Criar dá muito trabalho (e é uma chatice!)


Criar e educar é uma grande chatice, e dá muito trabalho!

Ter que estar sempre atenta e a ver o que estão a fazer. Antecipar jogadas e prever resultados. Evitar catástrofes, manipular decisões, fazer benchmark de melhores práticas, importar soluções.

Ter que estar sempre a olhar se não caiem nem se magoam. Prevenir ao mais alto nível o risco de  infecções, limitar o contágio de viroses, pesquisar tratamentos, ser médico e enfermeira, terapeuta e auxiliar, mãe e pessoa, em simultâneo.

Ter que ensinar como se fala, como se escreve e como se pronuncia.
Ter que ensinar a andar e a fazer tudo, mas mesmo tudo.
Ter que estar sempre a dizer o mesmo, especialmente o não, e repetir várias (dezenas?) de vezes.

Ter que ter a certeza que dizem olá, obrigada e por favor, para não corremos o risco de sermos apelidados de mal educados.
Ter que os alimentar sempre e com comida fresca e saudável, variada e em proporções  adequadas aos seus mini metabolismos.

Ter que brincar e ensinar, com carros e livros. De manhã, á tarde e a noite.
Ter que mostrar o mundo e a sociedade em que vivemos. Abrir as portas á civilização e cultivar a destreza para o correcto manuseamento do garfo.
Ter que contar histórias inventadas ou já memorizadas, com finais felizes e moralmente superiores. Incutir o gosto pela leitura e pela arte, pois ninguém gosta de analfabetos, mesmo que sejam bonitinhos e com olhos doces.

Ter que cantar no carro ou no supermercado, enquanto se identifica os biológicos dos macrobióticos.

Ter que comprar roupa nova para cada estação, quente, e do tamanho adequado. E ter que coordenar as peças para que não fique com ar de muito maltrapilha.

Ter que estar sempre a tirar fotografias para mais tarde recordar, com álbuns e mais álbuns, anos após anos, vídeos após vídeos. E ter que desenvolver um sistema de organização mais infalível do que o Dewey decimal system para não correr o risco de sermos catalogados de desinteressados quando nos pedem repetidamente para ver aquela festa de anos, em mil novecentos e troca o passo, naquela casinha pequena, em que aqueles tios ofereceram aquela boneca rosa.

Ter que estar sempre atentos e disponíveis. Sempre prontos a brincar e sempre prontos a corrigir os demais erros que fazem.

Ter que aturar birras e choros, sempre.
Ter que ouvir risos e gargalhadas e perguntas inocentes que desarmam qualquer um.
Ter que ter imaginação para responder as mais caricatas das perguntas, e a robustez mental para explicar de forma prática e simplista as mais controversas teorias da física ou o porquê que as unhas crescem.

Ter que mostrar rigidez e firmeza na hora da cama e esquecer as séries que dão a essa hora.
Ter que ter flexibilidade para saltar e correr, dentro ou fora de casa .
Ter que dar banhos sujos que se apoderam da casa-de-banho.
Ter que aguentar peso pesados abraçados e enroscados ao colo.
Ter que ouvir o panda e amigos, ainda o olho está mal aberto, logo pela manhã até ao escuro da noite.

Ter que rapidamente desenvolver aptidões na área da estética, da psicologia, da dermatologia, da medicina geral, da gastronomia, da limpeza doméstica, de cabeleireira, de designer, de vocalista e ator, de futebolista, de mediação de conflitos, da arquitectura aplicada a legos, automobilista de pesados e ligeiros, de arbitragem, engenheiro de construções multi-colores 


Vendo bem as coisas, precisamos de uma vida para nos preparamos devidamente.

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