Os ciúmes silenciosos

O João e o Tomás fazem diferença de idade de pouco mais de 3 anos, e agora com o Tomás já com um ano, quase a andar, a querer brincar e a marcar a sua personalidade, os dois irmãos estão a interagir mais. Sei que não tarda nada estão os dois a correm-me pela casa e a passarem tardes um com o outro a brincar. 

Não senti que o João tivesse tido muitos ciúmes do bebé pequenino que só comia e dormia. Não senti que tivesse tido grandes ciúmes quando o irmão começou a palrar e a querer sempre o colo da mãe, nem quando se apercebeu dormia no quarto dos pais. 
Às vezes vinha uma outra birra derivada de ciúmes, mas nada de extraordinário. 

Agora, com o Tomás já quase quase a andar sozinho, e a dizer algumas palavras e a fazer muitas habilidades novas, noto que há alturas em que o João fica calado a olhar e depois afasta-se sozinho para outro canto da casa. São os ciúmes silenciosos. 

Ele afasta-se calado e sozinho e vai para o seu quarto. Não diz nada. Não chora, não se zanga, apenas se retira do local. Vou imediatamente atrás dele, e tento-o animar mas sei que ficou tristonho. Ás vezes retira-se tão sorrateiramente que ninguém dá conta e quando me apercebo lá está a brincar sozinho com os comboios no quarto. 

Não quero que se sinta triste ou posto de parte, mas também quero que se adapte e que consiga ouvir um elogio dado ao irmão. 

Ontem houve uma situação que quase me partiu o coração. Estava o João a brincar na sala e Tomás acordou . Fui ao quarto buscá-lo e enquanto mudava a fralda brinquei com ele. Cócegas e beijinhos na barriguinha e ele ria-se imenso.  E ria-se alto. O João chegou á porta do quarto e ficou calado a ver. Mal vi que estava lá chamei-o para vire brincar conosco. Chamei e insisti várias vezes. Ficou calado na porta, deu meia volta e foi para o seu quarto. Calado. 

Tem que se habituar, as atenções são divididas, mas o carinho é igual. 
Brincamos com um e brincamos com outro, e confesso que há vezes que se dá mais atenção ao João do que ao Tomás. Mas agora como o Tomás já é maior, já a querer falar e andar, já a sentir, não o posso pôr de lado e focar-me no irmão mais velho. Não o posso deixar sempre em segundo plano e tratar primeiro do irmão. 

A atenção dada e o tempo tem que ser dividido de forma equilibrada entre os dois, e ambos terão que perceber que os pais e os avós gostam deles de forma igual. Os beijinhos e os abraços são dos dois, o colinho e o mimo também. 

Comentários

Mais lidas