Há o medo, e há aquele medo.

    

Dantes não tinha medo. 




Depois dos meus filhos terem nascido, logo após o primeiro, senti o medo. Nunca tinha sentido antes. 
Não em refiro ao medo de não saber tratar do bebé, nem ao medo de não ser boa mãe, mas sim ao medo de que lhes poderia acontecer. Ou que algo me poderia acontecer. 

Mas era um medo controlado, embora hipotético e abstracto. Era um medo generalizado e lato, um pouco de tudo, e sobre nada em concreto. Mas mesmo assim grande, e de um certo modo ingénuo (ou ignorante).

Depois, há aquele medo, o  já conhecedor.
O outro medo, o medo já definido e específico, o medo que já advinha resultados e transforma vidas em concreto. O medo que passou do lato e abstracto para o definido e específico. O medo do "e se..,', ou do "ou se..", que se pode mesmo tornar em "foi" ou "assim ficou". O medo real e concreto das probalidades e dos resultados definidos.

Refiro-me ao medo tortuoso de saber exatamente o que poderá acontecer e temer que aconteça. Aquele medo que só pela sua simples e concreta existência nos transforma em seres minúsculos e indefesos, mais pequenos do que pequeninos, mais fracos e frágeis do que julgávamos possível. 

Refiro-me ao medo concreto e específico embora ainda não realizado. Ao medo do perder, que cada vez se torna maior e mais aflitivo. Aquele medo que aumenta a cada segundo que lentamente passa, e que nos deixa no paladar uma entrada amarga, temendo um prato principal azedo, avinagrado e acetoso. 






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