Eu e as horas ( e tudo o resto)





Acho que a pontualidade não foi nem é o meu forte, mas verdade seja dita, faço um esforço. 
Sempre gostei de organização, mas admito que não era muito adepta de ser arrumada (sim, reconheço mãe!!) e deixava as toalhas do banho por arrumar. 

Quando me mudei para a minha casa, tive a imposição de ser eu a arrumada e a organizada da casa. Não por escolha minha, mas era uma realidade inconscientemente imposta pelo marido, pois ele era ainda mais desarrumado e desorganizado do que eu. E, para manter a casa direita, fui obrigada a crescer ( sim mãe, é verdade, e cá estou eu a assumir).
Quando o João nasceu, não era fanática por horários rígidos, mas também não apologista da corrente flexível que eu sei que muitos gostam. Eram o que se pode chamar de uma rigidez flexível, almoço era à uma, mas podia ser ao meio dia e meia ou a uma e meia. Mas também se fosse mais tarde não havia problema, o bebé tomava um iogurte para enganar o estômago  e aguentava mais tempo. O mesmo se aplicava à hora do banho, de jantar, de dormir. Seguíamos horários indicativos, mas dentro do bom senso e normalidade para uma criança pequena. 

Umas das outras novidades que tive que aperfeiçoar foi a questão da organização. Organizar sacos na véspera, almoços e jantares adequados à lactentes e provisões para durar um determinado tempo, gestão e logística de roupas adequadas à estação, conciliar o trabalho com a compra de mercearias e produtos alimentares, gestão da limpeza  da casa, da coordenação de diversas actividades domésticas e de terceiros dentro e e fora de casa, malabarismo entre o ter que trabalhar e manter a casa e família como se estivesse em casa a tempo inteiro. 

Agora com dois, e especialmente com o João já no colégio, vejo que sou maníaca da horas. Horas para chegar a casa e tomar banho. Ter que, quase como lei, ir para a mesa as oito ( ou mais cedo) para ir dormir às nove (em ponto). Quando este meu horário desliza para mais tarde, fico nervosa, e tento que não transpareça ( mas eu sei que transparece). Fico nervosa porque vai ser tudo mais difícil, porque amanhã vai ser mais difícil acordar e ter o João pronto a horas, porque ele vai chegar a ada ainda mais cansado, com fitas  e porque se inicia um ciclo vicioso sem fim. E por vezes posso perder muita coisa boa, momentos de partilha e diversão, espontâneos a acontecer naquela hora. No entanto, e para compensar, no fim‑de‑semana é tudo muito mais fluido. Acoradamos tarde, almoçamos tarde, brincamos pea tarde dentro, sesta mais tarde, jantar tardio. E sabe bem não ter horas. 


Já com a organização dou por mim a deixar o pequeno-almoço preparado na véspera, a colocar  as roupas já escolhidas na cadeira, a fazer tabelas com a medicação nova para a tosse, a fazer listas das roupas de casa e colocar em cada armário /gaveta, a organizar metodicamente a roupa que ainda serve e guardar em caixas identificadas as que não serve, por idades. Caixas para sapatos de verão, caixas para cachecóis, caixas para os desenhos deles, cestas para as escolhas, para o secador, para os cremes (sim, meus e deles), papel higiênico, artigos de festa, para a roupa suja e a roupa que precisa ser passada (nos quartos ou casa de banho), cestas paras as babacas e cebolas e temperos da cozinha, ( e tantas outras que já nem me lembro). 
Organizar um fim‑de‑semana fora com muita antecedência, fazer malas e mailnhas antes do tempo, comprar fraldas e toalhitas em quantidade para não faltar (durante a noite, o meu pesadelo), a rever a cesta dos medicamentos para saber o que falta e deitar fora o que acabou etc etc. Por ultimo, a minha odisseia, mas ingloriosa, foi arrumar por caixas os diferentes tipos de brinquedos, uma para legos, outra para carros (etc), o mesmo com os DVD das crianças, e com a mini biblioteca do João. Ingloriosa porque eles ao brincarem  gostam de tirar tudo de dentro, espalhar pelo quarto fora e arrumam aleatoriamente.

Ao reler, vejo que também tenho a mania da organização, e uma certa adoração por cestas e caixas. 

Reparei por alguns comentários que recebi, que talvez tenha dado a entender que cá por casa andamos em regime militar com as horas. Não, há flexibilidade, e muitas vezes não consigo cumprir os timings que queria. O que leva ao jantar mais tarde, a ver desenhos mais tarde, e a hora de dormir mais tarde. Não há mal, ninguém morre por isso, mas prefiro que se deite mais cedo. Se há um horário que tento mesmo que seja cumprido é o de deitar às nove. Gosto que se deite cedo, dorme tudo o que precisa de dormir, acorda por ele e bem disposto e tudo parece mais fácil. 

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