Swaddle – Sim ou Não?



O swaddle (ou o enfaixar do bebé), é um costume antigo que perdeu força durante o século XVII . Voltou a aparecer no inicio do século mas devido a problemas de saúde e desenvolvimento dos bebés registados naquela altura foi iniciado uma campanha de reeducação e alerta para as mães por parte dos Hospitais Britânicos e deixou de ser usada. No entanto, inexplicavelmente, a moda está de volta, com a venda extraordinária de artigos para swaddling acompanhada de diversos estudos onde se evidenciam as consequências problemáticas para o desenvolvimento do bebé. 



Mas afinal o que é o Swaddle?
Swaddle consiste em envolver\ enfaixar os bebés em mantas grandes ou lençóis, de forma ligeiramente apertada, para que os seus membros não se mexam, deixando apenas a cabeça de fora.


Como fazer o swaddle

Para fazer o swaddle da maneira indicada, dê uma olhada neste vídeo retirado da
International Hip Displasia Institute   onde ensina a maneira correcta de enfaixar o bebé, e também mostra os problemas associados à má pratica do swaddle.


Benefícios do swaddle
Para os que conhecem e praticam (no estrangeiro é muito frequente enfaixar o bebé durante os períodos de descanso, especialmente nos berçários), o swaddle ajuda o bebé a aclamar e a descansar melhor.

Ao envolver o bebé na manta, de forma não muto leve nem não muito apertada, estamos a transmitir ao bebé a sensação de segurança e tranquilidade, quase se recriando os seus momentos dentro da barriga da mãe.
Dizem também que ajuda com os problemas das cólicas e não deixa que o bebé se assuste com os seus próprios reflexos, acalmando-os assim e permitindo um sono mais longo e tranquilo.

Problemas com o swaddle
Recentemente com o nascimento do Prince George, em que  apareceu ao colo dos pais enrolado numa manta, voltou a surgir a polémica contra o swaddle.
Especialistas em ortopedia evidenciam o facto de que o swaddling pode levar a futuras anomalias no desenvolvimento da anca, como também pode levar a morte súbita.
Ao enrolar o bebé, mantendo as suas pernas direitas e esticadas, e com a manta bastante apertada, não está a dar o espaço suficiente para o bebé conseguir movimentar as pernas, nem as rodar na anca. O que pode acontecer é que com o crescimento, os seus ligamentos fiquem rígidos e danifica a cartilagem da anca, levando assim à displasia da anca
A displasia da anca é relativamente frequente nos recém-nascidos e caso seja confirmada cedo as hipóteses de ser bem tratado são bastante altas. A displasia da anca é mais frequente nos casos de historial familiar, problemas na altura do parto ou nas meninas do que em meninos.
Para prevenir displasia da anca quando coloca o swaddle no bebé, verifique que tenha bastante espaço em baixo na zona das pernas, para que o bebé consiga dobrar as pernas para cima e para os lados do corpo.

Curiosidades sobre o swaddling
O professor Nicholas Clarke, do hospital da Universidade de Southampton, declarou no jornal Archives of Disease in Childhood que um em cada cinco bebés nasce com uma anomalia de anca. E se a mesma é resolvida com a idade, a prática de swaddling prejudica o processo de cura. “Uma alta incidência de deslocações de anca foi reportada nos índios Navajo que amarravam os seus bebés a uma tábua”, escreveu Clarke. “No Japão, um programa educacional dirigido a avós foi realizado para prevenir o swaddling tradicional”, exemplica, antes de referir a redução drástica de problemas na anca que daí adveio.

Clarke revelou ainda que nove em cada dez bebés nos EUA são submetidos a esta prática nos primeiros seis meses de vida. E que a venda de roupa para realizar o enfaixamento cresceu 61% entre 2010 e 2011 no Reino Unido. Perante esta realidade, o investigador alerta: “A fim de permitir o desenvolvimento saudável da anca, as pernas devem ser capazes de se dobrar para cima e para fora sobre as ancas. Esta mobilidade permite o desenvolvimento natural das articulações”.
Outros especialistas, como Andreas Roposch, cirurgião ortopédico assistente no hospital Great Ormond Street (em Londres), são da opinião de que o “swaddling não devia ser uma prática aplicada porque não traz nenhum benefício de saúde mas sim, riscos de consequências adversas”. E Alastair Sutcliffe, do Institute of Child Health, centro de investigação em saúde da criança no Reino Unido, fala da relação directa entre esta prática e problemas de anca. Sutcliffe deixa por isso um conselho aos pais: “Se um bebé precisa de ser enfaixado para dormir, recomendo que os pais o façam de uma forma não apertada, especialmente à volta das ancas”. Jane Munro, do Royal College of Midwives, uma organização profissional de parteira no Reino Unido, contribui para este estudo afirmando que existe ainda o risco de o bebé sofrer um sobreaquecimento e uma elevação do risco de morte súbita
 (fonte: Publico Outubro 2013)

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