MÃES VS PAIS


Esta semana recebi um convite para ir à SIC falar sobre a pressão profissional que as mães sentem versus a que os pais sentem. Por razões de logística e de tempo e com muita pena minha, não consegui ir, mas não deixei de pensar no assunto. 


Embora nem todos o admitam, e embora não seja aplicada a todas as famílias nem em todas as empresas, em muitos casos as mães são mais pressionadas do que os pais quando toca em questões relacionadas com os filhos e com a família.

Quando um filho está doente, geralmente é a mãe que leva o miúdo ao pediatra, ou que fica em casa com a criança. E a entidade patronal como reage? Recebe de bom grado a noticia que vai ter que ficar sem a colaboradora durante 5 dias, ou que terá que ceder a colaboradora durante algumas horas por dia para levar o filho a fazer tratamentos ao hospital?
Em muitos casos a entidade patronal não recebe a referida notícia com um sorriso espalhado na cara, e em muitos casos a mãe é mais pressionada para ter que "escolher" entre a família ou a profissão. "E porque não é o pai da criancinha a levar ao pediatra?", é uma pergunta feita muito frequentemente, a qual as mães respondem em silêncio e pensam em verdades mais que precisas mas não as verbalizam sob pena de sofrem ainda mais consequências. 

Mas o caso do pediatra ou de a criança ficar doente, é um bom exemplo da dualidade que existe e que se aplica aos pais e as mães. Se o filho está doente, normalmente é a mãe que o acompanha à consulta. Em alguns casos é o pai é certo, mas mesmo assim a mãe é olhada de lado.
Se a criança fica em casa doente, é quase um dado adquirido que é a mãe que fica com ela, quase que não há discussão, é um ponto assente. A mãe está a desempenhar a sua função de mãe e de 'caretaker' da família. Não há adjectivos, não há elogios, a mãe está a ser Mãe, e a agir de acordo com o que é expectável e esperado.  Mas caso seja o pai, este é graciosamente apelidado de ' bom pai' enquanto que à mãe olham de lado e concluem que põe o trabalho à frente dos filhos e tem as prioridade, obviamente, desorganizadas.

Muito se deve à desigualdade de salários e claro quem ganha menos é normalmente quem recorre em auxílio da família. Mas o estigma nada tem a ver com o ganha pão, e sim com o role que cada um desempenha na sociedade. A figura da mãe é considerada como omnipresente no seio familiar enquanto que o pai é caracterizado de 'bom pai' e 'prestável' caso substitua a mãe em algum momento. Apesar das imposições da sociedade de hoje e das pressões do mercado laboral,  as mulheres ainda sofrem com desaprovação social e cultural, baseada numa vida  passada, que seguramente não acompanhou o virar do século nem a transformação da estrutura familiar actual. 


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