Sobre as vacinas | O dar ou não dar




Sou a favor de dar todas as vacinas, do plano, fora do plano, e tudo o que poderá eventualmente ajudar a salvar ou a melhorar a saúde dos meus filhos. 
Desde que saiu a vacina Bexero, e em concordância com o pediatra, decidimos que íamos dar ao João e ao Tomás. Mas, acabamos por não dar.
Ou porque não dava jeito ir ao centro de saúde, ou porque os miúdos iam ficar doentes 2 dias e também não dava jeito, ou por isto ou por aquilo.

Ontem, em conversa com uma amiga, que vive fora, falamos desta vacina. Ela disse que não ia dar, nem como as outras que ainda não estavam no plano. Onde vive acreditam que nem sempre é bom dar vacinas aos miúdos e que primeiro devem ter anos largos de historial para só depois ser dada. Ouvi os seus argumentos, e concordei com toda a racionalidade por detrás de cada um. Fazia todo o sentido, porque é que deveríamos injectar ou infectar os miúdos saudáveis com algo que não está 100% provado nem que poderá ajudar completamente? A lógica que sustenta esta teoria é alicerçada em fundamentos racionais sólidos. E que fazem todo o sentido.

Mas aqui a palavra chave é ‘ racionais’. 

Contei-lhe do que se passou com o João, e do enorme susto que tivemos., e que num curto espaço de tempo lá tínhamos estado nós outra vez num hospital
Vê-lo deitado, todo cheio de sangue, cara super inchada  e roxa, um olho que não abria, o cabelo vermelho do sangue, a boca e a bochecha enormes, já numa cama e com um cateter colocado, falávamos em operação e traumatismo craniano. Ele revirava os olhos e não se mexia, os médicos falavam em tripla fractura do malar. Ele dormia profundamente e não estava responsivo e os médicos falavam em meningite devido ás fracturas na face e ao acesso directo ao cérebro. Os lençóis brancos já com sangue, ele deitado, quase irreconhecível, e revirava os olhos. E nós, sem poder fazer nada. 

Falaram em meningite, e a necessidade de operar. Lembrei-me logo que não tínhamos dado a vacina. Disseram-me que não fazia diferença, pois não era o mesmo tipo de meningite, mas na minha cabeça era algo que poderia ajudar um bocadinho, nem que fosse um bocadinho muito pequenino. Senti-me uma anormal, uma besta. Não era a mesma meningite, mas era algo que na minha cabeça poderia aumentar a probabilidade de ficar melhor, nem que fosse em 0,5%, para mim já era muito. 


Racional? Não de todo, mas quando temos um filho deitado cheio de sangue com um quadro feio, não pensamos de forma racional e só queremos ter a certeza que fizemos tudo, mas tudo mesmo, para melhorar a situação. Racional? Não de todo, mas a minha consciência pesada era emocional, tão emocional como as lágrimas que escondia quando ele olhava para mim e eu dizia-lhe que ia correr tudo bem. 

Ele deitado todo cheio de sangue, e nós impotentes sem poder ajudar. Se houvesse qualquer coisinha, por mais minúscula que fosse que pudéssemos fazer para ajudar um bocadinho, teria feito. Teríamos feito, teríamos dito, teríamos dado, teríamos movido mundos e fundos, mesmo sem saber se iria resultar. 

Racional? Queria lá saber se a tal vacina não estava ensaiado, nem verificada, nem tivesse anos de historial, nem que lhe desse urticária ou qualquer outra coisa. O que queria mesmo era que o ajudasse, nem que fosse um milésimo de ajuda. 

É que essas teor
ias racionais, fazem todo o sentido, quando estão exatamente nesse plano, o plano do racional. Quando somos nós, que estamos numa situação limite, as justificações racionais deixam de fazer sentido, deixam de ser importantes e passam a ser pormenores. 



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