INCONTINÊNCIA | Quando o riso é o mais forte


A incontinência risória na criança caracteriza-se por uma incapacidade de controlar o esfíncter vesical durante o riso ou uma gargalhada, o que leva a uma perda involuntária de urina
A incontinência risória é uma entidade benigna mas por vezes embaraçosa e socialmente incapacitante! A palavra risória provém do latim rideo, que significa rir-se (Risorius designa um pequeno músculo da face, o músculo risorius de santorini, que, ao contrair-se, repuxa as comissuras labiais causando o riso). A incontinência risória na criança caracteriza-se por uma incapacidade de controlar o esfíncter vesical durante o riso ou uma gargalhada, o que leva a uma perda involuntária de urina. Nestas crianças, o riso induz uma perda miccional aguda e incontrolável, que só termina quando a bexiga está completamente vazia. Umas crianças manifestam estas perdas quando pretendem contrariar ou inibir o riso, mas não durante uma gargalhada desinibida; outras fazem-no na gargalhada vigorosa; algumas quase sempre que se riem. Por vezes a indução de cócegas ou a excitação poderão ser os desencadeantes. 

É um fenómeno frequente na idade escolar, especialmente entre os 5-7 anos de idade, e é mais comum no sexo feminino. A maioria dos casos ocorre de forma fortuita mas pode também estar associado a história familiar. 

A fisiopatologia desta incontinência não está bem definida, mas pensa-se estar relacionada com contrações involuntárias/instabilidade do músculo principal da bexiga – o músculo detrusor. A micção é um ato reflexo estabelecido entre a bexiga e a medula espinal. É controlado por estímulos que partem do sistema nervoso central (tronco cerebral e córtex cerebral) e que controlam o esvaziamento da bexiga. Quando a informação que chega ao cérebro de dor, temperatura e distensão iniciam o reflexo de micção, este pode ser impedido por estímulos inibidores provenientes do cérebro. Se isso não acontecer, os impulsos motores gerados a nível da medula espinal sagrada causam uma poderosa contração do detrusor e o início da micção; mas esta pode ainda ser impedida pela contração voluntária do esfíncter externo e dos músculos do períneo. 

O modo como o riso ativa este reflexo não é ainda completamente compreendido. Nos casos investigados é raro encontrar-se qualquer anomalia subjacente, exceto se existirem outros sintomas associados. Quando é uma manifestação isolada, não se justifica qualquer investigação. O prognóstico é bom, observando-se uma melhoria espontânea progressiva com a idade. 

Embora muitas vezes não se atribua qualquer significado patológico a estes episódios, quando recorrentes podem ser embaraçosos e socialmente incapacitantes, diminuindo a qualidade de vida. Por isso, os pais podem, com pequenas ações, ajudar os seus filhos a lidarem melhor com o problema, mental e fisicamente. 

É importante reforçar a ideia de que este tipo de acidentes está fora do controlo da criança e não é culpa dela. Além disso, existem algumas medidas pró-ativas que podem ser adotadas, nomeadamente: 
– Esvaziar frequentemente a bexiga;
– Evitar as situações desencadeantes; 
– Antecipar a situação com adoção da posição de sentado ou de cócoras (esta postura exerce pressão no períneo, encerrando a uretra, impedindo a incontinência urinária); 
- Praticar exercícios de biofeedback (exercícios da musculatura pélvica). 

O tratamento farmacológico com anticolinérgicos (medicamentos que contrariam a ação das fibras nervosas parassimpáticas que libertam acetilcolina) é controverso. 





foto: pinterest
fonte: Marlene Rodrigues, com colaboração da Dra. Helena Silva, Pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga. via Educare.pt, 

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