Nova vacina contra o meningococo B - sim ou não?





Já abordamos o tema "vacinas", com o Plano Nacional de Vacinação, e ainda o porquê de ser tão importante vacinar as crianças. Mas agora anda aí uma vacina nova, que não faz parte do PNV, mas que protege contra uma doença que tem tanto de terrível como de temível. Muitos de debatem se devemos ou não dar a vacina. Os pais andam com duvidas, uns dizem que sim, outro que não. 

Aqui fica a opinião dos especialistas do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga

O meningococo pode habitar a garganta das pessoas sem provocar qualquer doença - estas pessoas são "portadores saudáveis" e constituem 8% - 20% da nossa população. Assim, é possível ser contagiado sem ter estado em contacto direto com uma pessoa doente, através de gotículas respiratórias dos "portadores saudáveis".

O que é o meningococo B? A bactéria Neisseria meningitidis (também chamada de meningococo) é o agente responsável pela doença meningocócica. O meningococo B é uma das estirpes dessa bactéria. Existem outras estirpes que podem provocar esta doença, como A, a C, a Y e a W135. Na Europa predominam as estirpes B e C.

O meningococo pode habitar a garganta das pessoas sem provocar qualquer doença - estas pessoas são "portadores saudáveis" e constituem 8% - 20% da nossa população. Assim, é possível ser contagiado sem ter estado em contacto direto com uma pessoa doente, através de gotículas respiratórias dos "portadores saudáveis". Através de objetos o contágio é mais difícil, uma vez que este microrganismo sobrevive poucos minutos fora do organismo humano.

O que é a doença meningocócica?
A doença meningocócica é uma infeção bacteriana causada pelo meningococo que se pode apresentar de três formas - meningite (quando o microrganismo atinge as membranas que revestem o cérebro e a espinal medula), meningococemia (quando o microrganismo atinge o sangue) ou meningite com meningococemia - esta última mais comum.

A maioria dos casos de doença meningocócica ocorrem em crianças com menos de 5 anos (com um pico de incidência entre os 2 meses e os 2 anos) e em adolescentes. Ocorrem mais frequentemente no final do Inverno.

A taxa de mortalidade da doença meningocócica situa-se entre os 8% e os 15% e as sequelas ocorrem em até 20% dos casos.

Quais os sintomas da doença meningocócica?
A meningococemia, com ou sem meningite, tem um largo espetro de manifestações e caracteriza-se por surgir subitamente e progredir muito rapidamente, podendo ser fatal poucas horas após o seu início.

A apresentação inicial é semelhante a uma gripe, mas mais forte que o habitual, e consiste em febre de início súbito, náuseas e vómitos, dor de garganta, cefaleia (dor de cabeça) e dores intensas no corpo.

Na maioria dos casos de doença meningocócica há meningite associada, por isso pode também surgir alteração do estado da consciência, manifestada por diminuição na capacidade de concentração, irritabilidade ou sonolência, bem como rigidez da nuca ou "moleirinha" elevada, nas crianças mais pequenas.

À medida que a doença progride, para além de um agravamento galopante do estado geral da criança, surgem sinais mais específicos, como é o caso das petéquias ("pintinhas" vermelhas) e, posteriormente, púrpura fulminante (hemorragias na pele). Estes sinais surgem numa fase já avançada da doença e são indicadores de extrema gravidade.

É uma doença frequente em Portugal?
O relatório mais recente de vigilância de doença meningocócica no nosso país (2011) contabilizou 85 casos de doença meningocócica naquele ano (0,8 casos por cada 100 000 habitantes). Destes, a esmagadora maioria (72%) foi provocada pelo meningococo B.

É possível prevenir esta doença?
O Plano Nacional de Vacinação inclui, desde 2006, uma vacina contra o meningococo C. A vacina contra o meningococo B começou a ser comercializada no nosso país em 2014 e, neste momento, não faz parte do plano nem é comparticipada. Tal como qualquer vacina, a sua administração não garante que a doença nunca venha a surgir. No entanto, está comprovado que as crianças vacinadas ficam com anticorpos contra a bactéria. Sendo uma vacina recente e que não abrange toda a população, ainda não há estudos a longo prazo que nos consigam dizer o quão eficaz é esta vacina na prevenção da doença.

Como funciona esta vacina?
Esta vacina é constituída por quatro proteínas da superfície do meningococo B, criadas em laboratório por tecnologia recombinante. Estas proteínas funcionam como estimulantes (antigénios) para o organismo humano, fazendo com que este produza defesas (anticorpos) contra a bactéria.

A administração da vacina pode causar a doença?
Dada a sua constituição, a possibilidade de contrair a doença ao ser vacinado é nula. No entanto, como acontece com qualquer vacina, podem ocorrer efeitos secundários como dor, tumefação e eritema no local de injeção, febre baixa, irritabilidade, sonolência e, nas crianças mais velhas, mal-estar e cefaleias.

É uma vacina segura?
Há vários estudos que comprovam a segurança desta vacina, por isso pode-se considerar que sim.

Quantas doses são necessárias?

Grupo etárioImunização primáriaIntervalos entre as dosesReforçoTotal
2-5 meses3 dosesNão inferior a 1 mês1 dose entre os 12 e os 23 meses4
6-11 meses2 dosesNão inferior a 2 meses1 dose no 1.º ano de vida (com intervalo de, pelo menos, 2 meses, entre esta e a  imunização primária)3
12-23 meses2 dosesNão inferior a 2 meses1 dose (com intervalo de 12 a 23 meses entre esta e a  imunização primária)3
2-10 anos2 dosesNão inferior a 2 mesesNecessidade não estabelecida2
Adolescentes (> 11 anos) e adultos2 dosesNão inferior a 1 mêsNecessidade não estabelecida2
Fonte – Recomendações sobre vacinas: Actualização 2014 - Comissão de Vacinas da Sociedade de Infeciologia Pediátrica (SIP) e Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) – adaptado. 
Devo vacinar o meu filho?
A doença provocada pelo meningococo B, embora rara, é extremamente grave e apresenta uma elevada taxa de mortalidade. Embora a vacina, tal como qualquer outra, não garanta 100% de proteção é uma importante arma que podemos oferecer às nossas crianças. Assim, é uma vacina que atualmente se recomenda.
 

Fonte: Catarina Magalhães Faria, com a colaboração da Dra. Isabel Cunha e da Dra. Carla Moreira, Pediatras do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga via Educare.pt 

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Comentários

  1. Olá Marta,

    Aqui a uns meses atrás na consulta de rotina do meu filho abordei a médica com esse assunto... E realmente é um pouco complicado decidir se vou querer dar ou não... Ouvi atentamente as explicações dela, adorei, foi excelente a explicar-me e deixou ao meu critério a decisão. Mas as dúvidas são muitas e o facto de não haver estudos comprovados, de a vacina ser muito recente deixa muitas questões no ar... O melhor é mesmo cada pessoa decidir o que será melhor para os seus filhos, traga consequências ou não no futuro... Beijinhos***

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    1. Eu acho que temos que confiar no pediatra que escolhemos, mas tomar uma decisão informada, estudada e educada.
      beijinhos

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