Dr Google e outros doutores

                                        
Hoje em dia o acesso à informação além de ser tão global é sem dúvida igualmente fácil. Podemos saber tudo, sobre tudo, num ápice, e sem sair de casa.
No entanto, para os comuns dos mortais e para os leigos nestes assuntos de medicina e saúde, é sem dúvida um malefício e não uma benesse como nós acreditamos que seja.



Os médicos estudam praticamente a sua vida toda, vêm doentes atrás de doentes, casos novos, casos típicos, raros , universais. Estudaram anos a fio para saberem identificar uma tosse, uma tosse com expectoração , uma infecção respiratória, uma virose, ou algo mais complicado. E quando não têm a certeza vão pesquisar nos seus livros gordos de páginas finíssimas e letras pequeninas, com termos esquisitos que nem sabemos bem pronunciar. Ou então, até perguntam a outros colegas seus, que também passaram a vida a estudar, com a cabeça enterrada em livros, mas que optaram por outra especialidade clinica.

Na consulta ouvem o doente e fazem perguntas pertinentes que ajudam a identificar sintomas e causas. Por vezes relatam tudo detalhadamente ao doente, outras vezes só dão as linhas gerais do quadro  do paciente, omitindo assim algumas indicações essenciais que o levaram a prescrever tais tratamentos e medicamentos.

Então, porque vamos nós no fim da consulta conferir tudo no Google ou pedir opiniões a amigas (pessoais ou virtuais)? Relatamos tudo o que se passou na consulta, indicamos os sintomas, e esquecemos de mencionar observações importantes feitas pelo médico, e perguntamos a amigas que conhecemos (ou não) se acham que estarmos a ser bem medicadas? Ou se os nossos filhos (pelos quais fazemos de tudo para estarem bem de saúde) se estão bem medicados, ou até mesmo se acrescentariam algum medicamento?
E depois , essas mães ( também ela preocupadas, sem dúvida, e também elas já com muita experiência em lidar com a saúde dos seus próprios filhos) dão a sua sentença, a favor ou contra do médico especialista.

Mães preocupadas, sim,amigas também, mas que não sabem o historial clínico do doente em causa, não sabem se tem determinada alergia a algo e daí ter receitado medicamento x em do z, não sabem se já fez reacção a determinado medicamento, se já foi operado, se está à espera de ser operado, se toma outros medicamentos diariamente e que podem interferir com os receitados, não sabem se tem doenças congênitas, se reage mal com antibiótico y, enfim, as hipóteses são inúmeras.

Um bom exemplo (real) é o dois rapazes, da mesma idade, com os mesmos sintomas, e foram a dois médicos diferentes. O primeiro rapaz foi receitado determinado medicamento e em três dias ficou melhor. A mãe do segundo rapaz, preocupada pois o filho não melhora vai a um grupo de facebook falar com outras mães a pedir opinião. Relatou tudo o que se tinha passado, sintomas, medicação, e que o filho ainda não estava bem. A mãe do primeiro rapaz comentou que tinha tido  a mesma coisa, e que com estes medicamentos o seu filho tinha melhorado em dois dias. A mãe do segundo rapaz, comprou os medicamentos receitados pela sua nova amiga e deu ao filho. Passado umas horas, o filho começa a sentir mal e a vomitar continuamente. Desesperada a mãe vai a correr para as urgências e conta tudo o que passou, da primeira consulta com o médico e da segunda "consulta" com a amiga virtual. Após as análises os médicos viram logo que o rapaz era alérgico ao principio activo de um destes novos medicamentos.  A mãe confirmou a alergia mas não sabia que os medicamentos tinham tal principio activo.
Não sabia a mãe, tal como não sabia da alergia a amiga virtual que com a maior das boas vontades tentou ajudar uma mãe preocupada.

Escusado será dizer devemos tentar não ceder à tentação  de fazermos mais auto-pesquisa e auto-medicação, e por muito preocupadas que estejamos devemos confiar nós médicos que escolhemos, e se o tratamento indicado não estiver a funcionar como queremos então em vez de recorrer à net para ajuda, podemos sempre recorrer a outro médico, ouvir uma segunda (terceira, quarta, etc) opinião de pessoas qualificadas, que sabem olhar para os resultados de análises ou raio-xs e realmente perceber o que passa, e como tratar.

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