Crianças e funerais




aqui e aqui tinha contado como correu a minha primeira conversa difícil com o João, cheia de boas intenções, mas que como provou a experiência, poderia ter sido melhor.  A minha avó faleceu em Março do ano passado, tinha ele quase 5 anos. Não o levei ao funeral, na altura nem sequer pusemos isso em hipótese. Consideramos que ele era muito novo para assistir a um desfecho assim, e a ver (me) chorar tanto. Não considero que tenha tomado uma má decisão, dado que ele tinha ainda 4 anos. 
Mas e quando forem maiores?



Ao chegar à idade adulta, a maioria de nós já assistiu a um funeral. Mas como é um funeral para uma criança ou um adolescente que inesperadamente perde um pai, um irmão, um avô ou um amigo? E como é que as crianças se despedem? Do que precisam, e como é que as famílias e os serviços funerários abordam as suas necessidades?
Demasiado frequentemente, os miúdos sentem-se como os “lamentadores esquecidos”. São vistos mas não ouvidos nem se fala com eles num funeral. Frequentemente recebem apenas uma pancadinha na cabeça, ou abraços de adultos que nem sequer conhecem. Muitos adultos ainda se questionam se é uma boa ideia sequer incluir crianças em funerais.
Ao chegar à idade adulta, a maioria de nós já assistiu a um funeral. Mas como é um funeral para uma criança ou um adolescente que inesperadamente perde um pai, um irmão, um avô ou um amigo? E como é que as crianças se despedem? Do que precisam, e como é que as famílias e os serviços funerários abordam as suas necessidades?
Enquanto cada família tem as suas próprias tradições e crenças, e estas desempenham um papel importante num funeral e no planeamento do serviço fúnebre, os pais podem não se aperceber que uma das coisas mais úteis que podem fazer pelos seus filhos durante este período é dar-lhes escolhas.
As crianças apreciam ter escolhas tanto quanto os adultos. Elas têm opiniões e querem ser valorizadas o suficiente para que as possam dar. E não gostam de ser excluídas de nada, nem sequer um funeral. É uma experiência significativa e importante para as crianças terem a oportunidade de se despedir da pessoa que morreu, de uma forma que lhes pareça correta. Dizer adeus nunca é fácil, mas ajuda a dar um sentido de finalidade à morte que é útil no processo de cura.
Ir ou não ir ao funeral
As pessoas questionam-se com frequência a que idade uma criança deve ir a um funeral. A idade não é o fator mais importante. Em termos gerais, as crianças mais pequenas não parecem ter o medo dos mortos ou de cadáveres que os adultos pensam. 
O que funciona bem é convidar as crianças ou adolescentes para o funeral, sem as forçar a tomar uma decisão particular. As crianças que não são autorizadas a ir ao funeral podem sentir que não tiveram a sua oportunidade de se despedir.
Por outro lado, crianças que foram obrigadas a ir ao funeral podem ficar ressentidas. As crianças não devem ser criticadas se não quiserem ir ao funeral. Podem arrepender-se da decisão que tomarem, mas não terão a questão acrescida de não lhes ter sido permitido fazer a sua própria escolha.
Para fazerem uma escolha, as crianças precisas de explicações e de informação acerca do que é um funeral e do que vai acontecer.
Após uma morte, o mundo tal como elas o conhecem muda completamente. Surpresas adicionais e situações estranhas podem complicar o processo de luto. Tal como os adultos, os miúdos gostam de estar informados acerca de quem, o quê, onde, quando e porquê. 
Os miúdos também esperam que sejamos claros, diretos e concretos nas nossas explicações. Os adolescentes também apreciam isto. Eles são especialistas em discernir quando os adultos estão com rodeios. Ao explicar os passos de um funeral a uma criança, o melhor é “dizê-lo tal como é”.
Aspectos típicos de um funeral que podem ser discutidos incluem:
  • Quem… estará no funeral ou no serviço fúnebre?
  • O que… vai acontecer?
  • Onde… terá lugar o serviço?
  • Quando… acontecerá o funeral?
  • Porque… estamos a fazer isto?
O que acontece ou não acontece num funeral pode ser recordado por uma criança para sempre. Os pais e outros cuidadores têm a oportunidade de influenciar a experiência da criança ao incluí-la da única forma que elas mereces e pedem: escolha informada.

Estas lições foram adaptadas do livro “What About The Kids: Understanding Their Needs in Funeral Planning and Services”.
Tradução de documento original em http://www.dougy.org/grief-resources/kids-and-funerals [consultado em 25 de novembro de 2014] por Madalena Pina.

fonte: texto  integralmente retirado do site Mãe-me-Quer
foto: pinterest
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Comentários

  1. Lembro-me de ser muito pequenina e ir a um funeral, já não sei de quem. Não liguei muito mas lembro-me de ver o morto. Não me impressionou. Aos 18 morreu o meu pai. Mesmo muito doente nunca pensei e imaginei que fosse morrer... Afinal os pais deveriam ser super heróis aos olhos dos filhos não é? Foi bastante cruel. E a minha recuperação do trauma demorou bastante.

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    1. Ola Xica, acho que cada caso é um caso, e depende da idade da criança e da proximidade que tinha com o a pessoa falecida. O desaparecimento de um pai, mesmo tendo idade adulta, é e será sempre avassalador. um beijinho

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  2. Infelizmente, há dois anos, uma querida amiga minha morreu e deixou um menino de 5 anos. Na altura falou-se muito se ele deveria ou não ir ao funeral para se despedir da mãe. A opção foi da criança, não quis ir, mas depois arrependeu-se e já era tarde de mais.
    Não é que tenha ficado traumatizado por não ter ido ao funeral ou não ter visto a mãe no caixão, mas ficou com a sensação que podia ter feito mais alguma coisa com/para a mãe e agora já não pode.
    O meu filho gostava muito dessa minha amiga e, saber que o seu amiguinho ficou de um momento para o outro sem mãe, fez cair na realidade e com 4 anos chorava como um desalmado no infantário com medo que eu não voltasse, com medo que eu morresse.
    Foi uma época muito difícil!

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    1. Obrigada pelo seu comentário Telma, imagino que deverá ter sido um momenton difícil.. Um grande beijinho

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  3. Acho que depende muito. Eu não levei o meu filho, na altura com 3 anos feitos há dias, ao funeral do meu avô, mas falei-lhe da morte, expliquei-lhe o que achei que era importante. E ainda hoje, passados quase 3 anos, ele fala do meu avô com imensa ternura... e lembra-se dele e que ele está no céu a olhar por nós em forma de estrela. Não teria ganho nada em ir ao funeral, que ainda por cima seguiu para fora de Lisboa, para o jazigo da família. Falar da morte, sim, ele faz imensas perguntas (já fez mais) e nós respondemos sempre o melhor que achávamos para a idade.

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