(Tenho a ) Casa cheia



Tenho a casa cheia. 
Cheia de cor, de sons, de cheiros, de pessoas e de memórias. Porta aberta, brinquedos pelo chão, eles correm escada acima escada abaixo. Campainha a tocar. 
A cozinha está cheia, eles entram e saem, despensa aberta, pacote de bolachas escondido em sítios improváveis, quadro cheio de recados, lembretes e desenhos, o frigorífico cheio, taça da fruta recheada. Cheira a bolos, ou a assados ( tal como eu), eles sentados à volta da ilha, o bebé na cadeira, e eu no fogão. 



Tenho a sala cheia, de almofadas no chão, de livros do Pai, de música alta, um brinquedo do bebé deixado. Eles escada acima escada abaixo. 
Lá fora bicicletas mal estacionadas, skates na relva, mini hortas ao relento. Cadeira puxada atrás, jornal esquecido em cima da mesa, sol a brilhar.
Vê-se um limão escondido, o do meio reclama propriedade.

Ouve-se lá em cima o bebé no splash splash da água quente, lá em baixo vêm os sons de uma batalha campal, feita à base de almofadas e de imaginação, e na sala o futebol do Pai. Eles escada acima, escada abaixo. 
Porta da cozinha abre e fecha, sai um iogurte. 

Chegam esfomeados, e os amigos também. As cadeiras não são suficientes para tantos, e uns ficam de pé. Os outros já são de casa. Cesta do pão vazia, do bolo restam migalhas e porta da cozinha abre e fecha. 
Eles escada acima, escada abaixo.
Falam como se fossem irmãos, gritam como guerreiros, e o bebé pede o leite.
A nossa cá somos nós, já aqui tinha dito e escrito, e esta está cheia.
Eles escada acima, escada abaixo. 
Porta da cozinha abre e fecha, sai outro iogurte.



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