Falar à bebé: porque não o deve fazer após os 18 meses?


Com o surgimento das primeiras palavras, por volta dos 12 meses, os pais devem começar a falar corretamente e a usar um vocabulário rico e variado com os filhos. Saiba porquê. Pela Drª Lúcia Magalhães, Terapeuta da Fala.
De
acordo com estudos recentes, as crianças cujos pais conversam menos com elas, têm um pior desempenho em testes de linguagem. É um dado preocupante!
Por outro lado, existe outro dado igualmente preocupante que pode acontecer: as crianças cujos pais conversam muito com elas também podem desenvolver dificuldades ao nível da linguagem. 
Mas como pode isto acontecer? Claro que a quantidade é importante mas, neste caso, estamos a falar de qualidade e não de quantidade.
Como falo com o meu filho? Como devo falar com o meu filho?
Os dois primeiros anos de vida da criança são essenciais à aquisição e ao desenvolvimento da linguagem, devido a um período ótimo de plasticidade cerebral.
Durante este período, é importante que a criança tenha experiências e oportunidades ricas e variadas, contactando comvocabulário que seja igualmente rico e variado, mas também “mais fácil” e apropriado para a criança aprender, tendo em consideração o seu nível de desenvolvimento.
O “baby talk” ou “motherese” corresponde a um padrão de fala utilizado pelo adulto quando interage e conversa com um bebé. 
É uma missão quase impossível falar com um bebé, utilizando um tom de voz grave e monocórdico, sem expressões corporais e faciais. Assim sendo, de forma a obter a atenção e manter o interesse do bebé pelo outro, o adulto utiliza palavras mais simples como “chicha” e “miau”, um tom de voz mais agudo e um ritmo de fala mais lento, melodia, repetição de frases e palavras, assim como expressões corporais e faciais exageradas e apelativas.
Todos estes comportamentos caracterizam o “baby talk” e são importantes ao desenvolvimento da relação, da comunicação, da linguagem e da fala durante o primeiro ano de vida do bebé (Saint-Georges, Chetouani, Cassel, Apicella & Mahdhaoui, 2013):
  • Contribuem para o afeto, a relação e o envolvimento entre o bebé e o adulto
  • Estimulam o desenvolvimento da atenção e da aprendizagem do bebé
  • Facilitam a discriminação de sílabas e de vogais
  • Potenciam a noção de palavra, contribuindo para o processamento da fala
  • Potenciam a aprendizagem das primeiras palavras e frases
No entanto, quando o adulto prolonga e perpetua o uso deste tipo de linguagem na relação com a criança, o “ baby talk” poderá ser prejudicial. Isto acontece quando o adulto mantém o uso de palavras mais simples e/ou utiliza e valoriza as palavras que a criança diz, porque é apelativo, carinhoso ou divertido (ex: “mimi” para “chupeta” ou “bumba” para “água”).
Erika Hoff, psicóloga do desenvolvimento na Florida Atlantic University, refere que “as crianças não podem aprender o que elas não ouvem”. Portanto, a partir dos 18 meses de idade e do segundo ano de vida no máximo, o “ baby talk” deve dar lugar ao uso de um vocabulário correto e diversificado, com frases bem estruturadas e sucessivamente mais complexas.
Se queremos que a criança aprenda a dizer “carro”, temos de lhe dizer e mostrar a palavra “carro” quando virmos um carro a passar na rua, num desenho animado, num livro, quando estivermos a brincar com carrinhos ou a conversar com a criança. 
E se a criança disser “pópó”? Não a reprima nem a penalize por isso. Diga, mostre e repita a palavra “carro”. Evite pedir à criança para repetir a palavra. Dê-lhe tempo. Evite também perguntar repetidamente à criança “o que é isto?”. E quando a criança dizer “ca” em vez de “pópó”, elogiem-na pelo seu esforço em comunicar mais e melhor! Passo a passo, a criança irá conseguir!!!

Drª Lúcia Magalhães, Terapeuta da Fala
Colaboradora Mãe-Me-Quer



fonte: texto  integralmente retirado do site Mãe-me-Quer
foto: pinterest
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Comentários

  1. Eu nunca, mas nunca, falo com eles à bebé. Acho que temos de os educar e ensinar desde sempre a falar correctamente. E quando o meu filho mais velho (5 anos) acha graça a imitar o irmão (2 anos) a falar erradamente e fala com ele à bebé eu corrijo e explico a importância de ser ele a falar como nós e não nós a falar de forma errada. Achava que era por este facto que o meu filho mais velho falava tão bem desde muito, muito pequenino, com muito vocabulário e tudo direitinho, mas o mais novo, exactamente com a mesma educação ao nível da linguagem é um trapalhão!

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    1. O João ta,bem começou a falar tudo muito direitinho e bem pronunciado. Já com o Tomas, quando começou a falar não se percebia nada, era mesmo uma língua só dele. Confesso que como nunca tinha passado por isso, achei esta fase muito gira. Agora já fala quase direito, e já o corrigimos e ensinamos a dizer direito. Beijinhos

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  2. Este tipo de vídeo é bom para os bebes começarem a fazer sons. https://youtu.be/7_tw4Vh1QDY

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