Dinâmica familiar

Andamos aqui numa dinâmica familiar ainda não bem consolidada. 


O que se passa é que o Mini anda muito birrento, com uma "personalidade bastante vincada" ( para não dizer outra coisa), e é sempre do contra. 
Confesso que me tira do sério, é pior ainda que eu, a adulta, fico com os nervos em franja quando começamos logo pela manhã com uma batalha entre o meio pingo de gente, que teima em não se vestir, e eu. 
Fruto dos seus 3 anos, fruto dos Terrible Three's? Talvez? 
Talvez não. 

Há uns tempos atrás fomos passar uns dias fora, foram 4 dias nós os 4. E notei que ele andava mais calmo, menos birrento, mais cooperativo. Quando voltamos, pai e mãe regressaram aos sues trabalhos, miúdos de volta à escola, e de novo submergidos na nossa rotina semanal. Eu ando a chegar muito mais tarde do que chegava, e muitas vezes já estão com o banho tomado e em pijamas. Três dias por semana consigo ir buscá-los ao colégio, mas depois ao fim da tarde tenho que sair e só chego depois das 19:30h. Nestes dias, o Tomás pergunta-me " vais ter que sair mãe?"  e eu, com uma voz culpada respondo-lhe que sim. 

Comecei a pensar que as birras e o mau feitio eram uma relação directa desta minha "ausência". Claro que me senti culpada, claro que me matrizei, claro que fiquei pior que estragada. Então, e bem sei que não é a mesma coisa ( nem é muito), mas decidi que nos dias em que os vou buscar à escola e até à hora que tenho que sair, sou só deles. Sem iPads e sem telefones. Fazemos tudo juntos e andamos de carro de mão dada (lol). Há um dia por semana que trabalho em casa o dia todo, e a partir da hora que os vou buscar até à hora de jantar estão sempre comigo. Aos fins-de-semana é tudo intensivo e até a sesta dormimos juntos ( mas verdade seja dita, sabe-me bem... Talvez sabe-me melhor a mim do que a ele...)!

Se mudou alguma coisa? Às vezes acho que sim. 
Outras não.

Uma das coisas que tento ( mas tento muito !) é não perder facilmente a cabeça com as birras dele. Por mais teimosas que sejam ( e por vezes conseguem até levar o pai ao limite!), tento mesmo ter mais calma e ser mais compreensiva. O problema é que ele tem ideias, ideias bastante criativas e uma acentuada inclinação natural para a asneira. E depois quando damos conta, já temos o caldo (quase) entornado! Lembra-se das coisas mais inesperadas da conjugação dos objectos mais improváveis. 

Confesso que facilito mais do que facilitava quando o João tinha a mesma idade. Deixo ter mais "amplitude" de manobra do que o João tinha. Mas também nenhuma criança é igual e temos que nos adaptar à personalidade de cada criança. O João era certinho e gostava de rotinas certas e regras. Entretinha-se horas a fazer puzzles e legos ( ainda hoje faz), e gosta de fazer tudo certo. Já o Tomàs gosta de espaço e de falar alto, de dizer palermices e ser o palhacinho da festa, gosta de trepar às cadeiras, correr muito, escalar paredes . E eu não posso estar sempre a fechar-lo em regras, tenho que lhe dar alguma liberdade e flexibilidade. 

Cada vez mais acho que cada criança deveria trazer consigo, ao estilo de um "welcome gift " , uma espécie de manual de instruções ou manual de vivências. Ao género " eu preciso de espaço e de correr, portanto todos os dias tenho que correr 30 minutos ao ar livre, podes deixar-me mexer mexer nas gavetas mas não me deixes mexer naquele armário. Tenho uma forte inclinação para a asneira, portanto é melhor vires atrás de mim verificar que fechei bem as torneiras, mas não te preocupes que não mexo nos botões do fogão."

Era bom não era ?


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Comentários

  1. O meu aos 3 anos também fazia birras, principalmente de manhã quando o tempo parece que anda mais depressa do que nós.
    Tenta ter calma e não te culpabilizes, pois não há mães perfeitas (e provavelmente também não há filhos perfeitos).
    Beijinhos

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