São as pequenas coisas que nos tornam grandes


São as pequenas coisas que nos tornam grandes. 




Pode parecer (e é) um clichê, mas cada vez mais acredito que são as pequenas coisinhas as mais importantes da nossa vida. São as pequenas coisinhas que determinam as relações que temos com os outros, com nós próprios, e com o mundo que nos rodeia.

Muitas vezes andamos tão absorvidos na nossa vida, nos nossos problemas que nem sequer damos conta do que está a passar ali ao lado.
Acordamos a pensar como vamos conseguir acabar o dia, ou como vamos levar os miúdos ao treino e estar na consulta à hora marcada. Acordamos a pensar que o Continente vai entregar a mercearia e alguém tem que estar em casa para abrir a porta, mas também é aquela dia daquela reunião marcada há séculos e sem horas para acabar e não conseguimos mesmo estar em dois lados ao mesmo tempo. 

Acordamos a pensar que afinal não devíamos ter enviado aquele e-mail e falta ainda acabar o relatório, mas os miúdos têm trabalhos de casa e têm que ser entregues amanhã e o fim de tarde não dá para tudo. Acordamos a pensar que ainda estamos irritadas por ontem ele ter ficado sentado no sofá a ver o jogo com o amigos e nem sequer um prato levantou, e ainda não trocou as lâmpadas do armário, pedido já feito na semana passada. Acordamos a pensar que ela deveria ter ligado há três dias atrás, e anteontem,  e ontem, e hoje de certeza que também não vai ligar. Mas não faz mal, pois quando ligar também não vamos atender! Ai sim sim! 
Acordamos a pensar que depois de amanhã é já fim-de-semana e ainda temos tanto para fazer esta semana. Acordamos a pensar que estamos cansadas desta rotina, e que ainda é preciso ir à lavandaria, ver as meias deles, arranjar os casacos, comprar o presente de aniversário, pagar as contas, cortar o cabelo, pôr gasolina, arranjar empregada, levá-los a casa dos avós, ligar aos avós, e tudo até às 19h.

Depois é hora dos banhos a correr, estar na mesa às 20h em ponto e ao som das 21 badaladas a impor o recolher obrigatório. Tudo ao som do tic-toc daquele relógio nazi dentro da nossa cabeça. Não há tempo para beijos nem histórias, não há tempo a perder, temos mesmo que cumprir a hora imposta, sob o risco de desperdiçar uns minutinhos.

E no meio deste ram-ram que é a nossa vida, chocamos de frente com uma parede de cimento. Uma daquelas paredes implacáveis, gigante e robustamente sólida. Atordoados e sem equilíbrio, fechamos os olhos enquanto que caímos para o lado, e, de uma forma tão límpida e clara, vemos a nossa vida em perspectiva.
É o nosso wake-up call. 

Parem para pensar, parem para sentir, param para respirar. 
Parem para viver. 


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