Partilhar a cama dos pais com os filhos. Sim ou não?

​A prática da partilha a cama (co-sleeping) com os filhos é uma questão controversa e que coloca grandes questões e dúvidas aos pais. Como decidir o que fazer

A prática da partilha a cama (co-sleeping) com os filhos é uma questão controversa e que coloca grandes questões e dúvidas aos pais. 
Como em todas as questões, nesta discussão também existem duas faces da mesma moeda. 
Alguns estudos e relatórios afirmam que partilhar a cama com o bebé/criança é benéfico enquanto outros relacionam esta prática com sérios riscos para a saúde infantil.
Como decidir o que fazer?



O que dizem os estudos sobre a partilha da cama
Alguns estudos e relatórios internacionais evidenciam que o risco de morte infantil é bem real quando o bebé/criança partilha o seu espaço de descanso noturno (cama, cadeira, sofá) com um adulto. A Sociedade Americana de Pediatria é uma das entidades que recomenda veemente não partilhar a cama com uma criança, prática aqui definida como dormir na mesma área que a criança sendo uma cadeira, sofá ou cama. 
Segundo um estudo da mesma organização publicado no início de 2014, a partilha da cama é a principal causa da Síndrome de Morte Súbita em crianças entre os 1-12 meses de idade.
Nos EUA, a percentagem de crianças que partilha a cama com os pais, com outro cuidador ou com outra criança mais do que duplicou entre 1993 e 2010, de 6,5% para 13,5%. Subida surpreendente considerando as recomendações e as fortes evidências que apontam para os riscos da partilha da cama com as crianças. (2)
Ainda de acordo com a Sociedade Americana de Pediatria, “A partilha da cama pode potenciar o risco de sobre aquecimento, de reinalação ou obstrução das vias aéreas, de sufocação (com a roupa da cama que acidentalmente pode cobrir a cabeça do bebé ou a quando o adulto rola para cima do bebé) e exposição ao fumo do tabaco.” (2) Tudo apontado como fatores de risco da Síndrome de Morte Súbita do Lactente.
Mas há outros ricos na partilha da cama do adulto como quedas, aprisionamento ou estrangulamento. Os bebés, particularmente com idade inferior a 3 meses, prematuros ou com baixo peso à nascença são considerados o grupo de maior risco. Como as competências motoras são muito limitadas, a possibilidade de reação face a potenciais ameaças está substancialmente reduzida. 
E benefícios da partilha da cama, existem?
Contudo, e face a todos estes dados e evidências, há pais que continuam a partilhar a cama com os filhos. De acordo com vários especialistas, a principal razão que motiva este comportamento é o desejo das mães de prolongar a amamentação. De acordo com o Pediatra William Sears, provavelmente o maior defensor da partilha da cama entre pais e filhos, esta prática favorece a amamentação e o seu prolongamento no tempo.
Para muitas mães amamentar pode torna-se numa batalha. Ter que se levantar várias vezes durante a noite, noite após noite, pode levar à exaustão e ao abandono da amamentação. Partilhar a cama é vista como uma grande vantagem por muitos pais; o bebé não precisa de chorar quando tem fome, pode alimentar-se sempre que desejar e a mãe descansa melhor porque não precisa de se levantar tantas vezes durante a noite e consegue adormecer logo após a refeição.
Contrariando a maioria dos estudos sobre partilha da cama, alguns profissionais de saúde afirmam que a partilha da cama reduz o risco da Síndrome de Morte Súbita do Lactente desde que seja praticada com segurança.
Estudos sugerem que partilhar a cama reforça os laços emocionais entre pais/bebé. O toque e o aconchego transmitem segurança e conforto ao recém-nascido. O bebé precisa da proximidade e do contacto físico dia e noite e, este tipo de ligação, também é uma forma muito íntima de se irem conhecendo mutuamente.
No entanto, a maioria dos profissionais está convencida de que os riscos superam os benefícios:
  • Se o bebé se habituar a dormir na cama dos pais, será muito mais difícil convencê-lo a ir para o seu quarto quando for maior.
  • Ter o seu próprio espaço e rotina fomenta o desenvolvimento da autonomia e da autoconfiança da criança. Partilhar a cama pode originar uma excessiva dependência da presença física dos pais para que se sinta segura.
  • Pais e filhos têm diferentes rotinas e necessidades. A criança que partilha a cama com os pais tem tendência a adotar como sua a rotina do sono dos pais. No entanto, sabe-se que a criança precisa de muito mais horas de sono do que o adulto.
  • Não é seguro praticar a partilha da cama com bebés recém-nascidos ou nos primeiros meses de vida, ou caso seja um prematuro ou nascido com baixo peso.
No entanto, e apesar do grande debate em tornos dos prós e contras da partilha de cama, todos os organismos e profissionais estão de acordo num ponto: a decisão de partilhar ou não a cama com os filhos cabe exclusivamente aos pais.
Criar um ambiente de sono seguro 
O que nunca fazer na hora de deitar o bebé a dormir: (2)
  • Não usar almofadas porque podem aumentar o risco de o bebé sufocar.
  • O bebé deve ser deitado de costas, com os pés a tocar o fundo da cama.
  • Proteger o berço/cama de modo a que o bebé não caia nem fique preso entre o colchão e a parede.
  • Nunca cobrir a cabeça do bebé (a roupa da cama deve ficar ao nível do tronco e bem presa e esticada debaixo do colchão).
  • Nunca deixar o bebé sozinho na cama caso exista o risco de se poder virar numa posição perigosa.
  • Nunca partilhar a cama com um bebé/criança quando se é fumador, se está exausto ou se sob o efeito de drogas ou álcool.



fonte: texto  integralmente retirado do site Mãe-me-Quer
foto: pinterest
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Comentários

  1. Foram raras as vezes que deixei o meu filho dormir na nossa cama. Sempre o quisemos habituar à caminha dele... ás vezes acorda e lá vem ter connosco mas é raro. Mas não critico ninguém...simplesmente para nós é um desconforto tanto para ele como para nós que dormimos completamente tortos sempre com o pensamento que o poderemos magoar de alguma maneira.

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