Vacinas | TUDO EXPLICADINHO E BEM EXPLICADINHO! (parte I)


Dúvidas sobre vacinas: tudo o que precisa de saber
A vacinação assume-se como um dos maiores sucessos da saúde pública, constituindo o meio mais eficaz e seguro de proteção contra certas doenças infeciosas.

O que são as vacinas e como funcionam? As vacinas contêm antigénios, ou seja, substâncias derivadas ou quimicamente semelhantes a vírus ou bactérias que provocam doença. Quando presentes no nosso organismo, não desencadeiam doença mas induzem o sistema imunitário a produzir proteínas de proteção (anticorpos) específicos para essas doenças. Assim, desenvolve-se proteção sem manifestação de doença. 
A vacinação assume-se como um dos maiores sucessos da saúde pública, constituindo o meio mais eficaz e seguro de proteção contra certas doenças infeciosas. 

Qual a razão para iniciar a vacinação tão cedo (ao nascimento)?
 
A decisão sobre a altura de vacinar contra uma determinada doença baseia-se na epidemiologia (nas características) da mesma. Na maioria das vezes, estas infeções são mais graves nas crianças pequenas; daí a necessidade de assegurar uma proteção eficaz de forma precoce nas crianças mais pequenas e mais vulneráveis. 

Antes do nascimento, o recém-nascido recebe os anticorpos maternos, que lhe conferem proteção contra muitas das doenças infeciosas alvo das vacinas (na maioria das vezes, as mães são vacinadas). Contudo, os níveis destes anticorpos vão diminuindo ao longo dos primeiros meses de vida e, aos 6 meses de idade, a proteção é mínima. O plano de vacinação assegura que, à medida que os anticorpos maternos vão sendo mais escassos, o lactente vai criando os seus próprios anticorpos através da vacinação. O objetivo é a aquisição de proteção o mais cedo possível. 

Porquê tantas vacinas? Serão realmente necessárias as doses múltiplas? 
Atualmente há 12 vacinas recomendadas pelo PNV (embora o número real de vacinas seja mais abrangente) para prevenir ou minimizar as consequências provocadas por doenças graves. Todavia, existem várias doenças infeciosas e graves para as quais ainda não há vacina disponível. 

A imunidade, ou seja, a capacidade de proteção que se segue a uma dose de algumas das vacinas ou é incompleta ou de curta duração. A administração de várias doses permite amplificar a percentagem de pacientes que desenvolvem anticorpos até atingir o nível de proteção e a duração desta imunidade. Todas as vacinas têm um número mínimo de doses para que sejam eficazes e este esquema deve ser cumprido na altura recomendada. 

A administração de múltiplas vacinas na mesma altura não aumenta o risco de efeitos laterais e não sobrecarrega/enfraquece o sistema imunitário?
 
Não! As crianças são, diariamente, expostas a inúmeras agressões ambientais (ex. alimentares) e o sistema imunitário tem uma grande capacidade de resposta, ou seja, de providenciar a proteção necessária. Os antigénios das vacinas implicam uma ativação de menos de 0,1% do sistema imunitário! 

Há evidência científica de que as vacinas recomendadas são efetivas quer em combinação quer individualmente; e a sua administração múltipla não acarreta um aumento de efeitos laterais. 

Vários estudos comprovam que as crianças vacinadas não têm maior risco de contrair outras infeções (não prevenidas pela vacinação) comparativamente com as não vacinadas. Por outro lado, se não forem vacinadas estão predispostas a desenvolver doença grave e invasiva por esses seres patogénicos. 

Para além do desenvolvimento de proteção eficaz precocemente, a administração múltipla de vacinas é menos traumática para as crianças e permite um menor número de visitas médicas. 

Pode-se atrasar ou omitir alguma vacina ou dose?
 
Não é aconselhado! Este tipo de atitude condicionará um período prolongado de maior vulnerabilidade à doença. As crianças são mais vulneráveis a complicações de doenças nos primeiros anos de vida, altura em que as vacinas determinam uma maior proteção; e algumas vacinas providenciam uma melhor resposta imunitária em certas idades. Por esta razão, os pais/educadores deverão seguir as indicações do PNV e do seu médico assistente relativamente à vacinação. 

Se, atualmente, as doenças alvo das vacinas são raras por que razão é necessário manter a vacinação?
 
Antes da existência das vacinas, muitas crianças morriam na consequência de doenças atualmente prevenidas pela vacinação. Esses seres patogénicos ainda existem, mas agora as crianças estão protegidas e por isso é que estas doenças não se desenvolvem tão frequentemente. Porém, continuam a ser uma ameaça universal importante e a ocorrência de surtos provocados por algumas delas ainda é uma realidade. 

Além da proteção individual, a vacinação acarreta benefícios para toda a comunidade, pois quando a maior parte da população está vacinada interrompe-se a transmissão da doença, protegendo adicionalmente todos os que não podem ser vacinados por razões médicas (ou porque são muito pequenos ou portadores de algumas doenças crónicas) ou porque não desenvolvem resposta à vacinação. 

O tétano é a única doença prevenida com vacinação que apenas confere imunidade individual e não pode ser eliminada da Natureza, por isso é necessária a sua vacinação ao longo de toda a vida. 

É melhor ser naturalmente infetado do que vacinado?
 
Não! As doenças causam sofrimento e, em alguns casos, disfunção permanente ou, mesmo, morte. A vacinação confere proteção para a doença sem experimentar os efeitos adversos da infeção. 

A imunidade obtida com a vacinação oferece proteção para a doença de maneira semelhante à conferida pela imunidade adquirida com a infeção natural, embora possam ser necessárias várias doses para obter o grau de proteção adequado. 

Pode-se ficar doente mesmo estando vacinado?
 
Não é muito frequente, mas pode acontecer. Nenhuma vacina é 100% eficaz; a maioria apresenta uma eficácia de 85-95%. O que é justificado pelo facto de algumas pessoas, por fatores individuais, não desenvolverem imunidade para a doença. Por vezes, a criança é exposta à infeção imediatamente antes da vacinação e irá manifestar a doença uma vez que a vacina ainda não tem tempo de atuar; outras vezes, irá manifestar uma doença semelhante àquela para a qual foi vacinado mas para a qual não adquire proteção (ex. vacina de gripe sazonal). 

Pode-se desenvolver a doença a partir da vacina?
 
É muito raro! Com as vacinas inativas (mortas), tal não é possível. Com as vacinas atenuadas (vivas), algumas crianças podem desenvolver alguns sintomas leves da doença, sem acarretar perigo de vida. 

As vacinas causam perigosos efeitos laterais, nomeadamente morte?
 
Atualmente, as vacinas são muito seguras e bem toleradas. A maioria dos efeitos adversos são temporários e de menor importância como endurecimento no local da injeção e febre moderada - situações que podem ser facilmente controladas. 

Existem contraindicações para a vacinação? 
Sim! São raras as exceções que limitam a utilização das vacinas. 

As verdadeiras contraindicações são: reação alérgica grave a uma dose anterior da vacina ou seus constituintes; nova dose de vacina para tosse convulsa de desenvolvimento de encefalopatia (alteração do sistema nervoso central) nos sete dias seguintes à toma anterior, sem outro motivo conhecido; imunodeficiência grave para as vacinas atenuadas (vivas); gravidez para as vacinas atenuadas (vivas). 

No caso de doença aguda grave, pode-se protelar a vacinação para logo que haja melhoria clínica. 

Em caso de dúvida, consulte o seu médico assistente. Não atrase inadvertidamente a administração da melhor arma disponível para combater as infeções, as vacinas!


Ver aqui tudo sobre o Plano Nacional de Vacinação (vacinas parte II)

foto: pinterest
fonte: Maria Inês Alves, com a colaboração de Isabel Cunha, Pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga. via  Educare.pt, 

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