Bebés e crianças resilientes (e tristes)


Ontem li uma notícia sobre uma família de 4, cujos filhos (o mais velho de 6 e o mais novo de 3) entraram em depressão profunda sem nenhuma causa aparente. Os pais estão ambos a trabalhar, ganham relativamente bem, fazem férias todos os anos, e á primeira vista está tudo bem e normal. Os psicólogos e pediatras andaram a ver e no fim de muita investigação chegaram á conclusão que a depressão era o acumular de anos de tristeza sentida pelos pais. Ao que a noticia referia, pelos vistos os pais andavam tristes, ora era a mãe, ora era o pai. E os filhos assistiam á lágrima fácil, ao choro sem parar, á apatia, e a pouca vontade em sair da cama. E no fim de 3 anos, as crianças entraram em depressão.

Por vezes é normal andarmos um bocado mais tristonhos e mais em baixo. Temos menos vontade de nos rir, de falar sobre banalidades e estamos mais sisudos. Certamente já toda a gente passou por isso. Mas devermos mostrar aos nossos filhos? Ou devermos fingir que está tudo bem e não criar preocupações nas suas pequeninas cabecinhas?

Sendo a criança pequenina, esta revê-se muito nos pais, e quando se sente mais insegura olha á volta para encontrar conforto na cara da mãe ou do pai. Somos nós que transmitimos alegria e tranquilidade ao bebé e a criança. É através de nós que ela se sente segura de si própria, calma, e em segurança. 

Alguns e pediatras são da opinião que não se deve esconder da criança os sentimentos que os pais estão a sentir. Acreditam que é importante para a criança ver que os pais estão tristes, mas que rapidamente se irão recompor, e voltarão a ser felizes. Defendem ainda que só assim a criança aprenderá que a vida tem altos e baixos, mas que a tristeza não é eterna. E numa perspectiva mais agressiva, ensina a criança a ser resiliente. 

Mas então pergunto eu, quem quer uma criança ou bebé resiliente? Quem quer tirar o mundo debaixo dos pés da sua criança e deixá-la confusa, com medo, insegura e também ela triste ou deprimida? Penso que as crianças têm tempo para saber quais as voltas que a vida dá, e que não deveríamos abanar o seu mundo só porque os pais estão a passar por uma fase mais tristinha. Claro que se a criança em questão já não seja pequenina, e já compreender certas situações, então, nesse caso, os pais poderão mostrar alguma abertura e deixar transparecer alguns dos seus sentimentos. Mas mesmo assim, não deve haver (na minha opinião) abertura total, nem muito menos transparência total. Porque por mais que os nossos filhos já sejam maturos, ou menos infantis, vêem-se em nós. Nós somos e seremos sempre o porto de abrigo deles, a sua segurança, um aconchego. 

E quando são eles que estão tristes? Como devermos nós saber quais os sintomas que temos a que estar atentos? Quais os sinais, quais os indícios? 

Temos que estar em alerta e tentar descodificar os seus comportamentos:
  • ·  Apatia total ou momentânea
  • ·  Perda de interesse em estar com amigos, de fazer as actividades que gostava.
  • ·  Grandes alterações em aspectos da sua vida normal.
  • ·  Alteração ou perda significativa de apetite e peso corporal
  • ·  Fadiga constante e mudança nos padrões de sono
  • · Comentários relacionados com situações tristes ou graves. A quantidade de vezes que faz este tipo de comentários e a sua pertinência face ao momento.
  • ·  A raiva, irritabilidade ou agitação
  • ·  Incapacidade de concentração

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