O toque | O que nos faz e o que pode acontecer.



Desde que eles nasceram que há coisas que me comovem e que me arrepiam. Não me lembro de ser assim antes de ser Mãe, aliás lembro-me da minha Mãe se arrepiar e comover com algumas cenas de filmes e eu só pensava: Mas é um filme. Não é verdade.

Acho que agora tudo, ou muita coisa, me comove. Seja uma história com um final mais triste, fico logo com a lágrima no canto do olho e com o coração apertado. Seja um momento feliz de alguém, vem logo também alegria “emprestada”. Então tudo o que envolva bebés, partos, e finais felizes, é a mistura certa para me comover.

Vou-vos mostrar um vídeo, que me comoveu muito. E que fiquei a pensar nele até hoje, nas palavras e nas imagens daquela Mãe. Já tinha ouvido falar nesta história em específico. Já tinha lido sobre o poder do contacto da pele com pele, e que agora muitas mães optam pelo “baby wearing” como forma de estimular o bebé e ajuda-lo a desenvolver, e achei super interessante quando soube de uns gémeos (amigos nossos) que após terem nascido foram logo postos durante os primeiros dias no mesmo berço. Cada vez mais fala-se da importância do toque, do contacto da pele com pele, e da estimulação sensorial que daí resulta. E cada vez os factos falam mais alto do que as palavras, e os resultados são surpreendentes.


Não haja dúvida que darmos um abraço, o tocar na mão de alguém, fazer uma festinha na cara, dar um beijinho, ou até simplesmente deitar-nos no colo de alguém, que nos transmite segurança e conforto, afeto e amor. Quando o João nasceu, o meu primeiro filho, e que me caiu com uma bomba, pois admito que não estava preparada para saber o que é um bebé pequeno, saber o que precisa, porque chora e tudo o resto que acompanham aquela fase inicial mais atribulada, uma das coisas que adorava fazer com ele, era segura-lo ao meu peito, com o seu ouvido encostado ao meu peito. Ficávamos imenso tempo assim, e gradualmente percebi que apesar de eu fazer isto só por ser bom para mim, porque me deliciava com aquele cheirinho e aquele “ronronrar” de respiração deitada em cima de mim, apercebi-me que a sua respiração ia ficando cada vez mais ao passo da minha, e acabava por ficar com o mesmo ritmo.

Apercebi-me também que era uma maneira de ele se acalmar e ficar menos agitado. Só o facto de ele se sentir encostado a mim, a relembrar aqueles batimentos e sons já seus conhecidos, e sentir o meu calor, ele sozinho já aclamava e adormecia profundamente.
Tenho saudades dessa fase, que na altura passou devagar, mas agora olhando para trás foi a correr. E talvez por isso, por me lembrar tão bem dessa altura, e do que senti, é que me comovi muito com esta história do vídeo.

É um vídeo comprido, mas vale mesmo a pena ver até ao fim. Ensina-nos muito sobre ouvir o nosso instinto e confiar em nós (e ás vezes duvidámos tanto deste nosso instinto maternal…).

Jamie e a sua irmã gémea nasceram prematuramente. Jamie não sobreviveu, e os médicos contaram à Mãe o triste desfecho. Mas a Mãe quis ver o seu bebé, e apesar de todos dizerem o contrário, a Mãe, ouviu o seu coração e o seu instinto, e colocou o bebé junto do seu peito, pele com pele. Ficaram assim horas, apesar das enfermeiras e os médicos dizerem que não valia a pena, e que o bebé estava mesmo a falecer lentamente. Mas a Mãe e o Pai, entre muitas lágrimas abraçavam o bebé, contavam-lhe sobre a sua vida, de quem era, de onde veio, quem estava a sua espera, e como ele era importantíssimo na vida deles. Fizeram festinhas, abraçaram-se, choraram e choraram, rezaram, e sofreram muito, mas o bebé lá ouviu o coração na Mãe, sentiu o seu toque, ouviu a sua voz já conhecida, sentiu o batimento cardíaco da Mãe e começou a ganhar força. Milagre, magia, acto de Deus, ou puro amor, o que é certo é que Jamie hoje já é uma criança que cresceu, que e vive felizes com a família. Saudável.

Não consigo sequer imaginar no que aqueles pais pensaram e sentiram durante as longas horas que estiveram com o Jamie ao peito, sem saber o que iria acontecer, naquele desespero, naquele medo absoluto de essa ser mesma a sua realidade. Agora vou atribuir um significado diferente ao abraço, ao toque, ao riso, ao contacto, ao “colinho” que tanto me pedem, ao banho, a tudo o que envolva um contacto físico próximo.


Vejam o vídeo até ao fim, vale a pena, e dá-nos uma belíssima lição de vida. E partilhem com as vossas amigas, para que elas também fiquem a conhecer esta história e hoje, quando todas chegarmos a casa, dermos “miminhos” extra aos nossos “bebés”.





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