que temos juntos tento dar o meu melhor ( muitas vezes não consigo). Mas também gosto de ter o meu tempo, só para mim, como também com o meu marido. E este equilíbrio, é complicado. 



Com três é cada vez mais difícil. Tentar conjugar o tempo que dou aos três, mais o tempo para mim, mais o todo o resto, e ainda mais o marido, por vezes, nem qualidade nem quantidade, e há falta de paciência. Há falta de bom humor, boa disposição, energia e vontade.

Com o João, quando nasceu, eu comecei a trabalhar após os 5 meses de licença. Senti-me super culpada, e sentia que ele só me via a ir embora, a sair pela porta, a dizer até já ou adeus. Também senti em força a minha passagem para segundo (ou terceiro) plano. Demorou um bocadinho a adaptar, mas depois lá consegui. 

Quando nasceu o Tomás, passava 24 horas com ele. Claro que continuei a sentir-me culpada, porque dava ao Tomás o que o João não teve. Aqui, mais uma vez, a questão do tempo, ou a falta dele, falou alto. Quando um dormia o outro estava acordado. 
Foi mais ao menos nesta altura que começamos a ficar mais tempo sozinhos, pois o Pai viajava com muita regularidade. Fui mãe e pai ao mesmo tempo, e comecei a notar a falta de paciência. A quantidade sobreponha-se à qualidade do tempo que passávamos juntos, e por vezes o cansaço falava mais alto, especialmente à noite. 
Aprendemos a ter as nossas rotinas próprias, e tive que ser mais rígida com eles. Mas aconteceu algo engraçado, começamos a dançar com a música aos altos berros, ou a saltar o três  na cama, éramos dinossauros e bombeiros, e dormimos todos juntos. 

Depois, muito depois, veio o Francisco. Eu, já com uma idade bem diferente,  e eles também, vimos tudo cm outros olhos. Tambem as circunstâncias da vida muito fizeram para que fôssemos diferentes. Espantoso como uma série de acontecimentos  podem pôr tudo em perspectiva, não é?

Desdrobro-me entre os três, e uma atenção especial ao do meio. Todos dizem que o filho do meio sente-se mais perdido, e portanto tento dar-lhe mais de mim. Sinto que estou sempre em falta com algum, que se estou com um, deveria estar com os outros. Ou se estou sozinha, deveria estar com eles. Mas a idade além das rugas, também trouxe mais maturidade, e sei que o meu tempo é tão importante como o tempo deles. E cima idade, ou a vida, vemos tudo de um outro ângulo. Aprendemos a gozar cada um de maneira diferente, e a saborear cada fase. 

É com sobressaltos, e trambolhões, com abraços e com risos que vamos, afinal de contas,é aos poucos que a vida vai dando certo, não é?


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Comentários

  1. Eu acho que ficamos sempre com essa sensação...que estamos em falta! Mas a verdade é que vamos dando o nosso melhor...

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