A dermatite das fraldas


A dermatite das fraldas é uma dermatose (doença da pele) que se manifesta única ou primariamente na região coberta pelas fraldas e, como tal, só ocorre nos períodos de vida em que a mesma é utilizada.

A dermatite das fraldas engloba vários tipos de patologias, embora a mais frequente seja a dermatite de contato irritativa primária, causada diretamente pela ação irritativa das fraldas.
Embora se desconheça a causa específica da dermatite irritativa primária, podemos considerar que não há um agente responsável único, mas sim um conjunto de diversos fatores com diferentes capacidades irritativas. 

Sabe-se hoje que o primeiro fator consiste na perda da integridade da barreira cutânea por aumento da humidade e temperatura local como resultado da oclusão causada pela fralda, com fricção e maceração contínuas, aliadas à capacidade irritante da urina e das fezes. Assim sendo, há um dano da pele, com perda da função de barreira protetora e por isso maior suscetibilidade ao fenómeno de irritação cutânea. 

Afeta ambos os sexos de igual modo e a sua prevalência máxima ocorre entre os 6 e os 12 meses de idade. Claro está que o risco aumenta três a quatro vezes no caso de uma criança com diarreia. 

Como se apresenta a dermatite das fraldas? Caracteriza-se por uma área de pele com cor avermelhada, brilhante, semelhante a uma queimadura (daí a designação na gíria de "assado"); afeta sobretudo as nádegas, a parte interna das coxas, os genitais e a região mais baixa do abdómen , ou seja, as superfícies que estão mais em contacto com a fralda (parece desenhar um W). Habitualmente o fundo das pregas de pele são poupados. 

Quais as complicações mais frequentes? As complicações mais comuns são as infeciosas , especialmente a sobreinfeção por fungos (Candida Albicans); estes fungos habitam geralmente nas áreas genitais e aproveitam a "porta aberta" da maceração da pele para causarem infeção . Formam-se lesões elevadas, tipo pápulas que se estendem às pregas e à região perianal, sem intervalos de pele sã. Sobreinfeção por bactérias (Staphylococcus Aureus) também pode ocorrer. 

O granuloma glúteo infantil é uma complicação mais rara, associada à utilização de corticoides tópicos fortes na zona da dermatite - formam-se nódulos de cor púrpura com 2-3 cm de diâmetro. 

Cicatrizes ou zonas de hipopigmentação (esbranquiçadas) podem surgir como sequelas de uma dermatite moderada/grave. 

E quanto ao diagnóstico? Baseia-se na colheita da história e na observação clínica. 

Como se trata uma dermatite das fraldas? São fundamentais os cuidados gerais obedecendo à regra primordial de pouca humidade! 

Boa higiene local pressupõe: 1. Mudar a fralda frequentemente; e se possível ficar algumas horas por dia sem fralda. 
2. Manter a utilização das fraldas descartáveis absorventes - é errada a ideia de que as fraldas de pano usadas antigamente são melhores. 
3. Higiene local e banho diário - usar só água ou produtos emolientes dispersíveis na água. 
4. Não são aconselháveis os toalhetes de limpeza (têm perfume e outras substâncias irritativas) 

Para a maceração, pode usar-se um creme de barreira - pasta de água - contendo óxido de zinco (que é cicatrizante e tem também ação antisséptica), em todas as mudas de fralda. Não utilizar pó de talco. Se houver evidência de infeção por Candida Albicans, deve utilizar-se um antifúngico, 3-4 vezes/dia, mantendo o tratamento durante mais algum tempo após o desaparecimento das lesões. Se a inflamação for muito exuberante, um corticoide tópico de baixa potência pode ajudar a reduzir a inflamação. De notar que a absorção dos corticoides tópicos é largamente aumentada pela oclusão causada pela fraldas. Assim o corticoide tem sempre de ser prescrito por um médico. 

No caso de sobreinfeção bacteriana, estará indicada a utilização de um antibiótico tópico, embora estes sejam casos raros. 

Assim sendo, a dermatite irritativa da área das fraldas embora extremamente comum é facilmente evitável se for mantida uma ótima higiene da área da fralda, que deve permanecer seca e limpa. 

Rabinho sequinho é o que tem mais miminho! 




artigo integralmente retirado do site Educare.pt, escrito por Joana Isabel Teixeira, com a colaboração de Augusta Gonçalves, Pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga.





foto: pinterest
fonte: Educare.pt, 


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