O que dizem os desenhos dos nossos filhos?

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Todos os pais guardam religiosamente as masterpieces que os filhos fazem. Uns guardam em capas organizadas, outros expõem na parede, outros dentro de gavetas e outros até espalham pela casa toda. Mas o que é certo que é todos guardamos, e todos analisamos as obras como verdadeiras relíquias preciosas.
Mas poderá haver mais dito no desenho do que propriamente o desenho em si.
Um estudo publicado pelo Journal of Attachment and Human Development concluiu que os desenhos das crianças são como janelas que mostram como elas veem as suas vidas. Como parte do The Family Life Project, os 962 participantes entre os 6 e 7 anos de idade desenharam as suas famílias. Estes desenhos foram depois comparados com as visitas periódicas que os investigadores faziam a cada casa. Concluíram que se a criança estiver a viver num ambiente de desorganização e caos, tal irá se refletir nos seus desenhos.

“É interessante pois apesar de ainda não conseguirem expressar verbalmente, podemos ver como a criança se vê a si própria, e como se vê no dentro do seio da sua família”, afirma Roger Mills-Koonce, Professore no Department of Human Development and Family Studies da The University of North Carolina (Greensboro, EUA), e um dos investigadores do estudo. Segundo Mills-Koonce “os desenhos expressam mais do que os comportamentos, pois estes já são estudados, aprendidos, e controlados”.

Crianças em ambientes de “ alta performance” retratam todos os seus familiares e conseguem diferencia-los de forma apropriada – os pais são figuras maiores do que as crianças, as crianças maiores do que os bebés, etc etc. Estas crianças desenharam as mãos das figuras abertas e estendidas, como sinal que sentem conforto e apoio das suas famílias. Mais, nos seus desenhos nenhum membro da família esta separado do grupo – podem estar retratados num ambiente de picnic ou em casa, mas estão todos os elementos presentes e juntos.
Quase todos os desenhos deste grupo eram deste género:
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Estes dois exemplos de famílias de “alta performance” não pertencem aos elementos de investigação do estudo. Segundo Mills-Koonce estes desenhos “têm como temas comuns o carinho e a proximidade emocional, pouca tensão e pouca desorganização”.

Num ambiente “disfuncional”, onde as crianças sentem menos o sentimento de segurança nas suas relações com os outros elementos da família, estes têm os seus braços estendidos ao longo do corpo, para baixo, ou a tapar os seus corpos. Expressões faciais ou partes dos corpos podem não estar retratadas ou ignoradas por completo. Nestes desenhos, os investigadores viram muitas figuras desproporcionais em tamanho – um pai pode estar desenhado de forma tao grande que quase que tapa a criança. As crianças podem ter-se colocado a si próprias atras de um outro membro ou objeto, ou ate mesmo colocado um membro da família muito afastado do restante grupo. A distância física pode ser indicativa da distância emocional, ou falta de proximidade e confiança, afirma Mills-Koonce.
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Estes dois exemplos de uma família “disfuncional” não pertencem aos elementos de investigação do estudo. Mills-Koonce afirma que mostram falta de expressão facial, braços estendidos para baixo e posturas corporais mais fechadas, tensão, e separação física.

Esta última categoria de desenhos de forma forma geral indicam que há tensores “independentes” no seio da família, como por exemplo falta de dinheiro, e afetam como a criança interioriza as relações entre a família. Os investigadores verificaram muito do caos do dia-a-dia nestas famílias. Estes ambientes podem estar repletos de objetos e lixo, e muitas coisas eram perdidas, a televisão poderá ter estado sempre ligada, muito barulho alto na zona, os pais pouco preparados para os evento \ tarefas normais decorrentes em qualquer dia (alimentar a criança, dar banho etc). Este tipo de desorganização pode ser problemática para a criança e causar-lhe sentimentos de insegurança, solidão, pouca confiança na família, e tal reflete-se nos desenhos.

Mesmo que as crianças podem não ter experienciado de forma direta os problemas ligados à pobreza e desorganização no lar, sentem-nas através das interações com os seus progenitores. Mills-Koonce afirma que em muitas formas, os pais são os filtros em que o ambiente pode exercer influência nas crianças.
Um desenho pode ser só um desenho e nada mais. Mas se os pais estiverem preocupados com o veem nos desenhos dos seus filhos, recomenda-se que fale com um profissional – terapeuta, professor, pediatra, psicólogo – que poderá mais facilmente identificar situações que necessitam de atenção.
“ Eu nunca digo aos pais para não se preocuparem. Pode ser nada, mas se tiver uma preocupação, a responsabilidade como pais é procurar informação. Nas piores das hipóteses, será apenas tempo perdido, mas ganhou paz de espirito” 
(Mills-Koonce)




Fonte: HuffPost

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