(Era) Bom demais


Ontem referi aqui que estava a chocar alguma coisa pouco boa. Passei  o dia com a cabeça pesada e com o corpo quente e dormente. A garganta inflamada e a voz pouco se ouvia. E ainda para mais cheguei a casa muito mais tarde do que costumo, e eles já tinham jantado. 

Depois de jantar rapidamente, vim para o quarto deitar-me. Eles vieram comigo, pois o João achou solidário da parte dele vir fazer-me companhia, uma vez que eu estava doente. Repetiu várias vezes, não fosse eu também estar incapacitada de ouvir, que quando ele estava doente eu deitava-me ao seu lado e fazia-lhe companhia. 
Deitamos-nos na cama e até me deu o comando da televisão para eu escolher o canal que queria ver. Repetiu umas outras tantas vezes que quando ele estava doente  e deitava-se na minha cama, via na televisão os desenhos que gostava, agora como eu estava doente, poderia ser eu a escolher (os desenhos que mais gostava). 

Pensei que íamos ter um problemas quando lhe disse que queria ver o telejornal, mas para meu espanto, aceitou bastante bem. Voltou a repetir várias vezes que quando ele estava doente, ele escolhia os desenhos, e hoje, escolhia eu, pois estava eu doente. 

Estava a achar tudo bom demais, eles deitados aqui comigo, a ver o telejornal , sem chatices nem barulho. O Tomás entretido com as suas próprias mãos, e o João atento ao irmão. Silêncio pacífico. 
Encostei a cabeça que já latejava, e quase que fechava os olhos. Até poderia jurar que iria adormecer, e estava a saber-me tão bem aquilo tudo.

Até que, sem bem perceber como nem porquê começam aos saltos na cama. 
Salto um, salta o outro. 
Risos e berros, eu a saltar também, a minha cabeça a explodir, eles cada vez mais altos ( tanto em som como em altura), e até já o telejornal berrava na televisão. 

Era bom demais, pensei eu. 


foto: pinterest

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