Os filhos são uns chatos

                    
Sim, são fofinhos e riquinhos. Fazem carinhas engraçadas e habilidades amorosas. Têm umas coxinhas gordas que são uma delícia, e uma barriga apetitosa para dar beijinhos. Possuem um cheirinho inconfundível e uma magia transcendente. Sim, são uns amores.

Mas são uns chatos.
Querem muita atenção, toda e constantemente. Depois querem comer, não respeitam a noite como tempo para dormir e descansar e insistem em berrar com fome às tantas da madrugada. Não se calam nem se acomodam. Não fazem cedências. Tem que ser tudo quando querem e como querem. Leitinho à hora certa, não muito quente nem muito frio. Aquela quantidade específica. Mudar a fralda mal se sentem incomodados, não podem aguentar nem mais um minuto. Dormir em horários religiosamente cumpridos, tanto à noite, como também à tarde, quando está um dia ótimo e um sol magnífico. Têm que dormir na caminha deles, no escuro e no silêncio, e nem sequer tentam adormecer noutros locais mais convenientes para os pais.

Adoecem. Adoecem nas alturas mais impróprias e sempre às quinhentas da madrugada. Depois para ficarem melhores tem-se que comprar  toda uma parafernália de equipamentos esquisitos que só iremos utilizar durante uns meses mas que quase requerem um curso para se saber manuseá-los e acertar com as dosagens certas. E como não podem tomar logo medicamentos para curar a tal doença que insistem em ter, temos então que experimentar um longo rol de coisas suaves, não vá o menino dar-se mal e fazer uma reação alérgica rara e problemática.

E choram e berram. Conseguem usar a capacidade máxima dos seus mini pulmões para marcar presença e ocupar espaço na casa e na cabeça dos pais. Choram por isto e por aquilo. Por tudo e por nada. Ganham fôlego para poderem chorar mais e mais alto, e não se incomodam com os vizinhos ou as horas adiantadas da noite. Nem muito menos com o estado de cansaço dos pais.

Querem colo porque sim. Querem colo porque é melhor estar enroscado ao peito da mãe do que estar sozinho deitado na alcofa. Mesmo sendo pesados, e os pais já com contraturas têm que ter colo. Mas não pode ser um colo qualquer, tem que ser o da mãe ou o do pai, em pé, a andar de um lado para o outro, preferencialmente a cantarolar uma melodia do seu agrado.

Querem divertimento. Não ficam sentados só porque sim, a olhar para uma parede branca, ou a contemplar os quadros. Exigem que os pais façam figuras ridículas, que falem com vozes esganiçadas, que atirem com icoisas pelo ar. Querem divertimento à hora do jantar dos pais, quando estes estão com amigos adultos e com uma garrafa aberta de vinho. Querem divertimento quando está a dar aquele filme que os pais queriam ver na televisão, ou quando o programa ideal era mesmo uma sestinha a meio da tarde.

Acordam quando queríamos que dormissem mais. Dormem quando achamos que deveriam estar acordados para podermos fazer a nossa vida sem estarmos fechados em casa. Têm fome em horas impróprias e inoportunas. Depois ainda têm que arrotar, e não têm pressa para o fazer. Passamos as passas do Algarve para que lá venha um tão esperado cocó, e rezamos devotadamente para que não tenham cólicas.

E depois precisam de roupa, nova e macia, variada e quente. Bem tratada e bem lavada. Mantas e babetes, chupetas, e fraldas de pano e descartáveis. Creme para isto e creme para aquilo. Pomada e loção, gel de banho e escova mole, meias e carapins. Não muito estreitos para não apertar demasiado as veias, nem muito largos para não saírem. Toalhas para o banho, lençóis para cama, a alcofa ou outra variante para outra divisão da casa. Paninho para limpar isto, fraldinha para segurar a cabeça, algodão para o rabinho.

Cadeirinhas para viajar, cadeirinhas para comer, cadeirinhas para descansar. Espreguiçadeiras e ginásios, tapetes com atividades e tudo com música e barulho. Intercomunicadores com/sem câmara, desumificadores, esterilizadores, bonecos futuristas que replicam o som intrauterino, melodias de white noise para ajudar a entrar no estado de abstração e permitir que o sono se instale.

São uns egoístas e só pensam neles. Tomam conta da nossa vida, do nosso dinheiro, da nossa atenção, do nosso sono, da nossa casa, e do nosso coração.

E depois ainda meios atarantados e zonzos, pensamos em ter mais um.
Curioso, não é?

(Imagem:pinterest )


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Comentários

  1. Eheheheheh :-)

    É que é mesmo isto!

    Apesar do que a vida muda, apesar das arrelias, isto é tudo um bocado bipolar :-) Mas secalhar é por isso que é tão mas tão bom!!!!!!!!!!!!!!!

    Beijinhos Marta*

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