Mononucleose | A doença do beijo



Na Europa, cerca de 70% dos jovens entre os 17 e os 19 anos tiveram contacto com a doença, enquanto que na África Central quase todas as crianças são infetadas até aos 3 anos.


A "doença do beijo" é a designação comum para a mononucleose infeciosa, uma infeção causada pelo vírus Epstein-Barr. É assim conhecida pelo facto de a sua transmissão se fazer essencialmente pela saliva e, mais raramente, por contacto sexual ou transfusão de sangue.

As populações afetadas dividem-se essencialmente em dois grupos: as crianças pequenas, que são frequentemente infetadas pelos pais durante manifestações de afeto ("os miminhos") ou por outras crianças; e os adolescentes, que são infetados quando começam a beijar as namoradas ou os namorados. Quase 90% dos adultos são seropositivos (têm anticorpos específicos) para este vírus, o que significa que um dos "episódios gripais" ao longo da vida não foi mais que mononucleose infeciosa. E, devido ao facto de 10% a 20% dos indivíduos que já tiveram a infeção e que atualmente são saudáveis, eliminarem intermitentemente o vírus pela saliva, não admira que na maioria das vezes não seja possível saber quem o transmitiu.

As condições socioeconómicas são o principal fator que define em que época da vida se contrai esta infeção. Quanto mais desenvolvido é um país, mais tarde as pessoas são infetadas. Na Europa, cerca de 70% dos jovens entre os 17 e os 19 anos tiveram contacto com a doença, enquanto que na África Central quase todas as crianças são infetadas até aos 3 anos.

SintomasO período de incubação, isto é, o tempo que vai desde a infeção até ao início dos sintomas, é de 30 a 50 dias. A tríade clássica é cansaço, faringite (dores de garganta) e aumento generalizado dos gânglios, embora muitas vezes surja também febre, dor de cabeça, dor de barriga, aumento de tamanho do fígado e do baço e mal-estar geral. Em 3% a 15% dos casos podem aparecer manchas vermelhas na pele, mas se a pessoa for medicada erradamente com antibiótico (amoxicilina) para a faringite, esta percentagem aumenta substancialmente (>80%). Nos adolescentes e adultos jovens, a doença apresenta-se desta forma na maioria das vezes, enquanto que nas crianças pequenas a infeção raramente é sintomática, passando muitas vezes despercebida.

DiagnósticoO diagnóstico é feito pelo conjunto de sinais e sintomas típicos, presença de linfócitos atípicos no sangue (um tipo de glóbulo branco modificado pela infeção) e positividade para certos anticorpos. Nem sempre o diagnóstico é possível, pelo facto de a doença se apresentar de forma não característica ou pelos exames laboratoriais não serem conclusivos, especialmente em crianças.

TratamentoNão há tratamento específico para a mononucleose infeciosa. Medidas gerais de suporte, repouso e medicação visando os sintomas são o recomendado. O uso de corticosteroides pode ser benéfico em casos especiais. A prática de desporto, principalmente de contacto e/ou muito extenuante, deve ser proibida até desaparecimento do aumento do baço.

PrognósticoO prognóstico é excelente na maioria das vezes. Os sintomas principais duram tipicamente duas a quatro semanas, seguindo-se uma recuperação gradual. Em muito poucos doentes ocorrem complicações, que compreendem a rutura do baço, a obstrução das vias aéreas superiores, meningite ou encefalite, entre outros.

PrevençãoNão existem vacinas ou medidas específicas para a prevenção desta doença. Os princípios de higiene são o que dispomos atualmente. Os pacientes com história recente da infeção não devem dar sangue.






fonte:Gabriela Marques Pereira, interna complementar de Pediatriado Hospital de Braga via Educare.pt 



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