O Intercomuicador e a "falsa segurança" | Vidas estragadas - famílias despedaçadas

A baby crying it out.

Durante este verão deparei-me com uma situação que fiquei a pensar durante alguns dias. Estávamos nós na piscina a brincar com os meninos, e estava um casal ao lado com um bebé. Ouve-se um barulho meio abafado e a mãe levanta-se e vai a correr ao quarto. Como o quarto ainda era longe da piscina demorou alguns minutos. Passado algum tempo regressa, mas com outro bebé ao colo.

Os pais tinham deixado um bebé a dormir no quarto enquanto estavam na piscina com o outro filho. Tinham ligado o intercomunicador, como se em casa se tratasse.


Vejo alguns (senão muitos) problemas com esta situação, pois considero que uma coisa é estar em casa (ou em casas de amigos etc), outra situação completamente diferente é estar num hotel, com imensas pessoas estranhas, imensos empregados. Mesmo com um intercomunicador ligado não se deve deixar um filho pequeno a dormir sozinho no quarto de hotel. Por muito perto que seja a piscina, mesmo que se consiga ver a janela do quarto, é um ambiente diferente para a criança, e é sem dúvida uma porta aberta para tristezas.

Primeiro, falaremos apenas da criança. Pode se assustar muito por estar num ambiente desconhecido. Pode fazer barulhos que não sejam decifráveis no intercomunicador. Pode ganhar coragem e sair do berço \ cama de viagem. Pode levantar-se em pé na cama e conseguir chegar á mesinha de cabeceira e deixar cair o candeeiro, trilhar um dedo na gaveta, deixar cair qualquer objecto etc etc. Há tantas coisas que nós achámos que eles ainda não conseguem fazer ou sabem e fazer, e mesmo assim eles surpreendem-nos, e muito pode correr mal. Passa-se tanta agitação na cabeça dos mais pequenos e têm tantas ideias que nem nos lembrámos.

Segundo, a questão do sentido de “segurança falsa” devido ao intercomunicador. Um hotel não é a nossa casa, e por muito que se esteja perto do quarto, ou até mesmo que se veja a janela do quarto, demorámos sempre algum tempo até chegar lá. E já muito pode ter acontecido.

Qualquer pessoa mais atenta consegue perceber se a criança está ou não sozinha no quarto. Qualquer pessoa consegue entrar dentro do quarto (pedindo uma chave nova na recepção, roubando as chaves, pedindo ás empregadas de limpeza etc etc). Pode entrar com facilidade, leva a criança, e esconde-se dentro de outro quarto, foge de carro - há tantas possibilidades de tudo correr mal.

E depois o que se faz quando se ouve alguém dentro quarto?

Imaginem, estamos na piscina, deitados na cama a apanhar sol, relaxados, a ver a janela do quarto, e nisto ouvimos a porta do quarto bater, o bebé a chorar, e depois silêncio. Olhamos rapidamente para a janela, está tudo igual, mas mesmo assim vamos a correr para o quarto. Ora, a janela parece perto da piscina, mas temos que entrar numa entrada do hotel, subir as escadas, correr pelo corredor, virar a esquina, correr mais um bocado e vemos a porta aberta. Ninguém la dentro.

E agora?

Não teria sido mais fácil um dos pais ter ficado com o bebé dentro quarto enquanto dormia? Até poderia ter aproveitado para dormir também ou ler o jornal.
Pois, mas não.
Vidas estragadas, famílias despedaçadas. Tudo facilmente evitável.

Pensem primeiro em tudo o que pode acontecer. Não sabemos quem nos está a observar, nem muito menos quais as suas intenções.

E as coisas não acontecem só aos outro  

e tantas outras fotografias......


 



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Comentários

  1. Bem verdade querida.. vou partilhar.. obrigada

    beijinhos

    Mamã Babada e Pequeno Rei

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