Febre | Como baixar a febre



É sempre complicado quando aparecem com febre, ainda para mais quando a febre surge às quinhentas da madrugada e atinge temperaturas altas! E depois, o que fazer quando a febre teima em não descer? Se já demos os medicamentos prescritos e mesmo assim não desce?

A febre e as crianças
Em casa, a abordagem da criança, com febre tem três objetivos principais: reduzir a temperatura corporal (< 38,9 ºC), prevenir a desidratação e vigiar o aparecimento de sinais de gravidade.

Quais os medicamentos que devemos usar?
Os fármacos antipiréticos têm como principal função aliviar o desconforto provocado pela febre, devendo ser utilizados apenas nos casos em que haja uma elevação da temperatura (> 38 ºC) e não profilacticamente.
Os fármacos mais utilizados em pediatria, pela eficácia demonstrada e pelo reduzido número de efeitos colaterais, são o paracetamol e o ibuprofeno. No entanto, é fundamental respeitar as doses recomendadas para o peso e o intervalo mínimo entre cada administração, para evitar potenciais efeitos colaterais como toxicidade hepática e renal (paracetamol), ou a fasceíte necrotizante (infeção bacteriana grave, em crianças com varicela que tomem ibuprofeno). O melhor é usar inicialmente só o paracetamol se se conseguir controlar a febre apenas com este fármaco. O ácido acetilsalicílico está contraindicado em crianças com varicela ou gripe devido à associação com a Síndrome de Reye, uma situação grave com atingimento do fígado e do sistema nervoso central.

E se a febre não desce?
O facto de a temperatura não baixar após a administração de antipiréticos não significa que o fármaco seja ineficaz. Nestes casos, podemos recorrer a medidas físicas para ajudar a baixar a temperatura (não devendo ser utilizadas isoladamente).
  • A criança deve ser colocada num ambiente com uma temperatura de 20-22 ºC
  • Com o mínimo de roupa vestida e afastada de fontes de calor como aquecedores e radiadores. Quanto mais alta for a febre da criança, menos agasalhada deve estar.
  • O banho de água tépida tem maior utilidade nas crianças mais pequenas e consiste na imersão da criança em água 2 a 5 ºC abaixo da temperatura corporal durante 15-20 minutos.
  • Nas crianças mais crescidas, podem utilizar-se esponjas ou compressas.
  • Não se deve utilizar água fria nem gelo, pois isso impede a libertação de calor (vasoconstrição) e pode mesmo levar a um aumento da temperatura corporal (tremores e arrepios).
  • A fricção com álcool está contraindicada devido à toxicidade inerente à absorção cutânea deste tóxico.
Se a febre não lhe causar nenhum transtorno e se sentir bem, não é necessário dar-lhe antipiréticos. Controlar-lhe a temperatura 3-4 vezes por dia, mas sem a acordar se estiver a dormir ou com aspecto relaxado.
Não é necessário o repouso na cama se a criança se sentir bem. As brincadeiras habituais são permitidas, mas o exercício activo deverá ser evitado pois pode aumentar a temperatura.

A febre faz com que o nosso organismo perca água através da pele e dos pulmões. Torna-se por isso fundamental prevenir a desidratação nas crianças. Devemos por isso encorajar as crianças a ingerir bastantes líquidos, de preferência sumos (sem cafeína), canja de galinha ou soluções de reidratação oral. A água pode ser dada, mas não possui eletrólitos ou glicose suficientes para repor as perdas da criança e o chá não deve ser administrado pois estimula a produção de urina (agravando a desidratação).

Após a diminuição da temperatura e a hidratação adequada, os pais poderão mais facilmente avaliar o estado da criança, identificando possíveis sinais de gravidade que possam necessitar de assistência médica.

Quando devo procurar o médico?
Se a criança com febre tiver um bom estado geral, brincar normalmente quando a febre baixa e não tiver outra sintomatologia associada, os pais deverão aguardar 48/72 horas até recorrer ao médico assistente ou ao serviço de urgência, pois poderá tratar-se de uma subida da temperatura autolimitada, ou eventualmente um quadro infecioso sem localização nas primeiras horas, sendo a febre o primeiro sinal. Após a administração de um antipirético (fármaco utilizado para diminuir a temperatura corporal), os pais deverão verificar se a febre cedeu e quanto tempo demora até voltar a subir a temperatura.


  • Os pais deverão contactar o médico assistente ou recorrer a um serviço de urgência para a criança ser observada caso:
  • A febre não ceda à administração do antipirético, se mantenha acima de 40 ºC (e o intervalo entre os picos febris seja cada vez mais curto);
  • A criança em questão tenha menos de 3 meses;
  • Ocorram vómitos mantidos ou uma convulsão;
  • Surjam queixas de dores de cabeça que não desaparecem;
  • Tremores mantidos (calafrios) durante vários minutos na subida da temperatura;
  • A criança apresente dificuldade respiratória, respiração muito rápida ou gemido constante;
  • Lábios/dedos muito roxos na subida da febre (em especial se associados aos calafrios);
  • Apareçam manchas ou pintas na pele; 
  • A criança apresente sede ou outros sinais de desidratação decorrentes de vómitos persistentes ou diarreia (olhos encovados, fralda seca, sonolência, pele seca, etc.);
  • Palidez intensa mantida (cor diferente da cor habitual da criança);
  • Para além da febre, surjam sinais de localização (dor de garganta ou de ouvido, dor ao urinar, irritabilidade, etc.);
  • A criança apresente alterações do estado de consciência, esteja muito prostrada, sempre deitada, não se segurando de pé;
  • Os pais achem que ela está a reagir de forma muito diferente do habitual noutras situações de febre.

Requer atenção pediátrica imediata se:
• Tiver mau aspecto e uma erupção cutânea vermelha-vinosa ou hemorrágica, que pode ser desde pontual e com poucos elementos a múltipla ou com grandes zonas roxas.
Tiver tido a sua primeira convulsão causada pela febre.
• Tiver uma sonolência excessiva, não se aguentar em pé, tiver vómitos abundantes e dores de cabeça intensas juntamente com rigidez ao dobrar a nuca.
• For um lactante e tiver um choro fraco sob a forma de gemido ou se for muito agudo e persistente, apresentando, além disso, a pele pálida ou arroxeada, ou grande prostração.
• Lhe custar respirar ou se queixar continuamente.
• Tiver idade inferior a 3 meses e a sua temperatura rectal for superior a 39°.
• A febre for alta (mais de 39º) e não tiver baixado com tratamento após um intervalo de tempo de 6-12 h.

Requer atenção pediátrica em horas de consulta se
:
• A febre persistir mais de 48 h. sem sintomas associados que apontem para a sua causa, ou se for superior a 40° numa criança com mais de 3 anos, ou se reaparecer após um intervalo de 24-48 h.
• Sentir dor ou ardor ao urinar.
• Tiver antecedentes de convulsões febris.


NÃO É CONVENIENTE
• Envolver a criança em toalhas frias ou submergi-la em água fria.
• Fazer-lhe fricções com álcool ou colónia, já que pode provocar uma intoxicação etílica por inalação e absorção pela pele.
• Forçá-la a comer ou a beber (embora seja bom oferecer-lhe líquidos).
• Dar-lhe antibióticos sem ter consultado o pediatra.
• Agasalhá-la mais, mesmo que esteja constipada.
• Medir-lhe constantemente a temperatura.


nota: este post obviamente não prevalece à opinião médica e especializada, caso considere que deve chamar já o médico, obviamente, deverá o fazer!!

foto: pinterest
fonte: Educare.pt, Dodot.pt, About Kids Health

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