Introdução do leite de vaca



Esta semana foi uma novidade. Estreamos o leite de vaca no biberão do Tomás. Foi imposição a medo, pois tive receio que não gostasse e fizesse uma grande fita, mas dentro do possível correu bem.

O pediatra cá de casa recomenda aguentar o leite em pó o mais tarde possível, e com o João só fizemos a transição bem depois dos 2 anos, mas agora com o Tomás queríamos passar mais cedo.

  
Já come iogurtes desde dos 6-7 meses, portanto à partida a alergia a proteína de vaca era uma probabilidade muito reduzida. Mas mesmo sim, recomendou-me estar atenta a possíveis sintomas de alergia.

Começamos por o leite da Mimosa (crescimento 1-3 anos). 

Lembrem-se que intolerância á lactose é diferente de alergia á proteína de vaca. 

Mas então porque é que devemos ter cuidado ao introduzir o leite?



Como resultado de o aparelho gastrointestinal não estar totalmente desenvolvido, o consumo de leite de vaca por crianças com menos de 12 meses tem sido relacionado como um fator predisponente no aparecimento da alergia às proteínas do leite de vaca. Além disso, a exposição precoce da criança ao leite de vaca aumenta o risco não somente de reacções adversas a este leite, como também de alergias a outros alimentos.

  
Porque é que o meu bebé não pode beber leite de vaca?
 É preciso garantir que o sistema digestivo está preparado.

É preferível para um bebé esperar até ao primeiro aniversário para beber leite de vaca, a fim de garantir que o sistema digestivo está preparado para o processar.

Mesmo nessa altura, será aconselhável introduzir o leite de vaca gradualmente e ver como reage o bebé. "Alguns bebés pequenos não toleram a proteína do leite de vaca, explica a Dra. Donna Daily, pediatra no Monroe Carell Jr. Cildren’s Hospital da Universidade Vanderbilt.

São relativamente raros os casos reais de alergia ao leite de vaca — que acontecem em duas a três crianças em 100, de acordo com a Academia Americana de Pediatria.

O leite de vaca também não é recomendado para bebés pequenos devido ao seu teor nutricional — níveis elevados de alguns nutrientes, como o sódio, e baixos de outros, como o ferro.
"Existem vários motivos pelos quais o leite de vaca pode não ser adequado para o bebé", continua Daily. "Em caso de dúvida sobre quando e se deve experimentar, consulte o seu pediatra."

Porque atrasar a introdução do leite?
Há muitas razões para atrasar a introdução de leite de vaca enquanto o seu filho não completar 12 meses de vida:

Ferro
A introdução de leite de vaca na alimentação de uma criança com menos de 1 ano de idade está associada à anemia por deficiência de ferro. O leite de vaca tem grande quantidade de cálcio e caseína, constituintes que inibem a absorção de ferro o que, conjugado com o baixo conteúdo de ferro do leite de vaca, o torna insuficiente para repor as reservas do organismo essenciais para o crescimento acelerado nesta fase da vida. Para além disto, ocorre perda de sangue intestinal de forma oculta nos lactentes alimentados com leite de vaca, contribuindo assim para o défice de ferro.

Vitaminas e minerais
E não é só a falta de ferro. Crianças alimentadas com leite de vaca não recebem fonte suficiente de cobre, zinco, vitaminas A, C e E, ácido fólico e ácidos gordos essenciais.

Proteínas, sódio e potássio
Por outro lado, recebem carga excessiva de proteínas, sódio e potássio. As proteínas do leite de vaca são mais difíceis para a criança digerir e absorver.
O excesso de proteínas e minerais tem de ser excretado pelo rim, aumentando assim a carga renal. O rim tem de usar mais água para eliminar o excesso, o que pode causar desidratação importante na criança se as perdas não forem repostas.


Sintomas da alergia à proteína do leite de vaca
Diagnosticar alergia às proteínas dos alimentos requer muitas análises por parte dos médicos. A alergia pode ocorrer em mais de um alimento e os sintomas são os mais diversos. Isto torna difícil distinguir se os sintomas são devidos à alergia ao alimento ou a outros problemas. Os sintomas da alergia podem ser classificados em seis tipos:



Geralmente, mais de um sistema do corpo estão envolvidos nas reacções alérgicas. Os sintomas gastrointestinais são os mais comuns. Como pode ser observado, as reacções realmente são muito diversas, dependendo de cada caso. Os sintomas da alergia podem surgir imediatamente ou até várias horas ou dias após a ingestão do alimento.

Tipo 1 – Os sintomas iniciam dentro de 45 minutos da ingestão de pequenas quantidades do alimento, causando principalmente problemas na pele, eczema e urticária. Pode também apresentar problemas respiratórios (nariz escorrendo, chiado etc.) ou gastrointestinais (vómito e diarreia). Estas crianças normalmente têm concentração de IgE elevada.

Tipo 2 – Os sintomas iniciam diversas horas após a ingestão, Apresentando, principalmente, sintomas de vómito e diarreia.
Tipo 3 – Os sintomas aparecem depois de 20 horas, ou até mesmo dias, após a ingestão, incluindo diarreia, com ou sem reacções respiratórias ou na pele.

A alergia que se manifesta rapidamente tende a ser facilmente diagnosticada e é detectada no teste da pele. Por outro lado, a alergia que se manifesta muito depois da ingestão não é facilmente diagnosticada e tende a produzir doenças crónicas que às vezes, não são relacionadas facilmente com sua causa.

O diagnóstico preciso, feito por um profissional, é essencial para que a causa seja determinada.

Tratamento
O tratamento da alergia consiste em retirar da alimentação a proteína causadora da reacção. Em bebés não se pode “experimentar” alimentos substitutos que podem não causar a alergia. O ideal é ir direto para fórmulas que contenham proteínas hidrolizadas recomendada pelo médico. Essas fórmulas têm um custo elevado, mas com grande probabilidade de resolver o problema.

Já em crianças maiores de dois anos, pode-se introduzir alguns alimentos substitutos do leite de vaca, entre os quais o leite de soja.

Existem alguns testes que são realizados para diagnosticar a alergia, como a supressão do alimento - retira-se o leite da alimentação, depois que os sintomas melhorarem reintroduz o alimento e verifica se os sintomas reaparecem. Caso isso aconteça, a alergia está diagnosticada. Há os testes de pele e de sangue.

Se houver necessidade de retirada do leite da alimentação da criança, procure orientação médica e nutricional para que o leite seja substituído por outros alimentos que sejam fonte de cálcio e vitaminas encontrados no leite de vaca.

Mas então e o iogurte?
O iogurte, embora se trate de um alimento obtido a partir do leite de vaca, é bem tolerado pela diminuição do conteúdo em lactose e pela hidrólise parcial das suas proteínas. Recomenda-se a sua utilização a partir dos 10 meses. Atualmente existem no mercado iogurtes com uma composição mais adequada ao lactente, pela que a sua utilização poderá iniciar-se um pouco mais cedo.

Como combater a alergia
 A amamentação exclusiva até os seis meses de vida prepara o bebé para receber os novos alimentos. É o período que o sistema digestivo amadurece e o sistema imunológico recebe os anticorpos da mãe , já produzindo a própria defesa também.

Na impossibilidade de amamentar o seu filho, antes de completar 12 meses de vida, opte por alimentá-lo com leite de fórmula, adaptado às suas necessidades nutricionais. O leite de vaca é completamente desaconselhado antes do primeiro ano de vida.

Ver aqui quais os alimentos com mais lactose.

Fontes :
Sapo crescer
Educare,pt
Guia do bebé
Hospital de Braga
Sebastião Cesar Cardoso Brandão, Engenheiro Químico, Ph.D. Laticínios
Milede Abdo Lacerda Matedi, M
édica Pediatra
Maria das Gra
ças Lacerda Oliveira Cardoso, Econ. Dom., Especialista em Saúde Pública
Foto:pinterest 

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