Tomás e a sua pronação dolorosa



Ontem depois de uma boa manhã e de  um almoço tranquilo, (logo a seguir a termos tirado esta fotografia), com a excitação de sair da cadeirinha e ir ter com o irmão, e sem muito bem perceber porquê, o Tomas começou a chorar muito. Ao princípio ainda atribuímos ao sono, pois já tinha passado bastante da horinha dele, mas rapidamente vimos que era mais do que isso. 

Sentou-se encostado a mim, e sem mexer o braço esquerdo. Pedi-lhe para mostrar com a minha mão onde doía, e sempre que tocava no antebraço gemia e encolhia. E o braço sempre imobilizado, encostado ao corpo. Pensamos logo que tinha deslocado o ombro, mas como não se queixava do ombro ficamos sem saber bem o que se passava. 

Fomos às urgências. 
No entanto, e para nosso espanto, enquanto esperávamos na salinha, ele brincava normalmente com os legos. E até fazia força no tal braço que doía, e já não se queixava. Estranho, pensamos. Alguma coisa era de certeza, pois as reações eram autênticas, mas agora já não se queixava, nem muito menos chorava, e mexia o braço como se não tivesse nada. 

Mesmo assim, resolvemos esperar pela nossa vez, para ter a certeza que não era nada, e que estava tudo bem. A pediatra chamou-nos, e mal entramos disse logo o que achava que poderia ter sido. 

Pronação dolorosa, com redução espontânea.
Nunca tinha ouvido falar de tal coisa.

Muito simpática a pediatra explicou o que era, e que por ele, sozinho, conseguiu "endireitar" sem ajuda. Disse também que era muito comum nas crianças pois como ainda têm os ossos e os ligamentos "tenrinhos" é mais fácil de se deslocarem.

Mas então o que é a pronação dolorosa?

Trata-se de uma lesão bastante comum na criança entre 18 meses e 04 anos de idade. Nesta faixa etária o cotovelo da criança não está ainda bem formado e apresenta muita frouxidão ligamentar.

A pronação dolorosa é uma lesão real e muito comum, formalmente designada por subluxação da cabeça do rádio.
Isto significa que um dos ossos do antebraço, o rádio, fica desalinhado - deslocando-se fora da posição normal -, na articulação do cotovelo. 
Isto faz com que os tecidos moles à volta da articulação fiquem presos na articulação, o que provoca dor, contractura muscular e distensão de ligamentos, o que dificulta os movimentos normais. 

Sinais e sintomas da luxação do cotovelo
Depois de um puxão ou torção súbitos no braço, a criança normalmente solta um grito de dor.
A criança segura o braço pendurado, a balancear, podendo mesmo não utilizar esse braço.
É normal se a criança se sentir aborrecida. Poderá chorar ou queixar-se ao simples movimento do braço. Também poderá ser possível que não chore nem fique aborrecida. Muitas crianças apontam para o pulso quando lhe perguntam aonde dói, apesar de o problema ser na zona do cotovelo.

Qual o tratamento?

Geralmente, a criança não precisa de tirar nenhuma radiografia. O profissional de saúde procurará movimentar-lhe o braço e fazer deslizar o osso e o ligamento para o seu lugar. Isto causará alguma dor à criança, embora normalmente seja um procedimento muito rápido. A maioria das crianças sente um alívio imediato (e a maioria dos médicos gosta de tratar esta lesão porque a solução é muito rápida e eficaz). É normal que persista durante dois a três dias uma sensibilidade especial da zona, especialmente se se demorou algum tempo a tratar corretamente a lesão.

Geralmente, a criança começará a utilizar o braço 15 minutos após o procedimento do médico, embora possa inicialmente estar hesitante. Se a lesão se manteve durante muitas horas, a criança poderá demorar um pouco mais a utilizar o braço normalmente.
Por vezes, o osso poderá voltar ao seu lugar quando o braço da criança é movimentado por acaso, como por exemplo: ao despir uma blusa ou camisola. 

Nota: Não tente por si colocar o osso no seu lugar.

Prevenção da luxação do cotovelo
Evite puxões ou sacudidelas bruscas no braço da criança, como pendurar ou baloiçar a criança pelas mãos ou pelos pulsos. Algumas crianças têm especial tendência para a luxação do cotovelo, embora normalmente essa tendência passe por volta dos cinco anos de idade.

Se já passou uma semana e a dor ainda persiste ou existem, contudo, problemas para mover o braço, marque uma consulta com o médico para que a veja novamente. É possível uma nova ocorrência deste tipo de lesões.

Para as prevenir, nunca levante uma criança agarrando pelo antebraço ou pelo pulso, mas por baixo do braço ou pela cintura. Não deve balançar uma criança com menos de 4 anos suportando todo o seu peso, se a segura apenas pelas mãos. À medida que a articulação do cotovelo se desenvolve, diminui o risco deste tipo de acidentes.


Fonte: About Kids Health

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Comentários

  1. Uma vez na brincadeira com o meu filho eu e o pai puxamos o seu braço os dois ao mesmo tempo e ...ups...
    Fomos para as urgências preocupados, a pensar logo que tinha que levar gesso... Mas a médica com um movimento certo o seu braçinho voltou ao lugar.

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    1. Ola Paula, imagino o susto que apanharam!!! Ainda bem que correu tudo da melhor forma. Eu tambem pensei que teria que levar gesso ....
      um beijinho
      marta

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  2. Já nos aconteceu duas vezes!! A segunda já sabíamos o que era... mas estávamos de férias e fora do país!! mas, correu tudo bem :) férias sempre para sítios com profissionais de saúde...

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  3. Olá Diana, pois pelo que percebi a mesma situação pode repetir-se várias vezes. Também concordo, férias só com bons hospitais!!! Beijinhos

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