Quando eles preferem o Pai

Mother kissing little boy

Em conversa com uma amiga, disse-lhe que os meninos são mais da mãe do que do pai. Ela, encolheu os ombros e confessou que o seu ( de 8 anos) era e sempre foi só e só apenas pai. Confessou que chegou a ter medo que estava a fazer algo de mal. Esta sinceridade e coragem em admitir assim algo tão profundo e intimo, tocou-me. Foste bem mais sincera e corajosa do que eu, pensei.


"Todas nós passamos por isso", disse-lhe. E é verdade, pelo menos comigo. Mas nunca tive coragem de admitir em voz alta.

Houve uma altura quando o João era ainda pequeno, que só queria o Pai. Só o Pai lhe podia fazer isto ou aquilo, e eu era esquecida, ignorada. Mas quando estávamos só os 2, morria de amores por mim.  Não percebia porquê, e ás vezes nem sempre pensava de forma tão racional quanto seria de esperar de uma adulta. O que ando a fazer de errado?, pensava eu. O que ando a fazer diferente da maioria das outras mães? 

Olhando para trás, acho que não fiz nada de errado, era apenas uma fase, longa, mas uma fase, e que acabou por passar. Mas foi difícil, pois na altura em não sabia se isto iria passar ou não, se seria definitivo (era o meu grande medo), e acima de tudo, temia mesmo de não conseguir criar aquela ligação forte que todos os filhos têm com as mães.

Houve alturas em que apetecia-me chorar, e  talvez até chorei, sozinha. Não percebia mesmo o que estava a fazer de errado, e como é que havia tantas (mas tantas) mães que proclamavam aos céus como os seus bebés não as largavam, nem para ir à casa-de-banho. Era a única no mundo que estava assim, e era solitário.

Comecei a ler sobre este tema, e ironicamente eram todos de quando o bebé só quer a mãe, e não o pai. Ficava ainda pior e mais convencida que algo que fazia estava mesmo muito errado. Lembro-me de uma vez termos todos ido jantar a casa de uns amigos, já com filhas mais velhas. Uma das miúdas estava muito agarrada ao pai, e alguém comentou isso. A mãe da miúda, com  muita naturalidade disse que sim, mas que não se importava, pois sabia que o seu lugar na vida ( e no coração ) da filha estava sempre marcado. Pensei que talvez eu não tivesse essa certeza. 

Estas fases iam e vinham, apareciam e desapareciam, e assim passou quase 1 ano. Até que ele começou  a ser, na minha óptica "menos bebé", e com mais capacidade de perceber o que lhe dizia. 
Um dia começou com a lenga-lenga de só o pai lhe podia deitar,e  então sentei-me na sua cama e calmamente falamos. Perguntei-lhe se eu dissesse que só queria o pai e não a ele, se ele não ficava triste. Disse que sim. "Eu também fico quando dizes que só queres o pai" respondi-lhe. 

Claro que não acabou aqui, pois a criança continuou a ser uma criança pequena , mas tivemos mais algumas destas "conversas"  sempre que eu achava que ele exagerava ( sim, porque ás vezes era mesmo um exagero). Não sei se ajudou, não sei se ele cresceu, não sei eu fiz algo de diferente, ou eu se mudei. Mas o que é certo é que esta fase foi gradualmente desaparecendo, e cada vez mais tenho o meu eterno protector, e defensor. Hoje, tem uma forte ligação com o Pai, mas uma adoração enorme pela Mãe. 

O que quero dizer, é que às vezes passamos por fases más, e achamos logo que temos uma grande culpa. Ficamos ainda pior quando lemos as histórias cor-de-rosa de outras mães perfeitas com ligações profundas e perfeitas com os filhos. Pensamos que somos más mães e há algo de errado connosco. Pensamos que somos as únicas.

Mas não! Há sempre alguém que já passou pelo mesmo. Pode ser uma corajosa e admitir ( como a minha amiga) ou como eu, que não admitia, mas há sempre alguém que passa pelo mesmo que nós. 



foto: The Single Mom

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Comentários

  1. Obrigada por este post, já não me sinto tão ET, à vezes não consigo suportar os olhares dos familiares que acham tão estranho os meus filhotes terem uma adoração pelo pai, como se eu não estivesse a ser uma boa mãe e por aí fora.

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    1. Tudo passa, a sério... é uma questão de tempo, e paciência. O que aprendi é que mãe é mãe, e isso ninguém
      nos tira!! beijinhos

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