Quando as nossas escolhas põem em risco outros

Li na net que a Duquesa de Cambridge planeia fazer o seu parto em casa, tudo muito natural, a epidural substituída por hipnose, e mais alguns pormenores caseiros que dispensam de hospitais, maquinas de  monitorização, incubadoras etc etc. Quer um parto em casa. Confortável, com o aconchego e cheirinho da sua casa.

Vamos despir os títulos reais, falámos de uma mãe a preparar o nascimento do seu filho. Não acho que todos os partos deverão ser cesarianas, mas acho que deverão ser realizados num hospital, ao cuidado de pessoas formadas durante anos e anos para ajudarem neste tipo de situações, médicos que podem prever problemas e acima de tudo que têm a sua disposição meios e equipamentos para salvar vidas (caso seja necessário). 

Não digo que os partos correm mal e que podem trazer complicações. Felizmente, com o avanço da medicina e dos recursos utilizados, Portugal regista um número reduzido de nados-mortos e de mães que morrem durante o parto. E é exactamente para isso que serve a medicina, que servem os equipamentos e as novas técnicas, para ajudar a salvar vidas!

Não concordo que uma mãe decida ter um filho com um parto caseiro, só porque considera mais natural e mais puro. E se essa mesma pureza , essa mesma naturalidade puserem em risco de vida o filho recém nascido? Ou se até mesmo criar problemas motores, deficiências cerebrais no pobre e indefeso bebé? Só porque a mãe quis um parto puro e natural, no aconchego da sua casa. As coisas podem correr mal, e num momento está tudo a correr bem, mas surge uma complicação, o cordão fica preso, o bebé entra em sofrimento, esta a perder tempo, a  mãe a perder sangue, e é necessário uma cesariana de emergência! Ora, em casa, normalmente não temos estes tipo de equipamentos assim á mão, nem provavelmente teremos um medico e anestesista em casa á espera que algo aconteça. Então, como é resolvido o problema? Morre mãe e bebé? Força-se o parto, criando lesões graves tanto num como noutro? Arrisca-se a termos um bebé com lesões cerebrais e uma mãe que não se sabe se irá sobreviver, e como irá sobreviver? Claro que dramatizo, mas o essencial está descrito. Pode haver comodidades, e não há tempo para ir ao hospital. Como é que fica???

Desculpem, provavelmente choco muitos ao pensar assim, mas nao concordo, NADA! Quando decidimos ser mães (e pais), colocámos de lado as nossas preferências,  e pomos o bem estar e a saúde dos nossos filhos em primeiro lugar. Não podemos tomar decisões que serão egoístas e podem colocar os nossos filhos em perigo, em situações complicadas ou risco de vida . Não podemos fazer isso, somos pais, a nossa primeira responsabilidade são os nossos filhos, mesmo que ainda não tenham nascido.   

Como ficará uma mãe, como lidará com a sua consciência, ao ver o seu filho com problemas para toda a vida derivados de um parto caseiro que correu mal? E quando a criança for crescida, como se irá sentir que os seus problemas poderiam ter sido evitados caso a sua mãe optasse por um hospital?? Já nem falo de problema graves e lesões cerebrais, um filho com incapacidade para a sua vida toda, só porque os pais queriam o conforto da sua casas não a frieza de um hospital? ???


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