A minha grande responsabilidade

É a minha primeira vez a ser mãe, mãe de um menino que está a formar personalidade.
Ser mãe de bebés é mais fácil, temos que ter cuidado para que se sintam seguros, saudáveis, alimentados, quentes, e de os pôr a dormir sempre que têm sono. É uma grande responsabilidade, sem dúvida,  que automaticamente nos alerta de estamos a fazer bem ou mal , pois se nos esquecermos de dar de comer, o bebé chora com fome , ou sono, ou frio etc. Somos avaliados na hora e temos sempre tempo de corrigir os nosso erros. Tal como na escola ou na faculdade, temos exames de x em x tempo que nos orientam se estamos a estudar bem ou mal, a avaliação é a curto prazo e há sempre o semestre a seguir para tentar recuperar ou subir notas.

A questão com que me tenho deparado ultimamente, devido a tragédia e infelicidade ocorrida no Meco em dezembro passado, e para qual não sei mesmo como responder, é como educar e formar um filho com a capacidade de não ceder a pressões.



Como é que consigo formar a personalidade dos meus filhos para que sejam seguros de si próprios e igualmente fortes ao ponto de conseguirem não ceder a pressões externas, de se sentirem confiantes para dizerem não quando a situação assim o exigir, e de terem a capacidade de confiarem na vozinha interior que lhes diz para não fazerem determinada coisa.

Não me refiro à praxe em específico, se bem que não sou completamente a favor, mas falo sim de questões mais amplas e abrangentes, como dizer não às drogas, dizer não a escolhas duvidosas de supostos momentos de diversão, de ser capaz de não fazer desvios na sua adolescência e posteriormente depois na sua vida de adulto.

Educar e formar uma criança com as ferramentas necessárias para que evite ( e não faça ) más  escolhas, ou escolhas que o irão fazer arrepender-se mais tarde é , a meu ver, uma tarefa para além de difícil e para a qual só seremos "avaliados" muitos anos depois, e sem possibilidade de corrigir erros e falhas.  Temos que fazer um bom trabalho agora e todos os dias para poder ver os resultados daqui a muitos anos.

A net e os blogs (este inclusive) estão recheados de textos em como educar crianças felizes, como saber se as nossas crianças são mesmo felizes, como perceber melhor as suas idades e as suas fases, como tentar lidar com essas mesmas fases e até pequenos truques para dar a volta as crianças. Se pesquisamos mais fundo ainda encontraremos textos em que descrevem quais os princípios e valores morais que se pretende transmitir, como ensinar o certo do errado, fomentar a bondade e a caridade nas crianças etc etc, mas nada em como avaliar se o que tentámos ensinar (e formar) é realmente o que estamos a conseguir alcançar, e se temos uma filho seguro e confiante em si próprio.

Dedico ( tal como todos os outros pais, e os meus também) a minha vida toda a educar e criar os meus filhos da melhor maneira possível, fazendo e dando o melhor que sei, aprendendo todos os dias com os meus erros, para que eles possam vir a ser adultos responsáveis e íntegros, formando famílias felizes, com futuros promissores. Mas e se isso não acontecer, será a culpa nossa? E se um dos meus filhos optar por caminhos sinuosos, amigos duvidosos, e situações de conflitos, teremos nós os pais culpa no cartório? Onde teremos falhado? O que é nos escapou ou foi ignorado?

Não falo de outros pais, não crítico nem julgo outros pais que tal como eu sempre quiseram o melhor para os seus filhos, refiro-me a mim, à minha responsabilidade como mãe. Sinto a responsabilidade avassaladora e pesada de formar duas crianças em dois adultos fortes e seguros. E caso não consiga fazer isso, conhecendo-me como conheço, sentirei que o erro foi todo meu ( e do pai).

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Comentários

  1. Olá Marta,
    Tantas e tantas vezes penso exactamente a mesma coisa. Revejo os meus pais que fizeram um excelente trabalho, criaram duas filhas e ambas com grande personalidade, porque soubemos sempre dizer não. Crescemos longe de conflitos, não nos envolvemos com más companhias e não sucumbimos aos engodos dos maus caminhos. E eles existiram, também nos rondaram e aliciaram. Com 18 anos disse não às minhas praxes (sempre fui contra), mas tive que contornar para não sofrer represálias, menti e disse que não era caloira era repetente... com 7 anos disse não ao vizinho de 12 anos que quis ir brincar sozinho comigo para dentro da carrinha do avô depois de um dia, em que estávamos a ver televisão, ter posto a mão em cima da minha perna... disse não todas as vezes que tinha que ir a pé para casa quando perdia o autocarro da escola e alguém conhecido passava e oferecia boleia, mentia e dizia que a minha mãe já estava a caminho... e tantas e tantas outras situações potencialmente perigosas (ou até não, nunca saberei) que consegui dizer não.

    Não sei exactamente se foi influência dos meus pais ou se foi de nós, mas lembro-me perfeitamente de todas as conversas que a minha mãe tinha connosco, principalmente a rapazes mais velhos e em relação às boleias, ela dizia nunca, nunca! Nem que seja alguém que vocês conhecem, nem que seja esta ou aquela pessoa. Era muito nova e às vezes não entendia muito bem, mas sempre confiámos muito na minha mãe, sempre nos deu a sensação de pessoa sábia e equilibrada. Nunca nos prendeu em casa ou proibiu do que quer que fosse, e saíamos atoladas em conselhos, recomendações e com um forte sentido de responsabilidade pelos nossos actos. Estávamos por nossa conta mas tínhamos que ser merecedoras dessa confiança, só havia uma oportunidade.

    Podia não ter resultado, como é obvio, podíamos sempre ter descarrilado, mas estou convicta que uma união familiar forte e cheia de ensinamentos são os alicerces fundamentais ao desenvolvimento da personalidade.

    Desculpa este comentário enorme, mas este tema toca-me particularmente. Sou mãe de um rapaz de ano e meio e tenho uma menina a nascer em breve. Partilho todos os teus receios e por saber os perigos a que estive exposta durante a minha juventude, e por saber tudo o que vi em relação a outros adolescentes, fico assustada e tento sempre recordar os meus pais e a forma como eles nos encaminharam. Não sei se é a receita, mas concerteza é uma bitola.

    Bjs e parabéns por todos os textos.

    STC

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    Respostas
    1. Olá Susana , muito obrigada pela partilh!!!!
      Também concordo contigo e.m relação a ter um ambiente familiar unido e coeso. O diálogo aberto, sincero e transparente, também sem dúvida ajuda, e claro estar sempre atentos a eles, a como se sentem, o que dizem ( e o que não dizem), os amigos, etc etc. É na verdade uma coisa que me preocupa, pois sinto uma grande responsabilidade .
      Tento cá em casa copiar o que os meus pais faziam, as pequenas rotinas, conversas, momentos, e sei que o meu marido também traz consigo a sua infância.
      Estarmos atentas e conhecermos o mundo dos nossos meninos é muito mas muito importante.
      Um grande beijinho para si, para os seus dois meninos e para a princesa que vem aí.
      Beijinhos Marta

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