Duas perspectivas, o mesmo problema


Fomos até ao parque. Já era tarde, mas os miúdos queriam correr e brincar, saltar e fingir que são piratas. 
Estacionamos o carro e coloquei o telemóvel no bolso de trás das calças.  Com a mão dada ao João e o Tomás ao colo do pai, corremos até ao parque. 
Apercebi-me que não tinha o telemóvel no bolso, e que o mesmo bolso estava rasgado.
Congelei. 
Rapidamente vi a minha vida a andar para trás, todos os contactos, e todas as fotografias e vídeos,as minhas adoradas aplicações, a minha agenda sem a qual não me lembro de nada. O meu rico e querido telemóvel, o meu fiel companheiro, intimo do ipad, estava desaparecido em combate.

Peguei nos miúdos e fomos a correr até ao carro. O pai abriu a porta, procurou por debaixo dos assentos e nada. Nada no passeio, e pensei logo que um carro tivesse o atropelado, matando o meu amigo.
Vi mesmo a minha vida andar para trás.
Já imaginava alguém o ter encontrado, e adeus às minhas fotografias, adeus aos meus vídeos. Adeus ao meu companheiro.

Procurei na relva, por onde tínhamos passado a correr e nada.
Procurei mais lá ao fundo, e nada. Procurei ainda mais ao fundo, por onde não me lembrava ter passado. 
E eis que vi uma coisinha azul a brilhar e nem me queria acreditar. 
Era ele, ali, à minha espera!
Pousado na relva, cabisbaixo e combalido. Quieto, à nossa espera. 

"Que bom mamã! Encontramos!! Estava a ver que tinha que instalar outra vez o jogo no telefone do pai! Que alivio!!!!" 

Sim realmente era uma chatice...
Ufa! Estou mais descansada! 
Já não tenho que instalar novamente o jogo no telemóvel do pai!.


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