Pé Plano (chato) - feitio ou defeito?

O pé plano flexível ou fisiológico é um achado frequente em lactentes e crianças até aos 2-3 anos de idade. No entanto, para muitos pais constitui uma fonte de preocupação. Cerca de 10% a 15% dos adultos têm o pé plano.O pé da criança apresenta duas arcadas: uma no bordo externo, que desaparece quando o pé está assente no chão, e outra no bordo interno, que se mantém mesmo quando o pé está assente ou durante a marcha. Diz-se que o pé é plano se o arco interno desaparece quando a criança assenta os pés no chão.  Nos primeiros anos de vida, o pé não está ainda completamente formado, a criança tem habitualmente uma pequena almofada de gordura situada na planta do pé, logo por baixo da pele, e os ligamentos ainda se encontram laxos. À medida que o pé se vai desenvolvendo, na maioria das crianças o arco medial mantém a elevação mesmo quando suporta todo o peso da criança, o que acontece por volta dos 6 a 8 anos de idade.  
Assim, uma vez que o pé plano é uma situação muito comum na infância, um pé plano flexível pode ser considerado como uma variante normal em crianças em crescimento e não uma condição patológica. Trata-se, assim, de uma das situações mais inocentes ao longo do crescimento da criança. Num pequeno número de indivíduos o pé plano persiste, podendo tornar-se doloroso na adolescência. Esta situação associa-se frequentemente a obesidade ou a rotação tibial externa (desvio rotacional da tíbia, um dos ossos que constituem a perna).

Na avaliação de uma criança com pé plano, é importante determinar a flexibilidade do pé. O arco medial longitudinal que colapsa quando a criança assenta os pés no chão deve ser restaurado na posição deitada ou sentada e deve haver a sua elevação na posição em bicos de pés.

A criança com pé plano geralmente gasta mais a parte de dentro dos sapatos, mas é muito raro ter dor ou quaisquer outras queixas. Os adultos também podem ter o pé plano sem que tenham quaisquer queixas. A principal desvantagem é a desadaptação dos pés aos sapatos habituais, o que, em cerca de 10-20% dos adultos, pode provocar algumas dores, devido a conflitos entre a forma do pé e o calçado.

Como a arcada plantar interna se vai desenvolvendo espontaneamente até aos 6-8 anos de idade, não está indicada a realização de qualquer tratamento, pois com o tempo o pé irá adquirir a sua forma definitiva. A criança deve ser encorajada a andar descalça ou apenas com meias antiderrapantes. Andar na areia ou sobre terrenos irregulares, pedalar, fazer exercícios de flexão e extensão dos dedos dos pés, sentar à “chinês”, o ballet e o uso de calçado adequado são também boas opções. Manter um peso adequado é essencial para ter pés saudáveis. Os sapatos especiais, as palmilhas, as botas ortopédicas e as talas não provaram ter qualquer eficácia. Contudo, o uso de sapatos especiais pode, em alguns casos, aliviar alguma dor que a criança tenha, mas não vai alterar a forma do pé. Por isso, o calçado para a maioria das crianças deve ser confortável, macio, flexível e não derrapante. Em situações em que seja seguro a criança poderá também andar descalça.

O pé plano só deve ser tratado de forma mais agressiva, nomeadamente com o recurso a cirurgia, se se tratar de um pé plano progressivo, ou rígido, ou provocar dor. Nestas situações, pode estar indicado o tratamento cirúrgico numa fase precoce, dado que a cirurgia é muito simples quando realizada numa criança, e mais complicada se for realizada após os dez anos de idade.

O pé plano é uma situação muito comum, a maior parte das vezes benigna, que está relacionada com o desenvolvimento normal do pé. A maioria dos casos acabam por ter resolução espontânea, habitualmente até aos 6-8 anos de idade. Mesmo nos casos em que não se resolve, se não apresentar queixas nem estiver associado a defeitos ósseos ou ligamentares, não necessita de qualquer tratamento.  



fonte: Carla Garcês, com a colaboração do Dr. Ricardo Maia, Ortopedista do Serviço de Ortopedia do Hospital de Braga via Educare.pt 



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