Viver acima dos 100. Eu não quero.






Ontem fomos a um velório. Estava presente o irmão da pessoa falecida. Já com mais de 100 anos, sim, 100 anos, este Senhor comoveu todos  com a sua postura e as suas lágrimas escondidas. 


Em conversa o João (o meu marido, não o filho - isto de terem os dois o mesmo nome por vezes gera assim umas confusões-), disse que gostaria de chegar aos 100 anos, como aquele Senhor, com com saúde e uma mente sã. Já não era a primeira vez que tinha ouvido isso da parte dele, já quando foi o funeral do cineasta Manuel de Oliveira, com 105 anos e que levou uma vida aparentemente boa e saudável, disse o mesmo.

Faz-me confusão viver assim tantos anos. Mesmo com saúde, faz -me muita confusão. Sempre tive medo do sentimento da perda, da dor, dos desgostos, e uma pessoa que viva assim tantos anos passa obrigatoriamente por dores e desgostos.

Tenho medo de viver até aos 100, 102, 103 anos, embora com saúde, mas ver a desaparecer os meus amigos, a minha família, os mais chegados. Tenho medo de começar a sentir que à minha volta todos desaparecem menos eu. Tenho medo de os perder, e ficar sozinha. Sozinha, com saúde, e com muita idade. 

Dizem que é contra-natura os pais sobreviverem os filhos, e é. No caso de ter 100 anos, os meus filhos teriam 70's e tal, 80's. Como lei da vida, poderia vê-los a sofrer com problemas graves de saúde, com doenças, e infelizmente, poderia perde-los. Sou fraca demais para aguentar isso.

Não sei como se reage à perda grande de todos à nossa volta. Não sei como eu reagiria. Não sei se quero saber. 



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