O bebé e o objeto de conforto

Muitos bebés e crianças adoptam um objecto que lhes acompanhará durante uns anos largos. É o seu objecto de conforto, que lhes transmite segurança e estabilidade. O João encontrou o dele num cão peluche que apelidou de Cuca, depois adoptou outro mais pequeno, deu-lhe o nome de Zara (conforme os originais vivos da avó). Eram as suas grandes amigas durante as noites e nos dias em que estava doente. 
Posteriormente, acolheu mais uma Cuca e mais Zaras, e as avós já tinham os seus peluches em suas casas não fosse um dia o menino esquecer-se e não dormir. Chegamos a um ponto que tínhamos cerca de 15 Cucas e Zaras, grandes e pequenas, com filhos, com trela, mais bonitas ou não, todas escolhidas por ele, e nenhuma esquecida. 

Falamos com o pediatra, e ele assegurou que é da normal uma criança adoptar assim um objecto de conforto, ou neste caso  vários.  Referiu também que com a idade ele iria sentir cada vez menos a necessidade de ter consigo o seu objecto, e ia começar a gradualmente a "descargar-se". Isto já acontece, e muitas são as vezes que já se esquece das Cucas e das Zaras.

Agora o Tomás vê o irmão e também quer. Já tem duas, uma grande e uma pequena. Recentemente fomos ao ikea e confesso que não resisti, trouxe-lhes estas, enormes, mas que fazem as delicias de qualquer criança. 



Mas então, o que é o objecto de conforto e porquê é que eles precisam?
Mãe = Bebé  
Na gravidez o bebé integrou o corpo da sua mãe durante cerca de 9 meses, pelo que quando nasce ele ainda acredita que faz parte da sua mãe, não conseguindo logo perceber-se como um ser único e separado.
Mãe + Bebé
À medida que o bebé evolui no seu desenvolvimento mental, físico e emocional, ele vai começar a sentir que tem o seu próprio corpo (pelos 6 meses), que já não se encontra totalmente protegido dentro do corpo da mãe e que, como tal, pode ser deixado sozinho.

Ansiedade de separação
É nesta fase que se inicia o medo do abandono, também conhecido como ansiedade de separação. Tudo isto é novo e provoca no bebé vários medos e angústias que se podem traduzir em diversas situações como: não querer ficar aos cuidados de outra pessoa, não querer ir para a creche, não querer dormir sozinho no seu quarto, etc. 
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O bebé simplesmente ainda não entende que a mãe pode ir embora momentaneamente, mas que depois volta, e isto provoca-lhe muita ansiedade, pelo que é importante que sempre que a mãe vai deixar o bebé a algum sítio, se despeça dele, explicando que vai voltar em breve.


Objeto de conforto
O objeto de conforto pode ser adoptado como forma de enfrentar esta fase nova e complicada, surgindo como um meio de o bebé se conseguir tranquilizar e confortar em momentos de angústias, medos e inseguranças. Naturalmente, entre os 2 e os 4 anos de idade, a criança encontra outras formas de lidar com o que a assusta e deixa o objeto de conforto.

Em termos práticos e do dia-a-dia os objetos de conforto são realmente uma ajuda para as mãe ou outros cuidadores, principalmente na hora de deitar e dormir sozinho no berço ou no quarto. Estes são uma forma rápida de o bebé conseguir reduzir a sua ansiedade, de relaxar e, mais facilmente, de dormir tranquilo.
No entanto, não é somente o conforto que este objeto proporciona ao bebé, a sua mais valia. O objeto de conforto é algo que não está nem dentro nem fora da criança, e o bebé vai utilizá-lo para ir experimentando várias situações nas quais delimita os seus próprios limites mentais em relação ao externo e ao interno. É como se este objeto estivesse situado numa zona intermédia que lhe permite experimentar o externo sem ter de se angustiar em demasia.


Espaço potencial
A utilização do objeto de conforto marca cada pessoa de uma forma muito particular, criando na mente do adulto um espaço intermédio potencial (como o foi o objeto de conforto na infância) entre o externo e o interno, ficando responsável pelas capacidades criativas e de representação da realidade para si mesmo.
 

Fonte: artigo integralmente retirado do site Mãe-me-Quer
Drª Diana Ferreira Vicente, Psicóloga e Psicoterapeuta
Colaboradora Mãe-Me-Quer 
foto: google +fonte

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