Que tal é?




Têm-me perguntado imensas vezes como é passar de dois para três. Se senti muita diferença ou se não  é um grande salto? Se os miúdos cooperam e se não se sente o ‘peso’ de um bebé. Perguntam-me pelas diferenças de idades entre eles, e pela minha idade, e como tudo está a correr.


Bem, respondo. 
A logística mecânica da família já esta oleada, as rotinas estão definidas, os miúdos tornaram-se cooperativos, vestidos, nutridos e penteados, e todos sabemos o que esperar. Esta é a parte formal da coisa, por assim dizer. A parte visível e que todos sabem. É o que transparece para fora.  

O que não se vê, é provavelmente o mais difícil de tudo. É o exercício mental diário de como nos (me) organizar, não só em termos de horas e de tempo, mas de disposição, de elasticidade mental. 

A grande (enorme) diferença de dois para três, não é o trabalho a mais, nem o que se gasta a mais, é a constante e permanente sensação que há sempre alguém que precisa de algo. E esse alguém não sou eu, mas sim um dos três, ou o JPai, ou a casa, ou o trabalho. Aquele tempo (mental e físico) só para mim, que aprendi a resgatar após o segundo ter nascido, deixou de existir. Há sempre algo a fazer, ou algo em que tratar, ou algo em que pensar.  A responsabilidade aumenta exponencialmente, pois somos nós o motor que define a casa. A quantidade de informação cerebral que temos que ter disponível na hora é tanta como é variada, e abrange tudo e mais alguma coisa. Há alturas em que a nossa placa de memória precisa de um reset.

Uma outra grande (enorme) diferença de dois para três, e talvez devido à tal escassez de tempo, é outra constante sensação que estou em falta com algum deles. Se estou com o pequeno, sinto que deveria estar com o mais velho, ou o do meio. Se estou com o mais velho, sinto que o pequeno precisa de mim, e já nem sequer falo de todos os esforços para que o do meio não se sinta perdido no nosso meio. A consciência culpada, aquela malvada que só nos atrapalha, entra em força e ataca em todas as frentes. Caímos para trás.

Aprendi novas estratégias, como um programa só a um com os mais velhos, aplicar o quantidade não é sinónimo de qualidade, incorporei listas ( ai tantas listas!) no meu dia-a-dia, escrevo tudo pois a memória já prega partidas, delego autonomia (talvez mais cedo do que deveria), defino o tempo. Ou pelo menos tento. 






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Comentários

  1. Não deve ser nada fácil... eu com dois já me vejo grega...
    Que tudo corra bem!

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  2. :) e é por isto que ando por "baby blogs"...
    Também sou mãe de 3... Também me vão passando pensamentos assim pela cabeça...
    Há dias em que corre tudo bem, outros em que desesperamos todos...
    Beijinhos

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