Fechar os olhos com muita força

aqui tinha falado da importância que os meus avós tiveram na minha vida, especialmente a minha avó paterna. Estes dias foram particularmente difíceis para mim, inesperadamente esperado a minha avó faleceu. Foi inesperado porque por muito que me tivesse preparado antes ( e estava), é sempre difícil, é um choque, e custa muito. É um momento forte, uns dias duros que parecem mais longos do que deviam, um ar pesado, e com muitas lágrimas nos silêncios.


A minha avó foi na nossa vida, minha e dos meus irmãos, a pessoa mais próxima de nós além dos nossos pais. Estava sempre presente, queria estar sempre presente, nos bons momentos e nos maus momentos. E por isso, custou-me muito dizer um "até já", e um sincero e profundo "muito obrigado' e um ultimo beijinho. Na cerimônia tive a oportunidade de dizer que na altura quando era mais nova não me apercebi da sorte que tínhamos em ter uma avó que queria estar a viver o que vivíamos. Hoje, mãe e com filhos, já na casa dos trinta, reconheço que éramos uns felizardos, e quero mesmo que os meus filhos tenham uma avo como eu tive. E um dia, quando tiver uma neta, vou ser a avó que a minha avó foi. 

Estes dias fui mais neta do que mãe. Os meus filhos foram para casa dos avós, que foram mais uma vez incansáveis, e eu pude sentir, respirar, chorar, ter saudades, chorar mais, e despedir-me tranquilamente. Claro que podia ter feito isso tudo com eles, mas sinceramente preferi que estivessem bem entregues, bem cuidados, para poder eu, sozinha , chorar tudo o que tinha a chorar. Fui neta, só neta, voltei às recordações de criança, às memórias enterradas e quase esquecidas, aos pormenores, (re)vivi, (re)senti, e foi mesmo uma altura muito difícil para mim. 

 Por coincidência , a minha sogra contou-me o que o João lhe tinha dito nesse dia a proposito do bisavô do pai dele, o seu trisavô portanto, ( não sei porquê falavam dele, mas referiu--se que ele já não estava cá). Ele perguntou onde estava e a avó respondeu que estava com Jesus. Nisto, a sua inocência (bonita) típica de crianças veio ao de cima, e disse" não faz mal avó, fechamos os olhos com muita força, rezamos muito, e ele volta para nós".


 E é isto que gosto de ficar a pensar e de me agarrar,  no que a inocente sabedoria de uma criança de 4 anos disse, e que me aqueceu o coração. 
Fechamos os olhos com muita força, rezamos, lembramos, sentimos, e regressa para o nosso lado. 
Obrigada a todos que tornaram estes dias um bocadinho melhores. Obrigada pelas mensagens, e pelo carinho.

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