Resolução deste novo ano

Voltamos já em força ao novo ano que temos pela frente. Apesar de ser setembro, para mim sempre foi e sempre será, um novo ano, uma altura de recomeço e de revisão. No ano passado escrevi as minhas resoluções para o novo ano que tinha começado, este ano ainda não o fiz. 
Talvez porque o outono ainda não se instalou, talvez porque mantenho o que disse no ano passado, ou talvez só porque sou muito preguiçosa. 



O João passou para os 5 anos, o último do pré escolar. Não tarda nada já estará na primeira classe. Precisa de um estojo, um lápis de carvão e 12 lápis de cores. Já está a ser um homenzinho. 

O Tomás para o ano já vai para o colégio, e deixa de ser o meu bebé pequenino. 

Está-se tornar num ano saudoso e antecipadamente nostálgico, pois sei que passará a correr, e o ano que vem é o inicio de uma etapa ( e o fecho de outra..). 

Das minhas resoluções de setembro ( que afinal é mais outubro), aqui enumero algumas: 

- manter o (re)connect. Amigos, que afinal de conta, são a família que nós escolhemos, e os seus filhos são um pouco nossos, e festejamos em conjunto os seus primeiros passos, ou a primeira palavra, na minha casa ou na tua. Por aqui, temos a sorte de muitos dos nossos amigos mais chegados serem também familiares próximos, o que é muito (muito) bom. Amigos e casa cheia, graúdos e pequenos, conversas pela noite dentro, ou até o pequenote mais resistente deixar, falar, contar, ouvir, e abraçar. Casa cheia, casa vivida.
- Rir e fazer rir.  Porque o riso é contagiante, e liberta endorfinas ( ou uma outra hormonal cujo nome não me recorda mas que faz bem), e está provado que uma gargalhada rejuvenesce. E não é bom ouvir alguém a rir? Não é bom rir por uma coisa pequena, e sem darmos conta  já estamos a rir sem sabermos porquê?
- Elogiar quando é para é para elogiar, ignorar em vez de criticar. 
- Porque acredito mesmo que se estamos bem, fazemos os outros estarem bem, e o contrário também. Estarmos rodeados de pessoas que nos fazem sentir bem é bom e  faz-nos sentir bem, e por consequência iremos fazer os outros sentirem-se bem. É uma pescadinha de rabo na boca, um círculo sem fim.  O oposto também se verifica. Se estivemos com alguém que está de mal com a vida, sempre a reclamar e queixar-se, a sentir-se em baixo, e descontente com tudo, irá fazer com que nós nos sentiremos também mal, e só a vermos os problemas que temos na vida ( e não o lado bom). 
- Ás vezes a vida traz problemas que não contávamos, inesperados, ou até mesmo injustos ( ou não), grandes ou pequenos. E preciso os enfrentar, de frente, cara a cara, mangas arregaçadas, fazer um plano, delinear objectos e não perder o norte. 
- Não ficar completamente obcecada pelos meus filhos. Calma, (não me crucifiquem já!), sou louca por eles, adoro-os mais que tudo, e quero que tenham uma vida recheada só de coisas boas. Mas acho que não podemos (ou pelo menos não posso) andar preocupada com todas as novas correntes e doutrinas, sobre qual o melhor tipo de parentalidade, quais as palavras mais "adequadas" a usar, quais as brincadeiras novas e estimulantes a introduzir, o que dizer e o que fazer. Acho que se seguimos o nosso instinto e bom senso, as coisas correm bem.  Replicar o que tivemos na nossa infância, amar e cuidar. Não acredito que se deva tratar uma criança como um mini adulto, acredito que para se sentirem seguras devem ter rotinas e limites, e devem saber que são crianças. Acredito que se deva elogiar, quando achamos que sim, sem nos preocupar em demasia com a importância das palavras escolhidas. Acredito que devem ter (ou pelo menos tentar ter) boas notas ( a par de serem felizes e brincarem muito), pois são os indicadores mais aproximados que temos para darem aos pais tranquilidade e ( algum) descanso em relação aos seus futuros. Eles estão grandes, bem alimentados, dormem bem (por vezes?), têm bom desenvolvimento, gostam de brincar, são saudáveis, e nota-se a léguas que são felizes. Portanto, estamos a fazer tudo bem, é só continuar e repetir.
- Acredito que os pais devem brincar muito e dar atenção 100% aos filhos, mas não exaustivamente. Não estou a ser má, e adoro brincar com eles e estar com eles, mas acho que eles precisam de saber que há tempo para tudo durante o dia, tempo da mãe, tempo do pai, tempo da mãe com o pai, tempo de brincarem juntos com os pais, tempo de brincarem sozinhos. Nem querendo especular sobre quais os impactos que poderá (ou não) ter no futuro adulto da criança, acho que todos nós precisamos de tempo para nós próprios, e não nos fará um pior pai por isso. 
- No ano passado falei que ia tentar correr. Tentei, e detestei, acho piada aos preparativos, fazer a play list adequada, ver os equipamentos giros que há, descarregar a app,  mas depois o acto em si de correr, perna pós perna, detestei. Prefiro continuar a ir ao ginásio, esforçar-me no ginásio, suar e sentir-me bem lá. 
- Cozinhar. Cada vez gosto mais de cozinha. E tenho um péssimo hábito, o de experimentar novas receitas nas alturas menos adequadas, como jantares especiais ou épocas festivas. Uns correm bem, outras arrependo-me, mas gosto e trazer para a mesa algo novo e feito por mim. Curiosamente o João gosta da cozinha. Talvez é algo próprio da idade ou talvez será algo que lhe acompanhará o resto da vida, mas por enquanto gosto de lhe ensinar a partir um ovo, bater uma massa, rapar uma taça de chocolate. 
- Pintar. Adoro, mas desconfio que ando a arranjar desculpas para não arrancar. O que deve custar é dar o primeiro  passo, e este não sai nem por nada. Mas faz me falta , os mais simpáticos dizem que tenho jeito, e eu gosto de acreditar . Tenho mesmo que arranjar um espaço, e começar. 
-Tempo para namorar. Desde que o João nasceu, até ao Tomás, nós sempre conseguimos fazer uma semana de férias só nós, e ainda um ou outro fim de semana sozinhos. Era bom, e como ele não dormia bem, aliávamos o namoro a umas longas horas de bom sono e era ouro sobre azul. Agora, desde do Tomás, aquela semana só nós é impossível, e as escapadinhas ao fim de semana tem reduzido bastante. Mas, vamos apostar em jantares os dois. E é tão importante sair do ambiente de casa, ver novos sítios, falar sobre coisas novas, (re)descobrir aquela nossa outra pessoa (mais uma vez).
- Descomplicar. Focar no que importa e ignorar os fait-divers.   
- Respirar, contar até três, manter a calma, expirar. Repeat .
- Não esquecer os aniversários. Porque todos nós gostamos de um telefonema no nosso dia. 
- Enviar cartões de Natal. Cartões em papel, com uma fotos nossa ou os da unicef, e enviar para os amigos. (Vai dar uma trabalheira recolher os endereços físicos de todos..).
- Apoiar uma instituição caridade. Através do blog tenho recebido pedidos de ajuda, pertenço a alguns grupos para esse efeito e são inúmeras as vezes que ouço sobre fraudes e esquemas. Bem sei que o justo acaba por pagar pelo pecador, mas prefiro ajudar sabendo que estou mesmo a ajudar verdadeiramente e não serei enganada. Vamos apoiar uma instituição ligada a crianças, é o que mais gosto, e a que sei que mais posso ajudar. 
- Acordar mais cedo ao fim‑de‑semana. Temos dois grupos cá em casa, os madrugadores (João Sr e Jr) e os dorminhocos ( eu e o Tomás). Felizmente o J Sr toma conta da casa de manhã, pega no Jr e vão passear. Ficamos só os dorminhocos. Mesmo que a noite possa ter corrido mal, as manhãs do fim‑de‑semana dão para tentar pôr o sono em dia. Mas faz-se muitas coisas giras de manhã, e não precisa de ser de madrugada. 
- Ter melhor acordar.
- Gozar mais a cidade que vivo, especialmente os programas culturais que acho sempre que devem ser giros mas arranjamos sempre desculpas para não ir. 
- Melhorar a minha cultura e linguagem futebolística. Tenho 3 rapazes em casa, um ainda pequeno, mas que já gosta de chutar a bola, e dois que adoram a bola. Se não melhorar os meus skills nesta área, temo que em breve serei excluída de muita coisa. E afinal de contas, não deve ser muito difícil decorar quem é o guarda-redes ou o treinador pois não? - Ignorar mais o i's. Ignorar o iPhone e o (meu fiel companheiro) iPad. Fazer parar o tempo, e gozar por inteiro um riso, uma dança com eles, uma mão dada. Congelar e parar esse tempo.
- Fazer mais pelos outros, ou pelo menos tentar. E lembrar que não pessoas perfeitas.
- Há sempre duas perspectivas para uma história. E nunca há um teimoso sozinho.
- Arriscar. Vai custar, vai doer, e pode ser que resulte. Arriscar.

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