O Marcelo cá de casa


Já ouviram falar do Marcelo? Não sabem quem é?

Durante os últimos meses de gravidez, e penso que até já uns bons 4/5 meses de idade, o Tomás era o Marcelo. 
Nunca tivemos dúvidas do nome que queríamos. 
Desde que soubemos que era um outro menino ficou assente que seria Tomás. Mas havia, porém, uma outra geração, que o chamava Marcelo.
A geração da minha avó, bisavô do Marcelo portanto, e todas as pessoas que ela conhecia (mas desconhecidos para mim), sabiam que vinha aí um Marcelo, e desconheciam um Tomás. 

Porquê, perguntam? 
Por uma questão tão simples. Mnemónica. Ou uma tentativa falhada de "mnemónica". 

A minha avó, para se lembrar do nome deste bisneto, apesar de não gostar particularmente do nome, associou-o ao nome do presidente da sua altura, Américo Tomás, que também não era especialmente do seu agrado. Assim era fácil, pensou. 

Assim será o Tomás, que vem aí. No entanto, por algum motivo que desconhecemos, por algum desvio errado, algum bypass inesperado, num eclipse fulminante de Américo Tomás passou para Marcelo Caetano, e o bisneto (ainda não nascido) para Marcelo.  

Anunciou a todas as suas amigas, conhecidas e não conhecidas, que o seu bisneto Marcelo iria nascer. Anunciou que o João teria um irmão, o Marcelo, que eu ia ter um Marcelo (e não um Tomás). 

Perguntava-me todos os dias como estava o Marcelo, se chorava muito ou pouco. 
- Tomás, avó, Tomás. 
- Pois, Tomás. E o Marcelo já acordou? O Marcelo nasceu há pouco e já dorme a noite toda. 
- Tomás, avó, Tomás.
 - Pois, Tomás. Conta-me, o que o Marcelo tem feito? 

E então, durante uns tempos largos, o Tomás foi Marcelo, sem ninguém perceber porquê.



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